
Descobri que os quartos do hotel são locais tão inspiradores para escrever teorias como os aeroportos. Como ando entre pontes aéreas e noites de insónia em camas estranhas por questões de trabalho, ocorre-me um tema que é uma banalidade: as diferenças entre trabalhar com homens ou com mulheres.
Neste momento faço parte de um grupo de trabalho europeu constituído por homens.
Gostava que pelo menos um fosse maricas, mesmo que eventualmente encarado pelos outros como uma espécie de macho de segunda.
Como creio que já escrevi “um maricas é o melhor amigo de uma mulher”.
Porquê esta afinidade entre mulheres e gays? Gostamos ambos do mesmo, sendo que eles nos conseguem apreciar numa perspectiva de potencial concorrência - apesar de não jogarmos no mesmo campeonato e de ser certo (de forma mais ou menos rigorosa, apesar desta tendência para a bissexualidade e para o swing baralhar as estatísticas) que quem é vegetariano não come vaca nem vitela – com a vantagem de serem capazes de nos admirar ou criticar enquanto ser humano que pode interessar a um macho, sem a inveja nem a malícia com que o faz uma mulher.
Neste grupo de trabalho, quando falo, mesmo que a minha análise faça tanto sentido como os comentários do Marcelo Rebelo de Sousa ou esteja em rigor ao nível de um relatório científico da NASA, recebo sempre um sorriso condescendente ou paternalista do género “pois, pois”, sendo as minhas opiniões apenas consideradas como merecendo algum tempo de antena quando digo algo que realmente lhes agita o ego naquela zona anti-erógena que equivale à sensação de desprazer “mas porquê que não fui eu que me lembrei disto?”
Eles fingem que me consideram mas na prática vêem-me como uma loira mais do que como a responsável por uma área de negócio na empresa. Tenho como certo que só se eu não tivesse penteado mas apenas cabelo, aumentasse o meu peso em dobro e deixasse crescer pêlos no queixo, seria olhada de forma diferente. Talvez com pena, mas certamente como quem até pode falar sobre as coisas com algum conhecimento, já que o preconceito é de que só uma mulher com uma imagem de virgem de Willendorf (aquela estátua pré-histórica que representa a mulher como uma cabeça, um par de mamas até ao umbigo e um descomunal par de ancas) poderá ser efectivamente competente.
Já quando entrei na faculdade – há vinte anos, vejam só! – se dizia que as mulheres ou eram bonitas ou iam para engenharia, insinuando que, sendo este um curso de reconhecida complexidade e elevado nível de testosterona, só uma mulher com problemas hormonais (por defeito, entenda-se) escolheria tal opção universitária.
Na prática, ao contrário da maior parte das pessoas, apesar de reconhecer as vantagens de trabalhar com homens, adoro trabalhar com mulheres. Não em abstracto, mas em concreto com a minha equipa. Ou o que dela fica...
As vantagens em trabalhar com eles são evidentes: como não perdemos tempo a falar de futebol ou sobre aquelas leggings novos que prometem um rabo “à preta”, somos muito mais focados, completamente orientados para um resultado que queremos alcançar tão rápido quanto um homem espera atingir um orgasmo. A maior desvantagem é perceber que mesmo estando em maioria nas faculdades, quando ascendemos a posições equivalentes às deles, continuamos a ser subestimadas pelo simples facto de sermos "gajas".
Quando trabalhamos com elas, se as pessoas são maduras e têm bom senso, a relação funciona por osmose, como é suposto funcionar um casamento.
Para além daquele mito de que começamos todas a ter o período menstrual ao mesmo tempo, temos sensibilidade q.b. para saber quando o momento é sério, de trabalho em corta-mato, em sprint de cem metros ou a ritmo de maratona. Nestas alturas somos capazes de nos concentrar, com um grau de abstracção equivalente ao de um monge budista, dificilmente fazendo um comentário que saía fora do contexto.
Transpondo a análise para o nível das relações entre casal, os casamentos mais duradouros são aqueles em que a mulher respeita os dias em que o homem está mais sorumbático ou irritado, porque não se desliga de um problema que trouxe do trabalho ou não esquece o resultado da sua equipa no último jogo, deixando-o submergir na “caixa do nada” até que ele esteja com alguma paciência para fazer aquilo que é suposto num relacionamento: interagir com o outro. Nas relações maritais, sendo os seres tão diferentes quanto dois planetas, a gestão destes momentos pode redundar num silêncio permanente, uma espécie de hábito, passando o casamento a ser apenas um estado que se mantém por comodidade ou displicência.
