Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Uma das minhas decisões de fim de ano foi "não voltar a ter mais relações adultas!"
Aquelas relações sobre as quais já falei, em que não sabemos bem o que estamos a fazer, com quem estamos ou se estamos com alguém porque é tudo tão subentendido, tão subliminar, tão codificado e cheio de regras, estratégias e suposições que as relações se convertem num jogo que cansa, desgasta, massacra e magoa.
Em 2009, sem saber como nem porquê, quando ainda nem tinha arrumado as tralhas que sobraram com o final do meu segundo casamento, caiu-me um moscardo na sopa! Podia ter posto o prato de lado. Podia ter encostado a mosca a um canto. Podia ter pedido a troca. Mas o que fiz foi encolher os ombros, esgotada e carente como estava, e pensei "Por que não?"
Conselho de amiga
"Jamais comecem uma relação sem estarem apaixonadas".
Se a paixão não existe antes do primeiro beijo também não vai começar depois de uns amassos. Se não há paixão nunca vai haver amor. E sem amor um simples beijo não sabe a nada.
Uma relação tem SEMPRE de começar com uma paixão, nunca, jamais, em tempo algum com um "por que não?". Essa atitude displicente é uma forma de nos magoarmos a nós próprios. Não amar alguém dói tanto como não ser amada. Quando forçamos o amor e nada acontece, começamos a questionar se não estaremos vazios, se depois de tanta aventura, adrenalina e emoção o que sobrou do coração que conhecemos como intenso, generoso e apaixonado não será apenas um imenso salão vazio, com lençóis a cobrir os móveis, marcas de quadros nas paredes e um silêncio habitado por fantasmas. É aterrador. Ficamos com uma ânsia tão grande de ressuscitar o amor que nos predispomos a amar a mais vil das personagens, só para acreditar que ainda há vida em nós, que somos ainda seres humanos.
Este ano não quero relações adultas. Quero paixão!
Não quero deixar-me ir, ceder, desfalecer, desistir, acomodar-me, dar-me sem me dar valor, dar-me sem esperar nada.
Quero amar e ser amada!
Quero que o amor me surpreenda, me envolva, me preserve o sorriso tonto, me permita perder sem medo nos braços ternos de alguém que eu quero amar como jamais amei e que me amará como eu tanto quero ser amada.
Se o amor não me acontecer, então não quero nada!
* * *
Estou completamente de acordo com este seu raciocínio!
Como dizia o poeta, "Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí."
Um abraço,
Cleópatra M.P.
* * *
Obrigada Cleópatra... estou caminhando...
De Raquel Machado a 26 de Janeiro de 2010 às 11:08
Humm! OK! Eu apresento-te um rapaz decente, com quem possas viver essa tua paixão, e tu dás-me um bocadinho da tua genica profissional!!! He he he! Estou a brincar! A piada era para te dizer que nós humanos sentimos sempre falta de alguma coisa nas nossas vidas. Eu, por ex., tenho uma vivência familiar fantástica, o meu marido é tudo o que eu sempre desejei, temos um bebé lindo de 5 meses...mas falta-me uma coisa: emprego! Passo a vida a assinar contratos de trabalho e depois mandam-me embora aquando o seu términos. Estabilidade profissional é para esquecer. Ontem, quando te ouvia no programa da Júlia, pensava eu: quem me dera ser assim!...
Obrigada pelos elogios Raquel!
Quanto à questão profissional é, sem dúvida importante, mas é muito fácil passar de bestial a besta... como se calhar em quase tudo na vida...
