
Não há nada melhor do que estar com as amigas do coração, aquelas que conheço há tantos anos – antes da menstruação e dos tampões, antes do acne e dos rapazes, quando vestíamos calças com cinta sobre o umbigo e não éramos tão loiras – que são como uma espécie de prolongamento histórico da minha vida, uma causa, um efeito e uma consequência da pessoa que sou hoje.
Somos afortunadas por conseguirmos manter uma amizade durante tantos anos, gerindo tempos e espaços de distância com tanta naturalidade que, quando nos reencontramos, parece que a última vez que falmos foi apenas ontem.
Sempre que estamos juntas fazemos autênticas “biópsias à alma”, porque só com quem é tão próximo nos podemos “virar do avesso”, revelando coração, tripas e lágrimas sem reservas nem vergonhas ou medos.
Um grande bem-haja à “Casa de Pasto da Palmeira” que nos acolheu com uma série de petiscos art nouveau sem peneiras.
Creio que todos os jantares entre mulheres gravitam em redor do tema homem, muitas vezes em abstracto, porque nos intrigam mais as relações do que as pessoas.
Chegadas a esta fase da vida divorciadas é inevitável ficarmos presas, pelo menos durante uns tempos, nesse limbo alucinado que são as relações adultas, entre veteranos recalcados, com suas tácticas beligerantes e cicatrizes de guerra.
Ainda não sei o que procuram os homens, mas em relação às mulheres tenho como certo que procuram todas receber o Prémio Nobel pela descoberta da alma gémea. Mesmo as que ficam sós durante tanto tempo que a certa altura bradam com cartazes quão realizadas são com a sua independência, acabam por ficar tão vulneráveis quanto uma adolescente se um dia tropeçam num espécimen que por mais errado que seja ou pareça, tem potencial quanto baste para ocupar o lugar certo.
É claro que temos medo. Com o tempo ganhamos uma estranha imunidade que nos faz antever que qualquer relação está condenada ao insucesso, preparadas para que todo o candidato a residente se revele um parvo carregado de defeitos, incapazes de reagir em conformidade se afinal a pessoa a quem vamos abrindo a nossa porta até é um homem decente e bem-intencionado, apesar de ser esse o nosso inconfessável desejo.
O normal no mundo dos adultos é vogar entre relações plásticas, neste imenso bazar de amor contrafeito, à procura de sexo, de uma companhia para jantar ou para o cinema, de uns momentos de humanidade que nos suguem da nossa rotina de problemas no trabalho, contas para pagar e trânsito louco. Fazemos o que ontem ouvi designar como “zaping emocional”.
Na nossa essência, quando dissemos “sim” em frente a um altar carregado de flores, acreditavamos na lenda do “casamento para sempre”. Não concebo que alguém se case pensando no divórcio como solução para qualquer problema. Admito sim que recorremos mais a essa opção como se fosse uma “saída de emergência”, apenas e só porque desde miúdas aprendemos não sei onde que fomos programadas para ser felizes. Como não existem parâmetros que certifiquem o nosso grau de felicidade, como aqueles que são utilizados nas análises clínicas, quando começamos a agonizar ante o pressentimento de que não somos tão felizes quando poderíamos optamos por esta “fuga para a frente” que aumenta todos os problemas e discussões de um casamento naufrago quando se começa a equacionar a hipoteca da casa e as partilhas.
Gostavamos de pertencer aquela casta dos “cisnes”, os casais que permanecem juntos até à morte num amor cúmplice que é amizade tatuada na carne, caminhando de mãos dadas, com o ombro do outro ao nosso lado, porque assim se caminha num passo sincronizado e porque aí se procura aconchego quando a estrada que seguimos nos falha.
Em vez disso, a realidade revela-se um filme diferente do que tínhamos realizado como sequência lógica casamento–filhos, e acabamos por desempenhar papéis inspiradas no “Sexo & a Cidade”, que por sua vez se inspira em mulheres como nós, saltando de festa em festa, de desilusão em desilusão, de borboletas na barriga para socos no estômago.
O ideal é que esta fase de zaping seja apenas um treino de resistência, força e endurance, necessário para sermos melhores mulheres para um homem, também ele aperfeiçoado na arte mágica de gerir afectos, impulsos, maus feitios e conflitos de personalidade.
Assim seja!