Nas relações de trabalho entre mulheres, dado que possuem todas a mesma peculiar forma de gerir os silêncios e idêntica paciência para conversas monótonas ou cinzentas, é inevitável que ao final de algum tempo, um dos elementos do grupo pergunte a outra “essas botas são novas?”, gerando-se imediatamente um coffee break psicológico equivalente a uma ida virtual às compras que, como todos sabem, é uma terapia excelente para equilibrar humores, logo para recuperar o nível de convergência.
A desvantagem de um grupo de mulheres deriva das competições que começam pelo tamanho das calças e pela área volumétrica ocupada na cadeira; passando pela cadência de idas à casa-de-banho, ao exterior para fumar, à manicure ou ao cabeleireiro; pela profissão do cônjuge e mostruário de sinais de amor que este oferece; com remate no sucesso dos filhos na escola e desfecho em forma de “gota de água” no reconhecimento que cada uma consegue obter dentro da empresa, sendo certo que também elas desconfiam quando uma Amazonas sobe na escala, como se um triunfo profissional só fosse crível com um cruzar de pernas à Sharon Stone ou na sequência de uma troca infiel de fluidos ou de favores com quem decide.
Assim é, por muito que seja politicamente incorrecto escrevê-lo.

A história dos homens com a camisa dentro das calças deu o mote para uma girltalk entre posts no FaceBook, telefonemas e troca de piadas na pausa para o cafézinho.
Chego assim a um elenco de coisas que deixam as mulheres (contemporâneas) em estado de pré-histeria:
1. Pêlos nos ombros
Ughhhh! A depilação masculina não é coisa de travestis, drag queens ou maricas. Se as mulheres sofrem a tirar pêlos nas virilhas e nas axilas (ai que dor!), se até conseguem ter filhos, então não vejo razão alguma para que um homem que chega à idade adulta com corpo de urso – não necessariamente daqueles fofinhos - não se submeta a um restauro com bandas de cera fria. Idem para pêlos que saem das orelhas e dos ouvidos. Há tesourinhas e pinças para tratar desses pintelhos (cito Catroga) mais atrevidos.
2. Camisas de manga curta
Nunca, jamais em tempo algum! Principalmente quando se veste fato.
3. Meia branca
Acho que já não há homens com "pé de gesso", pois não?
4. Carecas não assumidas
Mais vale uma cabeça luzidia, assim tipo bola de bilhar, do que uma madeixa de cabelo que cresce acima da orelha esquerda e se cola com brilhantina à orelha direita ou outros truques muito mal feitos para disfarçar a careca. Perucas e capachinhos são pelagens de animais mortos absolutamente proibidas.
5. Calções abaixo dos joelhos ou calças acima dos tornozelos
Fica ridículo. Um homem com calções compridos ou calças curtas parece sempre mais baixo e gordo do que efectivamente é. A coisa agrava-se se a dita peça de roupa for em ganga ou se vier apetrechada de bolsos, fechos e tachinhas como um carro em versão tunning.
6. Unhas roídas
Não sei se está científicamente comprovado ou se é facto que intuo por amostragem entre amigas, mas uma das coisas em que uma mulher repara logo no primeiro encontro é nas mãos que vêm apensas a determinada figura masculina. Unhas roídas é mau, denotam falta de auto-controle e de nervosismo. Unhas arranjadas com vestígios de verniz (daqueles endurecedores que supostamente são transparentes mas deixam sempre um certo brilho) também não são coisa normal, por mais metrosexual que seja o rapazinho.
7. Gravatas com nós gordos
Enfiadas naquelas camisas com colarinhos super engomados que se vendem numa loja que começa em S e acaba em OOR, que fazem com que os pescoços minguem e percam mobilidade, tornando o homem que o veste uma espécie de Robocop. A imagem fere a vista se a gravata vier com padrões ou em tons garridos...
8. Arrotos e outros sinais sonoros
Mesmo quando a relação avança para a intimidade, se partilha cama, casa-de-banho e lista de compras, há que manter um certo pudor nas manifestações corporais que se deixam escapar para o exterior.