De
lobices a 26 de Janeiro de 2010 às 11:22
Enlace
“…olho-te e toco-te ao de leve… num gesto suave, lento, doce… olho-te e sinto o perfume da tua pele no momento em que nos aproximamos um do outro… olho-te e toco-te de novo… num toque em que se sente o calor da tua face tocar a minha… é o beijo que se torna desejo… olho-te e vejo-te como nunca te houvera visto… e não resisto a colocar um abraço num enlace que espero perdure uma eternidade… naquele momento vivo o momento, mais um dos muitos momentos que se vive entre o anterior e o seguinte… segue-se o toque das mãos que se dão e se movimentam num bailar de vai e vem enquanto os passos se movem em compasso… e os corpos seguem o caminho do instinto… sossegam ao chegar… e de novo te olho num novo e delicioso olhar… e de novo te toco ao de leve num doce e suave acariciar… os corpos ofegantes emitem sinais de alerta para o juntar dos lábios num delicioso sentir de emoções que emergem da alma para a pele… e os sentimentos tornam-se actos… e os actos tornam-se vida de forma sentida em desejo contida no culminar do ser, do sentir, do estar, do amor que se recebe, do amor que se dá numa troca pura de entregas mútuas que se confundem numa só…”
De Nuno Coelho a 26 de Janeiro de 2010 às 12:28
Como é difícil discernir o amor e a paixão entre as nuvens e o pó da estrada... Mas também não devemos esmorecer até os conseguir encontrar. Num primeiro momento resulta em aceitar o impulso e a vontade. Num segundo momento Implica conjugar a vida com o que cada um representa, possui e pretende. Acho que é assim, mas é dizer pouco, eu sei.
Obrigada por comentar Nuno!
O mal de aceitar o impulso e a vontade é que se pode cair na tal "amizade colorida" que é o tipo de relação a que eu ando a fugir... mas que me persegue...
De António Simões a 26 de Janeiro de 2010 às 13:27
Gostava sinceramente de perceber oalguma coisa sobre paixão e amor mas não percebo. Para mim uma relação (de casamento ou compromisso duradouro) não necessita de paixão, precisa apenas de um compromisso sério, de um pacto (que envolva questões de afecto, sem dúvida, mas não só).
A paixão é efémera. Vive da ilusão e muitas vezes da mentira e do engano. É um conto do vigário., é um estado de graça. Também eu queria uma paixão eterna cheia de amor (na realidade bastava-me uma paixão, até podia ser uma ilusão, queria colo, queria alguém para me dar carinho, queria alguem em quem possa confiar ou talvez apenas o colo da minha mãe que já morreu).
A paixão acaba e fica o compromisso.. Em alternativa podemos pular de relação em relação à procura dessa fantasia. A ilusão pode ser tão grande que poderemos inventar as nossas paixões, finji-las, padronizá-las, para evitar ficarmos sós, sem esse "amor" que tanto procuramos.
Não consigo perceber este mundo das mulheres. Sempre olhei para esse mundo com admiração, curiosidade, fascinação (caracter maternal). Há medidad que fui crescendo verifiquei a injustiça deste mundo moderno para com os homens. Na Bíblia a mulher é feita a partir do homem para que depois o homem nasça da mulher. É a mulher (era, hoje já não sei) que fazia o homem, que o moldava, que o amparava (geralmente o pai estava ausente, no trabalho). Era esse homem que fazia as leis e que criminalizava o adultério. Hoje com o poder da mulher, e com os casamentos feitos por amor, temos relações efémeras, baseadas em paixões efémeras. E como as relações são contruídas com base em paixão e em prazer (sexo) destruímos completamente a noção de casamento eterno para o tornar numa questão de relação entre duas pessoas e numa questão de direito (contrato jurídico).
Bem haja,
António
Olá António
Um outro leitor do blogue comentou em privado esta questão com a seguinte frase "Estes meus 40 anos já me permitem afirmar que prefiro que me façam estremecer o estômago de paixão (aquela sensação de apaixonado da juventude!!!) do que o sexo de tesão (desculpe a linguagem). No início. Entenda-se."
Subscrevo, e ainda só estou nos 36...
De AG a 5 de Fevereiro de 2010 às 15:04
Mas o estômago também não pode andar sempre estremecido.
Ora, eu é que não percebo nada de homens nem tampouco de mulheres.