Uma reunião de trabalho levou-me esta semana de Lisboa a Trás-os-Montes, para verificar que mesmo com I.P.´s e I.C´s, com muitos troços em eterno construção/ reconstrução/ manutenção e algumas curvas perigosíssimas para quem, como eu, se entusiasma com a velocidade, são ainda válidas as razões que justificam que tantos portugueses desconheçam o interior norte de Portugal. Dito de outra forma: é longe como tudo e a viagem nunca mais acaba…
No meu habitual zaping radiofónico, parei pela Antena 3 na “Hora do Sexo”, com o Professor Quintino Aires. O tema infidelidade surgiu após a leitura de uma carta de um leitor que se confessava super feliz e realizado com uma relação que mantinha há seis anos com aquela que, segundo ele, seria a “mulher da sua vida” MAS – e aqui o “mas” tem mesmo de ser em maiúscula – não resistia a um ou outro olhar matreiro que de vez em quando descambava num caso puramente sexual. Perguntava o ouvinte: “serei normal?”
Confesso que esta questão da infidelidade me incomoda bastante. Sei que por natureza as mulheres são fiéis com a “passarinha” e os homens com o cérebro, o que significa que uma mulher dificilmente traí o homem que ama em corpo, apesar de o poder fazer em pensamento, enquanto que um homem, pelo contrário, com alguma facilidade poderá ir parar sem saber como aos braços de outra mulher, ainda que durante todo o acto aquela que é a mulher da sua vida não lhe saía da cabeça.
Quero acreditar que nunca fui traída, mas se alguma vez fui prefiro não saber. Jamais seria capaz de perdoar!
A este respeito comentava o Prof. Quintino Aires que a traição deve ser mantida em segredo já que a outra parte nunca conseguirá compreender as razões que a motivaram. Aparentemente muitos adúlteros acabam por se confessar para exorcizarem o peso na consciência, mas diz o professor com alguma ironia que já que o traidor teve um prazer que foi exclusivo então também deve guardar a angústia do day after só para ele.
Conheço imensos casos de facadinhas no matrimónio. Não me surpreende que, como li uma vez naquelas reportagens curiosas da HAPPY que citam amigas de amigas de amigas, que muitos casais vejam na adrenalina da sedução de uma outra pessoa (a partir do momento em que a vida a dois estabiliza a sensualidade do outro passa a ser uma memória), um paliativo para manter firme um casamento. Surpreende-me sim a mulher, mais ela do que ele, que sabendo que o marido a traiu adopta aquela postura de “coitadinha”, acreditando até que reside em si uma parte da culpa.
Não me imagino deitada ao lado de um homem que me confessasse uma traição. Dificilmente me conseguiria abstrair desse facto. Suponho que quando ele me beijasse o iria imaginar sendo beijado por outra e ao tocar o seu corpo, provavelmente iria associar a sua pele e os seus poros aos fluidos trocados com outra pessoa.
Cada um sabe de si e da sua vida, mas sou da opinião que se é para haver alternância se devem fomentar programas como jantares surpresa na escada de incêndio do prédio, fins-de-semana sem destino em que se saí de casa apenas com a escova dos dentes, férias paradisíacas em cenários de sonho, mais do que procurar noutras pessoas o tal factor surpresa que traz um colorido diferente a uma rotina cinzenta.
Utilizando uma frase que não é minha, se é para viajar então “vá para fora cá dentro”…

A história dos homens com a camisa dentro das calças deu o mote para uma girltalk entre posts no FaceBook, telefonemas e troca de piadas na pausa para o cafézinho.
Chego assim a um elenco de coisas que deixam as mulheres (contemporâneas) em estado de pré-histeria:
1. Pêlos nos ombros
Ughhhh! A depilação masculina não é coisa de travestis, drag queens ou maricas. Se as mulheres sofrem a tirar pêlos nas virilhas e nas axilas (ai que dor!), se até conseguem ter filhos, então não vejo razão alguma para que um homem que chega à idade adulta com corpo de urso – não necessariamente daqueles fofinhos - não se submeta a um restauro com bandas de cera fria. Idem para pêlos que saem das orelhas e dos ouvidos. Há tesourinhas e pinças para tratar desses pintelhos (cito Catroga) mais atrevidos.
2. Camisas de manga curta
Nunca, jamais em tempo algum! Principalmente quando se veste fato.
3. Meia branca
Acho que já não há homens com "pé de gesso", pois não?
