Não sei se é karma, se é destino, se o caminho se faz caminhando e esta propensão para a infelicidade não é mais do que um síndrome de Calimero.
Diz-se que cada um tem o que merece, o que é uma forma simplista de explicar a Lei da Atracção.
Há realmente quem receba pedras em vez de diamantes. Reconheço até que há casos que são autênticas novelas de lágrimas, de baba e ranho com muito rimmel derramado, em personagens que mereciam vidas normais com finais felizes e alguns momentos mágicos.
Seja como for a felicidade conquista-se.
Não, não é um lugar comum, é apenas um facto que aprendi com muitas lágrimas.
A felicidade custa tanto como difícil é ser bom aluno, arranjar emprego, sobreviver à vida adulta, mergulhar com classe numa piscina ou andar de bicicleta depois de muitos anos sem experimentar.
É mais fácil ser triste, coitadinho, escolher um canto para carpir e bater com a cabeça na parede.
Ninguém gosta de chorar mas quando vestimos a pele da melancolia a alma acomoda-se tão bem a este estado como se aconchega o corpo debaixo de uma manta numa tarde pachorrenta de domingo, passada a fazer zaping nesta nuvem fofa que é o sofá. Eu sei porque já andei por lá.
Dar a volta é tão complicado como um movimento acrobático com duplo mortal e pirueta. Mas faz-se. Por vezes com danos e mazelas, com as muitas dores de crescimento que não nos largam até à morte, as lesões que decorrem do movimento de chutar para frente num vazio que às vezes é tão denso como um bloco de gesso e argamassa.
Ser feliz, permecer de sorriso e coração tranquilo, é um desafio permanente que exige treino diário, tão dedicado como aquele que fazemos no ginásio.
Ouvi por estes dias uma música que canta esta forma de estar: uma oposição absoluta ao fado que nos pesa sobre a cabeça como pranto quando devia encher-nos de orgulho o peito e elevar-nos a moral.
Reescrevendo a letra fantástica desta música em forma de prosa teórica o resultado é este
Falem de mim, critiquem o que digo, escrevo ou faço. Não ligo.
Estou a ficar velha (cada dia melhor como o vinho do Porto) e louca,
padecendo de uma forma de insanidade que finalmente é sã,
com os pés na estrada, na certeza de seguir o meu caminho,
numa estrada que só pode ser encantada.
A cereja no topo do bolo é a menção que passo a citar
Uma música pequena, uma voz doce e feliz.. Quanto à letra, Paula, acho que me diz alguma coisa " Estou a ficar velha (cada dia melhor como o vinho do Porto) e louca". Na verdade, quanto mais velhos ficamos, mais loucos somos, acredite. Belo post, como sempre.
Obrigada Maria! Velhas nunca, mais sábias talvez... mais bonitas certamente.... com mais classe, sem dúvida... Não tenho saudades nenhuma de ser mais nova (apesar de pensar com nostalgia noutros tempos).
Oh Paula, tu, torta??? Não sei se acredito. As pessoas determinadas e opinativas são normalmente consideradas teimosas e "tortas", mas eu acho que não!! Mas se sim, então já somos duas. Eu cá sou uma "torta" do signo Carneiro, que dizem ser do pior....:) Enfim, se isso significa lutar pelos momentos felizes e conquistar o que temos na vida e que ns faz feleiz, então que sejamos tortas e que gostemos!!!! Beijos
Carneiro? Pois eu sou Touro! Duas tortas, de certeza absoluta... Acho que a idade nos concede um certo privilégio em relação ao expressar opiniões. Quando me reformar e não depender de um salário vou por certo dizer tudo o que penso (ainda mais do que agora!) na certeza de que mesmo com rugas e gordurinhas serei tão ou mais feliz! Um fim-de-semana cheio de beijos!
"A minha vida é uma merda !!!. Comparado com quê ???"
Não é, de certeza, uma maneira elegante de começar o comment mas é com esta expressão que gostaria de lhe dizer Teorias que, de facto, a felicidade é uma criação de cada um de nós. Se estar vivo é o supra-sumo de felicidade para alguns, aliar isso a poder comer 3 refeições por dia, para outros, é o completo paraíso. No extremo oposto encontraremos exemplos de "felicidade" que não se compadecem com menos de 5* em tudo o que frequentem ou possuam. "Portantos" ... em minha opinião a felicidade é a que podemos e/ou conseguimos ter em cada momento, e nas mais diversas circunstâncias. Difícil de perceber? .. talvez mas dou-lhe dois exemplos: 1. o meu filho João quando chega a casa e me comunica que teve um 18 a FQ fico moderadamente feliz ... 2. a minha filha Joana quando chega a casa e me comunica que teve um 12 a Mat fico muuuuito feliz.
A FELICIDADE é dos estados de espírito menos absolutos, mais relativos e voláteis que imagino. Sugestão: está feliz?...aproveite ao máximo e faça prolongar esse estado o mais que puder. Sente-se "menos" feliz? ... levante a cabeça e arrebite, olhe para o lado e procure compreender como a felicidade é, de facto relativa. Cumpts do João
Ui João, sobre a felicidade já escrevi montes de teorias... A de hoje vai redundar nesse tema, que de facto é o epicentro das decisões que tomamos ao longo da vida. Concordo em absoluto com a volatilidade do conceito. Já estive no patamar das 5*, não concebendo sequer que podia ser feliz numa "pensão estrela". Já desci ao ponto de não ter dinheiro para pagar uma taxa moderadora e não foi por isso que não sobrevivi. Ser feliz começa por sabermos identificar aquilo que queremos, tarefa por vezes tão difícil que nos angustia. Mais difícil ainda é ter a coragem/ sapiciência para admitir mudar de rumo, de objectivos ou de desejos sem que estes câmbios na matriz nos convertam em pessoas inseguras, parvas ou frágeis. Bom fim-de-semana! Seja feliz... dentro do género
Excelente este seu blog! Parabéns. Encontrei-o por mero acaso numa pesquisa na net sobre homens que não interessam a ninguém. Está demais. Acho que naqueles posts consegue descrever tudo o que penso sobre o assunto. Vai daí, comecei a ler o blog desde o início e deparei-me com post que resolvi comentar. Ora bem, ao ler o que aqui escreve sobre a felicidade, o quanto custa e complicado é ser feliz, lembrei-me imediatamente de um texto/pensamento de Mia Couto com o qual me identifico muito: "Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença. É preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar,aceitar pêsames por uma porção de alma que nem chegou a falecer". É que, sinceramente, não tenho paciencia para ser infeliz! Não tenho mesmo. Não consigo sentir-me bem estando deprimida. Mesmo naqueles dias em que tudo nos corre mal, em que o céu nos cai em cima, em que a luz ao fundo do tunel se fundiu, arranjo sempre maneira de dar a volta à questão e tudo passa num abrir e fechar d'olhos. Há sempre uma solução para tudo. Basta querer ver o lado bom das coisas que nos acontecem. Vou continuar a minha leitura do seu blog e mais uma vez, parabéns. Estou a gostar muito. Sandra.
Obrigada Sandra! Nem imagina como me realiza saber que há pessoas que me lêem, que gostam do que escrevo e que, acima de tudo, gostam de acrescentar conteúdo às minhas teorias! Quando iniciei o blogue tinha imenso tempo disponível (infelizemente). Durante meses o blogue foi uma espécie de terapia... Hoje é apenas um cantinho do passado que faço questão em manter vivo. Espero que continue a passar por cá e vá comentando sem cerimónias. Boa semana! Paula