Percebo que é mais fácil viver com as regras bem definidas e os papéis bem separados. Mas não podemos voltar atrás aqui.
Concordo que o mundo não se preparou para a emancipação da mulher, para a mulher trabalhadora, que pretende evoluir, actualizar-se, estudar, casar e ter filhos, mas que, por outro lado, não é super mulher, nem é rica para poder pagar à empregada para ficar all day long em casa a tratar da mesma e a receber as crianças quando o transporte do colégio as trás a casa às 17 horas ou mais cedo (este tema dava uma boa crónica) e que tem uma marido/companheiro/pai que manteve os privilégios do género em não se preocupar com essa tarefas de mulher (mas também antes assim que ser metrossexual e saber de cor as letras da Byonce, etc).
Bem haja.
AG
Obrigada pelo comentário AG.
O assunto que propõe é bem pertinente. hei-de lá de chegar...
Quanto a homens, nem metrosexuais, nem homosexuais, nem machões, nem cabrões... nem nada que não se aproveite... É preciso ter sorte!
Bom fim-de-semana!
De Angela Heredia a 29 de Janeiro de 2010 às 01:12
Perfeito......não há mais palavras.
De Hungria a 26 de Janeiro de 2010 às 17:57
Olá "DEUSA", li a post de hoje (Paixão vs Porque Não? e pergunto-me... como é que alguém MISTERIOSA(como a vida), INFINITA(como o universo) e FATAL(como o veneno) não consegue O AMOR ETERNO...desejarás o impossível !?...
Olá Hungria
São homens que têm essa abordagem do tipo "Olá Deusa" que me caem na sopa... O meu ideal é beleza q.b. e muiiiiita inteligência....
Ola.
Curiosamente estava neste mundo (o virtual) quando a vi na televisão (a propósito, com todo o respeito, é uma mulher muito bonita ;D) a falar da sua história. Vim logo ao seu blog e desde então tenho-me deliciado... tanta paixão!
Gostei do post.
Felicidades...
Beijo
Obrigada mais uma vez.
Bom dia!
De De Barros a 30 de Janeiro de 2010 às 05:03
Muito bem dito pk iniciar uma relação se não há sentimento? Fraqueza da carne? Se nos sentimos em baixo tristes desamparados procuramos alguém com kem já temos uma relação de amizade algo k algumas pessoas terão dificuldade em diferenciar ou mesmo cultivar mas k as há há .uma relação de amor no meu entender deve nascer naturalmente algo k ate nem damos conta e quando damos já estamos envolvidos o importante nisto tudo é não entregarmos o corpo antes de cedermos o coração.. quanto ao moscardo não era obrigatório engoli lo poderia torna lo na sua mascote descobrir as suas qualidades kem sabe não a faria sorrir nos momentos em k mais precisa se e poder um dia chama lo de amigo á k saber separar os sentimentos o k é muito difícil numa mente muito evoluída habituada a simplificar tudo normalmente só os tontos é k complicam esta é a minha forma de ver as coisas e o amor vale sempre a pena mesmo sendo efémero procura lo é uma parvoíce
Obrigada pelo comentário Barros!
Estas questões das relações homem - mulher são sempre muito complexas. Nem sempre é fácil reduzir as coisas a uma equação matemática, separar sentimentos de carências, vontade de displicência. A vantagem de errar é aprender... e afinal esta vida não é mais do que uma aprendizagem, não é?
Bom fim-de-semana!
De charlotte a 30 de Janeiro de 2010 às 14:36
Adorei, demasiado este post! :)
Obrigada Mar...
Acredito sinceramente no que escrevi...
De AG a 9 de Fevereiro de 2010 às 15:57
Fui reler a sua crónica. Porque definitivamente não sei escrever assim e gosto de ler um homem que o faz, deixo-lhe para o caso de não conhecer o
Elogio ao amor Por Miguel Esteves Cardoso
"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra.· O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. "
Obrigada pelo texto do MEC, AG!
Conheço e adoro! Merece ser partilhado...
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