4. Carecas não assumidas
Mais vale uma cabeça luzidia, assim tipo bola de bilhar, do que uma madeixa de cabelo que cresce acima da orelha esquerda e se cola com brilhantina à orelha direita ou outros truques muito mal feitos para disfarçar a careca. Perucas e capachinhos são pelagens de animais mortos absolutamente proibidas.
5. Calções abaixo dos joelhos ou calças acima dos tornozelos
Fica ridículo. Um homem com calções compridos ou calças curtas parece sempre mais baixo e gordo do que efectivamente é. A coisa agrava-se se a dita peça de roupa for em ganga ou se vier apetrechada de bolsos, fechos e tachinhas como um carro em versão tunning.
6. Unhas roídas
Não sei se está científicamente comprovado ou se é facto que intuo por amostragem entre amigas, mas uma das coisas em que uma mulher repara logo no primeiro encontro é nas mãos que vêm apensas a determinada figura masculina. Unhas roídas é mau, denotam falta de auto-controle e de nervosismo. Unhas arranjadas com vestígios de verniz (daqueles endurecedores que supostamente são transparentes mas deixam sempre um certo brilho) também não são coisa normal, por mais metrosexual que seja o rapazinho.
7. Gravatas com nós gordos
Enfiadas naquelas camisas com colarinhos super engomados que se vendem numa loja que começa em S e acaba em OOR, que fazem com que os pescoços minguem e percam mobilidade, tornando o homem que o veste uma espécie de Robocop. A imagem fere a vista se a gravata vier com padrões ou em tons garridos...
8. Arrotos e outros sinais sonoros
Mesmo quando a relação avança para a intimidade, se partilha cama, casa-de-banho e lista de compras, há que manter um certo pudor nas manifestações corporais que se deixam escapar para o exterior.
9. Odor corporal
Há aquela teoria das feromonas e de como homens e mulheres são atraídos pelo cheiro, como dois animais se encontram em plena selva numa noite escura, mas o cheiro do corpo au naturel nem sempre é um aroma agradável. Para isso existe uma tão activa indústria de perfumes (e se investe tanto em anúncios fabulosos como o do AXE).
10. Silêncios e hum-huns
Mais uma verdade empírica, que por certo já foi estudada: as mulheres adoram homens que as fazem rir. Não com cócigas, porque isso é coisa de meninos, mas com aquele humor que pode ser americano, para as que gostam de piadas evidentes, ou very british, para as que gostam de raciocínios elaborados, teoremas e enigmas. Passada a fase da conquista onde as piadas têm um certo sex appeal é importante que um homem saiba manter um diálogo sobre qualquer tema, desde política ao vestido ridículo com que apareceu a prima gorda numa festa de família. Assim sendo, nada pior do que um homem que se enfia na já por aqui referida “caixa do nada”, não discute, não opina nem contraria, limitando-se a emitir uns sinais vitais para que tenhamos a certeza de que ainda não está a dormir.
PROMETO QUE ESCREVO IDÊNTICO TEXTO COM OS GRANDES "NÃOS" PARA AS MENINAS...

Ainda a propósito do meu tio, que ainda não estava viúvo há 30 dias se aventurava já pelo complexo mundo dos namoricos, flirts e engates, escreveu a Marta – uma espécie de amiga comentarista que de vez em quando passeia pelo meu blogue – que num estudo que efectuou na universidade constactou em choque que entre a população viúva, principalmente do sexo masculino, o prazo para um segundo casamento depois do óbito do cônjugue era inferior a um ano. Perante estes dados, a professora que acompanhava o estudo para a cadeira de Demografia produziu uma observação extraordinária “(...) não sei se eles (os viúvos) mostram pouco amor pela mulher que partiu ou se o que mostram é pouco amor por aquela que entra em casa tão depressa”.
É impossível não ficar a pensar nisto.
Nas relações contemporâneas, sejam de viúvos, divorciados ou solteiros empedernidos, há uma certa propensão, direi tendência, para trocar rapidamente de parceiro. Há quem diga que “amor novo troca o velho”, mas não sei se uma substituição de parceiro é mesmo uma terapia de cura, uma droga dura ou uma penitência.
Pergunto-me como é possível tirarmos o nome de alguém da nossa boca?
Quanto tempo precisa o nosso corpo para se acomodar aos braços de outra pessoa?
Quantas vezes precisamos de fazer amor com alguém até nos habituarmos ao seu toque, ao seu sabor e ao seu cheiro?
