
Entrei a semana passada no último ano antes dos quarenta.
A idade não me assusta. Choca-me é saber que para todos os efeitos faço parte do heterogéneo universo dos cotas, classificação que me parece tão escandalosa quanto é ofensivo dizer que a minha Mãe é uma velhota só porque já passou a barreira dos setenta.
Para além do eterno cliché “a idade está na nossa cabeça”, o que me parece é que cada um tem a idade que aparenta.
Sei que tenho quantificação etária incerta pois tanto posso dar ares de miúda nova, quando me meto a correr pela beira-rio de boné ou passeio pela baixa de jeans, como fico com ar de executiva poderosa com os meus vestidos pretos, colares de pérolas, baton e rimmel.
Não me sinto acabada, derrubada pela vida, puxada para baixo pela dita força de gravidade que, tenho de confessar, já me anda a fazer estragos no rabo.
Ainda gosto de celebrar cada aniversário. Adoro dizer que tenho trinta e nove (agora com legitimidade) ou que me falta um ano para os quarenta, e perceber o ar de perplexidade de quem me observa com lupa, luvas e fita métrica.
É inevitável que a passagem de mais um ano seja momento para acerto de contas. Pelo menos para mim é, que encontro mais sentido neste balanço a cada aniversário do que naquela comemoração oficial com passas, badaladas e champanhe.
A minha história tem sido plena em mudanças. Costumava comentar com uma amiga que as náuseas e vertigens que a vida por vezes me trazia se deviam ao facto de eu a encarar como uma espécie de montanha-russa, tão viciada na adrenalina do medo e da coragem, da superação própria e da emoção pura, que me parecia estranho caminhar por estradas planas, com horizontes largos, pistas rápidas para viagens longas e destino certo.
Como andei por muitos sítios conheci muitas pessoas.
Algumas ficaram arquivadas no memorial dos “amigos”, mesmo quando passam anos sem um contacto. Os telefonemas e mensagens que recebo no aniversário fazem-me acreditar que, por mais alheados que estejamos da vida uns dos outros, mantém-se a cumplicidade que numa parte dos nossos caminhos nos fez seguir passos idênticos.
Assim acontece num filme que marcou a vida de muita gente: “os amigos de Alex”.
No filme, o pretexto para o encontro é o suicídio do amigo Alex.
Na história que é a minha gosto de imaginar este encontro como os jantares e cafézinhos que acontecem às vezes entre um grupo e outro. Para o ano, ao comemorar os quarenta, quero acreditar que conseguirei reunir os amigos de todas as etapas, num fim-de-semana com festa cigana que nos permita rir, chorar, recordar figuras tristes, esclarecer mal-entendidos, dizer os elogios que ficaram calados, enterrar de vez as mágoas que permaneceram latentes. À despedida tenho a certeza que vamos todos confirmar num abraço que afinal é mesmo verdade aquela história da amizade como um amor que nunca morre.
A banda sonora d'”os amigos de Alex” incluí como tema principal “You can’t always get what you want”.
Aos quarenta já aprendemos que “não conseguimos ter sempre aquilo que queremos”, mas se a passagem dos anos nos brindar com alguma maturidade teremos uma certeza apaziguadora: “mesmo quando não conseguimos o que queremos, alcançamos pelo menos o que precisamos”.
O truque está em reconhecer que com essas coisas (que não são necessariamente coisas, muito menos as que estavam na wish list) somos capazes de ser felizes.
Brindemos!

Na resposta a uma provocação de um leitor assíduo do meu blogue que declarou o dia 8 de Março como o “dia internacional da costela de Adão”, decretei que o dia 19 de Março seria o “dia do espermatozóide bem sucedido”.
Na realidade, para todos os homens sem excepção, a paternidade resulta de uma lotaria genética.
Idêntico raciocínio se poderia aplicar à probabilidade de uma mulher ter um dos seus óvulos fecundados, mas a odisseia a que os espermatozóides têm de sobreviver depois de descarregados num qualquer útero é uma autêntica prova de esforço e resiliência a que só o “cabeçudo bravo do pelotão” resiste (se existir um entre a cambada microscópica que anda por ali a divertir-se).