9. Odor corporal
Há aquela teoria das feromonas e de como homens e mulheres são atraídos pelo cheiro, como dois animais se encontram em plena selva numa noite escura, mas o cheiro do corpo au naturel nem sempre é um aroma agradável. Para isso existe uma tão activa indústria de perfumes (e se investe tanto em anúncios fabulosos como o do AXE).
10. Silêncios e hum-huns
Mais uma verdade empírica, que por certo já foi estudada: as mulheres adoram homens que as fazem rir. Não com cócigas, porque isso é coisa de meninos, mas com aquele humor que pode ser americano, para as que gostam de piadas evidentes, ou very british, para as que gostam de raciocínios elaborados, teoremas e enigmas. Passada a fase da conquista onde as piadas têm um certo sex appeal é importante que um homem saiba manter um diálogo sobre qualquer tema, desde política ao vestido ridículo com que apareceu a prima gorda numa festa de família. Assim sendo, nada pior do que um homem que se enfia na já por aqui referida “caixa do nada”, não discute, não opina nem contraria, limitando-se a emitir uns sinais vitais para que tenhamos a certeza de que ainda não está a dormir.
PROMETO QUE ESCREVO IDÊNTICO TEXTO COM OS GRANDES "NÃOS" PARA AS MENINAS...

Há uns anitos, um americano de nome John Gray publicou um livro que ficou na história “Os homens são de Marte, as mulheres são de Vénus”. A metáfora que representa o título sugere que homens e mulheres são tão diferentes que nem sequer se podem considerar seres do mesmo planeta.
Apesar de ter quase vinte anos, a teoria de Gray ainda merece ser lida. Retomo-a para um tema que me foi sugerido por um adolescente que me lê e que criou um canal no Youtube que é uma delícia (ver link abaixo).
Um dos corolários de Gray é a diferença na forma como homens e mulheres valorizam, ou melhor, contabilizam, as formas de demonstração de amor. Os homens atribuem grande importância aos actos de amor que consideram como grandiosos, tipo oferecer flores, não se esquecer da data de aniversário de namoro, comprar o anel de noivado como manda a praxe e pedi-la formalmente em casamento. Elas contabilizam cada milionésima de cada acto que possa ser interpretado como um indicador, ainda que microscópico, de amor, tipo quando ele coloca a sua mão sobre a dela numa esplanada, quando ele a apresenta como namorada e não como uma amiga, quando ele a beija inesperadamente só porque gostou do seu sorriso. Quer isto dizer que enquanto para um homem é suficiente que ele pratique um grande acto de amor uma única vez na vida (sexo é que convém que seja todos os dias para garantir que se mantém viril), para uma mulher é necessário, fundamental, imprescindível que os pequenos actos de amor se repitam sucessivamente, todos os dias (mesmo que o sexo aconteça só quando ela não tem dores de cabeça).
Outra das teses de Gray tem a ver com a forma como os homens reagem aos problemas. Eles, como já por aqui escrevi, adoram refugiar-se na “caixa do nada”, na expectativa de que, entre uma sessão de zaping, duas goladas de cerveja e uma sesta com direito a ronco e baba a escorrer pelo queixo, a solução para o seu problema se revele de forma milagrosa. Elas, como nós sabemos, gostam de discutir os problemas. Mesmo que falar sobre eles, analisá-los, auscultar a opinião das amigas, da manicure, da cabeleireira, da caixa do supermercado, da senhora da farmácia ou da médica de família, não ajude em nada a resolvê-lo. É desta necessidade de silêncio dos homens versus esta incontinência verbal das mulheres que surgem as maiores discussões entre um casal. Elas não se calam, eles não reagem, elas enervam-se com a sua apatia, eles explodem após tanta ladainha, elas encolhem-se e choram, eles gritam e batem com a porta.
Mais recentemente, Gray desenvolveu uma nova teoria com o título “Venus on fire, Mars on ice” (Venus a arder, Marte a congelar, segundo a minha própria tradução) de acordo com a qual, a pressão a que as mulheres estão actualmente sujeitas – ser magras, atraentes, sexy, boas na cama, mães de família, esposas com dotes culinários, profissionais implacáveis, ter sentido de humor, fazer pilates e andar em saltos altos – coloca-as em risco de combustão iminente. Melhor dizendo, uma mulher moderna é hoje uma atmosfera explosiva.