Quantos dias, semanas, meses são necessários para ter a certeza de que estamos dispostos a arranjar espaço para as roupas de outra pessoa no nosso armário?
Se calhar sou excessivamente romântica.
Mas se calhar uma pessoa excessivamente romântica acredita que a paixão acontece como um clique e a partir da tal flechada temos logo a certeza absoluta que é com aquela pessoa que queremos passar o resto da vida. Da vida possível. No pressuposto de que o amor é eterno apenas enquanto dura... e que tantas vezes dura apenas algumas semanas.
Não me parece que esta efervescência que nos provoca o frio na barriga e o sorriso sonhador seja coisa para acontecer uma vez por temporada.
É preciso ter sorte. E paciência. Critério na escolha. Cautela nos avanços.
Uma pessoa mais céptica responderá que a questão do nome se resolve tratando todos os parceiros/as por querido/a, que essa coisa dos abraços e dos amassos é uma espécie de actividade lúdica, como andar de bicicleta, e que a partilha de espaço muitas vezes é mais uma questão logística, uma mera lógica financeira de divisão de despesas e partilha de renda.
Quero acreditar que não somos tão básicos em relação aos hábitos de acasalamento. Que a um homem não basta uma mulher de anca larga que saiba fazer fogo com pedras e assar uma peça de caça, e que a uma mulher não lhe baste um macho com ares de protector e potencial para sustento.
Vivam os amores sinceros, amadurecidos em barrica velha... com um vinho do Porto divino.

Os homens podem não saber o que é o amor mas percebem cada vez mais de sexo. Já é possível falar em ponto G sem que ele pense que estamos a referir-nos a uma constelação ou a qualquer problema com a embraiagem. Até já há homens que conseguem perceber onde é que ele está e tiram partido de tamanha sabedoria!
Um famoso médico americano, o equivalente à avó Sue (Johanson) mas apenas com direito a programa de rádio (há dezoito anos) – o Dr. Drew Pinsky – fez há tempos revelações fabulosas no programa da Oprah.
Intimidade ou “sexo é como uma pizza”
A primeira foi que os homens a partir dos quarenta, porque começam a produzir menos testosterona, dão mais valor à intimidade. Querem uma relação mais profunda. Para além de sexo, querem afecto, com sorte até procuram o amor! A ironia é que intimidade para os homens é um conceito indizível. Segundo o Dr. Drew, para um homem sexo é como uma pizza. Pode ter só queijo, fiambre e oregãos e eles acham boa, pode ter chourição, anchovas, azeitonas, ananás e outros pedacinhos, e o que muda é que fica melhor ainda. Portanto, querer intimidade é querer sexo na mesma, bom como deve ser, mas com queijo extra ou com ingredientes adicionais por cima...
Na prática, segundo este expert, quando um homem começa a deixar de querer “facturar” todas as mulheres que acha atraentes – sim, porque para eles a questão sexual baseia-se exclusivamente na atracção física -, o que ele quer é encontrar alguém que o atraía, claro, mas que se interesse pelas mesmas coisas que dão sentido à sua vida. Não é preciso gostar de futebol, de ir à pesca, jogar poker ou engolir de golada um copo de cerveja. Mas é importante que alinhe em programas tipo um jantar improvável numa tasca castiça, ature os amigos dele mesmo quando estão com os copos, têm conversas chatas ou andam deprimidos, não embirre com a sweat velha que ele usa em casa, não o chateie com a tampa da sanita levantada nem com os pêlos na banheira. Segundo o conceito de intimidade deles, quando a relação passa para “outro nível” o homem começa a dar mais importância ao que a parceira sente, não tanto em termos de sentimentos profundos e complicados como o amor, mas pelo menos em ter a certeza de que a excita. Ainda e sempre.
Sexo oral estimula o ego
Outra das revelações extraordinárias é que os homens gostam de sexo oral não porque é bom (mau sexo oral não existe, diz o médico, a não ser que seja com um vampira, digo eu), mas sim porque o pênis é uma espécie de prolongamento do seu ego, logo uma relação íntima com essa parte do corpo faz parte do “ser íntimo”. Um sinal de que a relação se está a tornar séria é quando a este nível “a coisa” se torna recíproca.