É claro que há homens que desejam tanto ou mais do que muitas mulheres ter filhos. Mas para a generalidade a fecundação é um momento de prazer e o milagre da paternidade só deixa de ser ficção quando o choro de um bebé lhes ecoa nos ouvidos.
Nos dias que correm, ser Pai é muito diferente do que era quando eu nasci.
Para começar já é normal que eles assistam ao parto, coisa que imagino até seria proibida antes do 25 de Abril. Depois, eles mudam fraldas, fazem sopas, levantam-se de noite, acompanham os miúdos ao médico e no primeiro dia de aulas, se preciso for ficam em casa quando eles adoecem e até beneficiam de dias de licença de paternidade quando a criança nasce.
No meu tempo, a figura do pai era mais distante. Era suposto que o pai falasse mais alto, mais grosso, tivesse coragem para dizer “não” mais vezes, tomasse a última palavra em qualquer dicussão, decretasse regras, obrigações e castigos.
Habituei-me pois a um Pai assim - mais ausente, mais rigoroso, menos tolerante – nem bom nem mau, certamente melhor do que o de muitas das minhas amigas. Nunca vi nenhum outro Pai brincar com os filhos (presumo que na altura não seria usual) mas o meu pegava na miudagem do prédio e levava-nos ao cinema ou à praia, dava uns toques na bola se nos encontrava no pátio a jogar futebol, pegava em mim ao colo, carregava-me às cavalitas.
Durante anos vi o meu Pai apenas como o chefe de família.
Nos últimos anos fui conhecendo o meu Pai como homem, com uma sensibilidade que comove apesar de fazer questão de mantê-la escondida.
Ontem era a corrida do Dia do Pai no Porto e eu não pude ir. Falei com ele depois da prova (que o atleta que o meu Pai é completou em 54 minutos!) e celebramos antecipadamente ao telemóvel o 19 de Março fingindo-nos menos tristes com esta distância de quilometros que não se ultrapassa com novas tecnologias.
Hoje liguei-lhe à primeira hora da manhã para lhe desejar um dia feliz.
Até há pouco tempo apenas a minha Mãe se mantinha ligada a mim por um invisível cordão umbilical que lhe permitia saber ao primeiro som da minha voz se eu estava bem, se tinha fome ou se estava com dores de barriga. Agora tenho a certeza que também entre mim e o meu Pai há uma ligação de coração, de coronária, de aorta que sincroniza os nossos humores, emoções e batidas.
A primeira reacção do meu Pai quando eu lhe telefonei hoje foi de temor pela minha vida, como se a razão daquele contacto pudesse estar num acidente ou em qualquer outra tragédia. Esta preocupação de guardião é prova de amor tão grande como um abraço longo e sentido, por isso, porque nunca o disse nem escrevi, aqui fica registada a minha mensagem de filha:
AMO-TE PAI

Outra vez em modo zaping radiofónico, lá me entra outra vez pelos ouvidos dentro a voz do Quintino Aires. Apanhei a intervenção a meio mas o tema era “será que as mulheres têm menos líbido do que os homens?”.
Já li alguma coisas sobre o assunto e de facto teoriza-se muito sobre isto, com base em estudos científicos e pesquisas laboratoriais que levam anos a produzir conclusões, com muitos inquéritos, sessões de grupo e um acompanhamento exaustivo do dia-a-dia da população da amostra. Tudo se acaba por resumir numa evidência pouco lisonjeira: as mulheres perdem a líbido mais cedo do que os homens.
Sei que já escrevi sobre o tema, comentando que verificava isso entre amigas tão próximas quanto eu dos quarenta, que depois de serem mães e se rotinarem com as papas, cocós, colégios, festas de aniversário e com o canal Panda, adoptam na vida familiar uma postura de quem anda a “brincar às casinhas”, entretidas nas lides domésticas e no cuidar das crianças, sem tempo nem pachorra para outro tipo de marotices.