Os nossos homens, tal como os seus pais, chegam a casa e querem sofá. Alguns ainda vão às compras, metem o jantar no micro-ondas e lavam pratos, mas no fundo, o seu maior desejo é o momento em que se afundam na almofada com o o comando na mão. Uma mulher que vem esgotada de um intenso dia de trabalho, tem de pensar no jantar do dia seguinte, na roupa que vai usar, nos adereços e sapatos, nos argumentos para a reunião, no desmaquilhante, no sérum anti-rugas e no anti-celulítico, detona imediatamente assim que o marido põe a aquecer a powerbox.
Por sua vez, os homens modernos, que se vêm obrigados a desempenhar tarefas que não estão na sua natureza – como não esquecer de colocar sementes de sésamo no molho para temperar a salada, mudar fraldas ou percorrer o corredor do supermercado à procura de pensos higiénicos para fluxo normal com alas – tornaram-se mais frios. Já não chegam a casa com aquele ímpeto sexual que os fazia passar a noite a apalpar o rabo da mulher até conseguirem por a dormir as crianças. Também eles amuam e fazem greve de sexo. E isso não faz de um homem macho um maricas!
Para Gray, à semelhança de muitos cientistas americanos, a resolução de todos os problemas da vida resolve-se com terapia hormonal. Diz ele que assim que a hormona do amor é produzida – a oxitacina – a do stress é reduzida – cortisol – logo um abraço, um beijo, um pequeno gesto de carinho podem fazer maravilhas para combater os incêndios em Vénus e reanimar os corpos enregelados dos habitantes de Marte. A boa notícia para ambos, é que se os níveis de oxictocina delas se elevam, os de testosterona deles respondem.
Os homens e as mulheres são diferentes. Sim é verdade! Ainda bem, acrescento eu.
Depois das quatro coisas que nós não sabíamos sobre os homens, ou pelo menos sobre as quais andavamos distraídas, aqui ficam as coisas que eles não sabem sobre nós.
Não são quatro, porque isso é coisa de gente básica e as mulheres, como se sabe, são produto de ligações, chips, motherboards e outras coisas que tais, umas vezes a tender para o simples com toque minimalista outras a tender para o sofisticado com brilhos Swavrovsky.
Assim sendo, há 10 coisas - DEZ COISAS!!!!, notem bem, - QUE OS HOMENS NÃO SABEM SOBRE AS MULHERES... NO MÍNIMO!
(Este texto tem por inspiração um artigo de Stacey Grenrock Woods publicado no Esquire. Só publico isto para não ser acusada de plágio, porque ler o Esquire soa a chique e porque não quero que pensem que sou uma feminista com tendências sexuais duvidosas a tender para o reaccionário)
Facto 1: As mulheres não gostam de coisas explosivas
Não falo como é evidente de homens-bomba, daqueles que se fazem explodir na ânsia de encontrarem no além um harém carregadinho de virgens, porque um homem que quer mulheres sem experiência é homem que não interessa a ninguém. Também não falo de bombas em sentido literal, tipo granadas ou maus cheiros de Carnaval. Refiro-me aqueles grandes cataclismos, tipo tempestade de areia ou vendaval, que acontecem sempre que entra um homem explosivo na nossa vida, daqueles que implodem com o nosso coração mas deixam tudo cheio de destroços à volta. Por muito que uma mulher goste de acção, dispensam-se todos os cenários de guerrilha.
Facto 2: As mulheres têm menos piada do que os homens
Há mais stand up comedians masculinos do que femininos mas isto por si não quer dizer nada. As mulheres têm menos jeito para contar anedotas da mesma forma que têm menos apetência para dar uns toques na bola. Eles têm mais piada, por isso é que nós às vezes até andamos com tipos que têm uma beleza próxima do inexplicável mas que nos fazem rir às gargalhadas. Eles andam com as mulheres que se riem das piadas deles. Por norma.
Facto 3: As mulheres envelhecem pior do que os homens
É mesmo uma injustiça, mas é verdade! Mesmo que eles fiquem carecas (desde que a cabeça não brilhe como bola de discoteca reluzente) e com barriga (desde que não ultrapassem a aparência das dez semanas de gestação) há-de sempre haver uma mulher que lhes ache piada. Nós, pelo contrário, com tanta concorrência com metade da nossa idade desesperada por ter homem, à medida que engordamos e ganhamos volume nas ancas ficamos umas senhoras que ninguém aprecia, nem sequer os trolhas das obras! Maldita menopausa...