A monogamia é mais prática
Mais uma revelação que achei surpreendente foi que, apesar de eles acharem que a monogamia pode ser uma seca, ter um caso extra-conjugal ou andar com duas mulheres ao mesmo tempo dá tanto trabalho que os homens só cedem à tentação se o que têm em casa é uma pedra de gelo, se a relação anda pelas ruas da amargura ou se estão numa daquelas crises de idade em que precisam de dar uma queca com outra mulher para confirmarem que ainda são viris.
Na cama os homens são pilotos de aviões
Outra das perguntas que nos fazemos é “o que pensam eles quando estão com uma mulher na cama?” Responde o Dr. Drew que para um homem o acto sexual é como aterrar um Boeing topo de gama carregado de alminhas. Não pensam em nada. Apenas em sentir a vibração das rodas a tocarem na pista, travar em segurança e ouvir os aplausos da classe média que se senta nas últimas filas.
A única preocupação de um homem é conseguir perceber se a mulher o está a achar suficientemente bom. Não propriamente se ela está a gostar ou se está a sentir prazer, mas se a performance dele faz com que ela vá contar as amigas no dia seguinte que esteve na cama com um garanhão. Sim, porque as mulheres partilham estas inconfidências com as amigas, a não ser que estejam muito apaixonadas, situação em que preferem manter os detalhes íntimos como um tesouro só para si. Eles não falam tanto. Podem comentar conquistas rápidas mas também são reservados em relação à mulher que lhes toca o ponto G do coração, se calhar com receio de atiçar a cobiça.
Mulheres com iniciativa é bom... até ao dia seguinte
Os homens não se sentem intimidados quando uma mulher toma a iniciativa. Até podem gostar no momento porque isso poupa-lhes tempo e conversa. A única questão é que no dia seguinte podem acordar a pensar “mas será que ela faz isto com todos os gajos?” e a partir daí perdem a vontade de andar de mão dada com uma mulher de quem desconfiam.
O maior medo do homem: demonstrar sentimentos porque isso faz dele um marica
Outra revelação apocalíptica: o maior receio de um homem é que uma mulher se aperceba do poder que exerce sobre ele. Para eles as mulheres são seres misteriosos, de sentimentos profundos, de manuseamento complicado e humores tão instáveis como o anti-ciclone dos Açores.
Os homens não gostam de falar sobre emoções nem sentimentos, se calhar porque não perdem muito tempo a pensar nisso, mas acima de tudo porque são educados segundo a regra de que a vulnerabilidade associada à expressão do que sentimos, dos medos, das aspirações, dos traumas, dos desejos mais ocultos, não é coisa de macho, pelo que os únicos homens que falam sobre estas coisas são mesmo os maricas. Os homens têm dificuldade em revelar-se da mesma forma despudorada com que uma mulher desaba em lágrimas em frente às suas amigas porque isso os faz sentirem-se fracos. Segundo o código genético que transportam, os homens têm de ser fortes, andar à caça, lutar pelo território, defender a mulher e a família, pelo que uma lágrima no canto do olho, uma hesitação, uma dúvida é uma falha na sua masculinidade que não se devem permitir.
Na prática, para entender um homem é preciso saber ouvir os silêncios, medir as distâncias, interpretar os sinais que nos dizem que ele quer ficar lá por casa ou está só à espera de uma deixa para sair.

Esta semana, uma das minhas amigas do Facebook publicou um texto que suscitou logo meia dúzia de comentários.
Com o título “os homens não sabem o que é o amor”, o referido texto, de Michel Houellebecq, in 'As Partículas Elementares', começa assim “De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho. Conhecem o desejo, o desejo sexual em estado bruto e a competição entre machos”.
Apesar de ter tido a sorte de ter encontrado homens que me amaram, daqueles que são românticos, fazem surpresas, dizem as palavras que queremos ouvir, nos abraçam de uma forma que transforma o seu colo no nosso ninho, confesso que concordo em parte com o que este autor diz. Sim, há homens que amam mulheres. Mas muitas são as mulheres que andam com homens que não as amam, não apenas porque a lei da oferta as não favorece, mas porque os homens só são capazes de amar verdadeiramente uma ou duas mulheres durante toda a sua vida. Em relação às outras, os seus sentimentos podem variar entre o “gosto” e o “tolero”. Quando entram na fase do “não suporto” já têm outra presa na mira.