Hoje ouvi o professor Quintino Aires afirmar com convicção que esta história de as mulheres perderem a líbido é mais um mito urbano. Mesmo que as hormonas possam destrambelhar uma pessoa e que o corpo comece a ressacar por falta de estrogénio, a culpa de as mulheres perderem interesse sexual está todas nos homens! Depois de ouvir os argumentos concordo em pleno com este especialista.
A questão é simples: enquanto que as mulheres vão envelhecendo com algum cuidado, mesmo as que alargam dois tamanhos e se esquecem de pintar com regularidade os cabelos brancos, os homens envelhecem mil vezes pior do que elas. Eles não colocam cremes anti-rugas no rosto, hidratantes no corpo, não tratam os dentes, deixam pêlos crescerem para fora do nariz, penduram a barriga por fora do cinto e acham que um abraço amigo de vez em quando é quanto basta para manter o romance num casamento.
Todas sabemos que as mulheres têm um motor de arranque mais lento – apesar de o dos homens também perder velocidade – e que elas começam a fazer amor com a cabeça, ainda vestidas, a sair do trabalho, numa fila de trânsito ou no corredor do arroz e das massas na hora de ponta do Continente. Se o que encontram quando chegam a casa é um homem estirado no sofá que julga que um piscar de olhos e um “anda cá que eu não te aleijo” é um preliminar suficiente, é natural que percam a vontade, se refugiem na cozinha a depenar um pato ou procurem nos filhos os mimos que já não recebem do companheiro.
Há uma frase qualquer que diz uma coisa do género “não há sexo mau, há é pessoas sem jeito”. Assim sendo, vai muito da competência dos homens garantir que há líbido para a sobremesa… (ou sobre a mesa?)

Quinta-feira, a caminho do Porto, superando o aborrecimento da auto-estrada com um ininterrupto zaping radiofónico, lá ouço falar sobre a morte de Steve Jobs com referência aquele discurso que uma vez comentei, em que este homem extraordinário classificava a morte como a maior invenção da vida.
Quando o fundador da Apple soube que padecia de cancro do pâncreas, realizou pela primeira vez que era mortal. Perante uma sentença de morte certa tornou-se mais eficaz na arte mágica de viver cada dia em pleno. Isto é: viver cada dia como se fosse o último, à espera do dia em que finalmente acertou.
Mortais somos todos, mas não pensamos nisso ao acordar, enquanto lavamos os dentes, quando conduzimos a alta velocidade ou simplesmente nos sentamos à secretária para mais um dia de trabalho com um mero vislumbre de céu e de Sol.
Imaginamos que a morte só acontece aos outros e que só daqui a muitos anos chegará um dia a nossa hora.
Mas a nossa hora pode chegar hoje.
A minha viagem ao Porto foi motivada pela morte de um amigo.
Foi-se num acidente estúpido entre dois degraus de uma escada. Sozinho. Em casa. Num desequilíbrio de um passo que lhe provocou morte instantânea.
Surpreendidos todos, numa espécie de transe anestésico que nos fazia duvidar da razão que nos reunia à porta de uma igreja num estival final de tarde, comentávamos quão absurda tinha sido esta queda.
A morte será sempre um mistério. Um disparate. Um paradoxo. Uma ironia do destino e da sorte.
Mesmo que seja a idade que nos leve depois de uma vida santa ou de uma doença prolongada.
Comentava um dos presentes que a partida deste amigo, conhecido por gostar de andar sempre em festa, tantas vezes ébrio como provavelmente estaria no momento do acidente, que esta tinha sido a sua forma de nos abanar a todos pelos ombros.
Ele, o que se foi, o homem que conhecemos descontraído, com um permanente sorriso manso, gritou nos nossos ouvidos, em jeito de zombaria, que nos levamos demasiado a sério.
Não relaxamos. Não saímos do quadrado, da caixa, do círculo, da gaiola, da jaula, da redoma que tomamos como o habitat da nossa sobrevivência.