Como já por aqui escrevi, para os homens sexo é mais fundamental do que para as mulheres. Nós passamos a infância a sonhar com príncipes, contos de fada, vestidos de noiva e histórias com final feliz. Eles passam da fase do jogar à bola (ou Playstation) para a fase da explosão de testosterona que os faz comprar revistas com mulheres nuas. Para os rapazes, a relação homem-mulher é uma mera questão física, um acerto hormonal, uma descarga de adrenalina. Para elas, a mesma relação tem de ser magia.
Claro que há os adoslescentes que se apaixonam e que reagem como “romeuzinhos”, mas a maior parte entra na faculdade sem nunca ter tido uma miúda que tiveram a coragem de assumir como namorada, com a preocupação única de não acabarem o ensino secundário virgens.
Há competição entre machos, claro, mas se calhar a competição é muito maior entre fêmeas. Até entre eles e elas, a começar na pré-primária e a atingir o auge quando se ingressa na vida activa.
Continua o texto, a propósito de como os filhos varões herdavam dos pais o mesmo tipo de comportamento, considerando todas as mulheres como objecto de desejo à excepção da mãe dos seus filhos, “Hoje, nada disso existe. As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos. Não têm nada para lhes ensinar, nem sequer sabem o que eles poderão vir a fazer; as regras que conheceram não serão de todo aplicáveis a eles, porque eles viverão num mundo completamente diferente. Aceitar a ideologia da mudança permanente significa aceitar que a vida de um homem está reduzida estritamente à sua existência individual e que as gerações passadas e futuras não têm, aos seus olhos, nenhuma importância.”
Apesar da visão pessimista, conheço cada vez mais pessoas que questionam até que ponto vale a pena terem um filho se o presente é tão instável e o futuro tão incerto, com o orçamento familiar a ser curto para férias, infantário, actividades extra-curriculares, pacote completo da TV Cabo, uma visita mensal ao cabeleireiro e uma ida anual ao dentista.
Concluí Michel Houellebecq, escritor francês conhecido pelo seu cinismo polémico, “ter um filho, hoje, para um homem, já não faz qualquer sentido. O caso das mulheres é diferente, porque elas continuam a sentir a necessidade de terem um ser que amem – o que não é, nem nunca foi, o caso dos homens. É um disparate acreditar que os homens também têm necessidade de acarinhar e de brincar com os filhos, de lhes fazer festinhas.”
Aqui, admito que tenho alguma dificuldade em concordar. É demasiado cruel pensar os homens como seres tão tiranos, muito embora seja verosímel este tipo de atitude austera nos homens de outros tempos, os tais que tinham uma mulher em casa em quem mal tocavam, mas que recorriam amiúde a mulheres de fama duvidosa para poderem “fazer porcarias” e assim libertar-se do tal desejo animal que os transforma em seres quase primitivos.
Grande parte dos homens que conheço, mesmo quando divorciados, mantém uma forte ligação emocional aos filhos. Sofrem com a distância, muitas vezes até aguentam relações que já só são logística familiar porque não suportam a ideia de não lhes dar um beijo de “boa noite” todos os dias. Infelizmente conheço também muitos casos em que os casais se separam e o homem segue uma nova vida, volta a ser solteiro, livre e descomprometido, ignora os filhos ou passa a tratá-los como amiguinhos com quem faz programas de umas horas, mas que depois “despeja” na casa da mãe para pode ir ter com as amigas.
Os homens não sabem o que é o amor? Talvez. Se calhar não precisam. Se calhar por não saberem têm uma capacidade superior às mulheres para serem felizes. Ou pelo menos, conformados, que é aquela atitude inócua que permite a qualquer ser humano moderado nas ambições e nos desejos sobreviver sem sobressaltos ao correr dos dias. Não estão à espera de mais nada do que acordar, ir para o trabalho, contar umas anedotas aos colegas, olhar para o rabo da secretária do departamento, tomar uma cerveja antes de ir para casa, chegarem ao fim-de-semana para poderem passar dois dias sem desfazer a barba, contentes se o clube ganha, desalentados se continua a perder pontos e a afastar-se do líder.
As mulheres precisam dos olhares, dos mimos, das palavras, de um pouco de sonho, de cenário, de vida cor-de-rosa para se abstraírem do branco e negro em que tão facilmente se transforma a rotina que asfixia a vida. Por isso andam sempre à procura de amor, nos homens ou nos filhos, tantas vezes humilhando-se, sujeitando-se, fingindo-se de burras...
Homens e mulheres, seres tão diferentes que quase diria incompatíveis...
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