No final acabamos numa caixa de madeira. Reduzidos a pó.
Ocorreu-me então o discurso e as imagens que enchem um vídeo que já é histórico no Youtube: “Everybody´s free (to wear sunscreen)” de Baz Luhrmann. Não sei se este texto alguma vez foi um discurso ou se é apenas um filme que este realizador produziu num momento de ócio. O que sei é que, apesar de o título soar disparatado, como estranho é o conteúdo, entre as muitas frases carregadas de humor encontram-se mensagens fantásticas que no momento do velório me iam surgindo difusas mas com redobrado sentido.
É quase uma futilidade preocuparmo-nos com o futuro.
Os problemas que vamos encontrar na realidade são sempre equações algébricas mais complicadas do que as que os nossos cérebros ingénuos e crédulos são capazes de formular.
As nossas escolhas são metade acaso, tal como as opções dos outros, pelo que não devemos congratular-nos em demasia quando a vida nos corre bem nem penalizarmo-nos em excesso se a vida nos impreca.
O conselho que pontua o discurso é “devemos sempre usar protector solar” como recado síntese de uma série de sugestões e advertências que se resumem a uma elementar lição de vida: devemos tratar-nos bem, respeitar os outros, depreciar os maus momentos e as más palavras, valorizar o assombro que é respirar, ter um coração que bate certo, vivendo com saúde, de preferência rodeados pelas pessoas que nos amam e que num ou noutro minuto do dia dizem ou fazem pequenos nadas que nos fazem felizes por uns minutos (ou menos infelizes durante umas horas...).
Tudo o resto são adereços, cenários, papéis com a sua importância para a nossa auto-estima, conta bancária ou ego, que nos ajudam a ser alguma coisa na vida mas que não devem determinar a pessoa que somos nem a forma como gozamos a nossa preciosa existência.
O tempo passa… ou como ouvi ontem num fado “o tempo fica, nós é que passamos por ele”.

“Nasci de novo” disse-me esta semana uma amiga após duas noites insones no hospital, com um filho ainda nas “observações”.
Neste caso, a amiga referia-se ao nascer de novo após aqueles segundos, que terão sido micro, imensos, intermináveis, em que temeu que o seu filho tivesse morrido ou que ficasse tetraplégico. Tudo correu pelo melhor e, à medida que se estabilizavam os sinais de vida, se superava cada etapa da bateria de exames e se concluía que, apesar do aparato, o rapaz tinha apenas algumas costelas partidas, a mãe foi ressuscitando.
Nascemos de novo sempre que a nossa vida faz um reset.
Nascemos de novo sempre que nos deparamos com o fim de uma coisa que tomávamos como eterna, perante uma curva em que o despiste é inevitável, quando a realidade faz sumir o chão sobre o qual caminhávamos.
Nascemos de novo quando a vida nos surpreende. Mas também nascemos de novo quando queremos.
Dou o exemplo de um colega que andava há anos em carreira internacional, de país em país, sem critério nem objectivo prático, e que me dizia com um sorriso misterioso que “o bom da mudança era que em cada novo sítio podia ser uma nova personagem”.
Passei por essas mudanças de personagem na minha vida.
Quando entrei na faculdade. Quando casei. Quando me divorciei. Quando abri a minha loja.
Houve mudanças que me tornaram mais altiva e distante das pessoas, outras mais doce e frágil.
Em cada mudança, em cada nova vida, tive na minha órbita diferentes personagens.
Curioso que algumas se tenham afastado permanentemente, perdidas num buraco negro, sem despedida nem rasto.
Outras, poucas, mantiveram-se próximas, agarradas, mesmo quando os telefonemas eram espaçados e os encontros escassos. Com alguns amigos, bastam cinco minutos de um reencontro para que a conversa flua como se ainda ontem tivessemos jantado. Com outros fica um silêncio, mantém-se uma distância, perde-se cumplicidade, soltam-se as amarras, as afinidades. Ao final dos ditos cinco minutos, há apenas memórias de um passado que imaginamos mais longínquo do que é, um espanto perante a pessoa que revemos e que subitamente nos parece um estranho.
A vida é um jogo de entradas e de saídas.
A vida é um jogo de mortes súbitas e de despertares.
Como acredito que nada acontece por acaso, encaro este turbilhão de personagens, cenas e episódios com naturalidade.
As pessoas que me entraram na vida nos últimos anos desempenharam todas um papel. Algumas foram até muito importantes.
Como a amiga sonhadora que pintava a minha existência numa tela de cores berrantes.
Admito agora, depois de tantos momentos em que enalteci a amizade como “um amor que nunca morre”, que subvalorizei a amplitude desta frase.
Para a amiga que renasceu de novo, ficou-me o aviso da ausência em momentos chave.
A vida dela recomeçou na semana passada. Espero que neste novo ciclo ainda exista espaço para o renascimento da nossa amizade...

Há dias, em conversa com um colega de MBA, saiu-nos a conclusão de que “as relações devem ser geridas como empresas”.
Serem uma espécie de organização com Direcção de Recursos Humanos, para definir responsabilidades e o âmbito das funções de cada um; com Direcção Financeira, para construir o orçamento e decidir a forma de afectação das verbas disponíveis; com Direcção Comercial/Marketing/Relações Públicas porque isto da vida em casal implica a capacidade de sociabilizar com os outros num jogo que muitas vezes é de troca, outras de charme, outras de protocolo; Direcção de Operações para assumir a logística da coisa, principalmente se existirem filhos e cães.
É claro que em teoria penso assim. Assumo, sou uma teórica.
Em teoria creio que todas as mulheres crêem pensar assim, pois quanto mais falo com amigas emancipadas mais ouço discursos pragmáticos muito bem estruturados sobre partilha de espaço, cama e roupeiro, como controle absoluto de sentimentos e absorção instantânea de lágrimas.
A questão é que o meu colega, homem, ainda por cima engenheiro, conseguirá muito bem gerir a sua vida privada segundo um modelo empresarial. Agora eu, que apesar de tudo me considero “muito homem” quando comparada com as ressabiadas, histéricas e melodramáticas que vejo por aí, posso até tentar ser membro executivo do Conselho de Administração desta estrutura emocional e familiar em que me apoio, mas no final, entre patuscadas, piqueniques e cusquices , não consigo retirar do cenário que imagino para o meu destino: a tal estrada amarela que percorrerei de mão dada com o companheiro de uma vida até alcançar o arco-íris.
Repeti várias vezes quando me divorciei que um casal só funciona se a relação for uma sociedade. Aquela coisa do ter objectivos comuns, uma forma semelhante de encarar o presente e planear o futuro, um esforço de equipa para que os resultados se atinjam. Depois de ter tido uma empresa, sei que esta história das sociedades é uma grande treta!
Não sei o que faz uma relação funcionar.
Ultrapassam-me as razões pelas quais duas pessoas se apaixonam, muito mais porque permite o tempo que a paixão que em algum momento foi amor, se esfume num sentimento de amizade sem sabor nem memória.
Sei que há pessoas com personalidades tão diferentes que aos olhos dos outros são incompatíveis, mas que na alma são siamesas.
Outras há, que de tão complementares são apenas meros companheiros unidos por um pacto de sangue, como escuteiros.
Percebo que muitas pessoas passem a vida a procurar o Príncipe Encantado sem realizarem que a figura do Príncipe que procuram é uma mistura das personagens que entraram e saíram das suas vidas.
Entendo que muitas pessoas se mantenham de mãos dadas porque o medo da solidão as atemoriza.
Mas tenho como certo, que seja o que for que nos atraí para uma pessoa, a ligação só perdura quando a pele se cola, os corações se fundem e os corpos respiram em sintonia.
Invejo por isso a imagem que partilho, em que um casal, ao antecipar uma morte certa, escolheu apagar-se num abraço que nunca mais se
desfez.
Teorias dos outros
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