Facto 4: As mulheres só sabem até 10% do que se passa na cabeça de um homem
A acreditar que a tese da "caixa do nada" é verdadeira, então em grande parte do tempo o cérebro de um homem é um imenso caixote vazio e escuro, uma espécie de televisor desligado, uma mira técnica com um pio fino (lembram-se disto nos anos setenta/oitenta?). As mulheres não fazem a mais pálida ideia do que se passa na cabeça de um homem porque acham que ele pensa sempre em mais coisas do que ele efectivamente tem pachorra para deixar entrar na sua série de caixas harmoniosamente arrumadas: a do futebol, a dos carros, a das gajas, a do trabalho, a da cerveja com tremoços e a dos "outros", onde se amontoam todos os assuntos que as mulheres fazem questão de ir abordando, como relações, família, filhos e idas ao supermercado.
Facto 5: As mulheres gostam de ser convidadas para jantar fora
Nem que seja, na pior das hipóteses ou no melhor dos dias, por uma amiga que também não tem outra companhia para além da SIC Notícias ou da SIC Mulher.
Facto 6: As mulheres tendem a acumular antiguidades
Por mais modernas e arrumadas que sejam as suas casas há sempre os peluches da adolescência, as pulseiras da amizade, os recuerdos da viagem inesquecível de que já se esqueceram os detalhes, as roupas que já não servem mas ficam como lembrança de tempos áureos, as sandálias que magoam e por isso ficaram encostadas, as botas que estão rotas de velhas mas que se não deitam ao lixo porque foram extraordinaramente caras...
Facto 7: As mulheres adoram cheirar essências
Seja numa loja de velas, de sabões com formato de bolo, numa perfumaria ou na secção de pout-pourri do IKEA, as mulheres adoram aproximar tudo o que tem ar de ter cheiro do nariz, snifando, snifando, snifando... como se fossem experts em odores ou como se quisessem ficar com o aroma agarrado às narinas. Isto pode ser um perigo para homens com odores corporais estranhos..
Facto 8: As mulheres estacionam mal os carros
Aqui custa-me admitir isto porque tenho a mania de que sou um ás ao volante, mas realmente acho que grande parte das mulheres são umas azelhas no trânsito, principalmente em manobras tão simples como uma inversão de marcha ou tão exigentes como estacionar o carro entre outros dois carros. Diz a autora do texto original que a culpa é das roupas que as mulheres vestem, a tender para o complicado, dos sapatos que calçam, com saltos ou plataformas desproporcionadas, ou da sua estrutura frágil e delicada, não compatível nem adaptável a essa coisa do volante e da caixa de velocidades.
Facto 9: As mulheres adoram casamentos, até as lésbicas
É verdade. Por muito que estejamos fartas de despedidas de solteira, que já não tenhamos pachorra para as figuras tristes da lágrima ao canto do olho, dos vestidos de cerimónia, dos amigos feios do noivo e das pirosas músicas de baile, a verdade é que alinhamos todas nestas tretas com sorrisos divertidos e adoramos estas festas para nos rirmos como galinhas e apanharmos umas bebedeiras monumentais.
Facto 10: As "noites de mulheres" são uma ideia de mulheres em que qualquer uma preferiria sair com o namorado
É evidente que há excepções, e mal estaria se dissesse o contrário, já que sou pessoa que cultivo esta coisa à "Sexo e a Cidade" mas com muito mais piada e menos ataques ao ego: a Carrie é muito mais magra e gira do que eu (apesar de estar a ficar acabada), a Samantha tem mais rodagem e know-how do que alguma vez terei, a ruiva ganha muito mais dinheiro do que posso imaginar e tem uma carreira com mais sucesso do que aquele a que posso aspirar, a outra sonsa perdeu uns quilos a correr (a estúpida!) e, apesar de ter um modelo de vida de dondoca que não me agrada, é inquestionável que tem uma casa em Manhattan que eu não me importava de ocupar... Grrrrrr....
Só mais um detalhe que os homens ignoram em toda a sua dinâmica e extensão: somos umas invejosas... Mas queridas e simpáticas!
O sexo pode ser vivido como uma rotina, como a satisfação de uma necessidade básica humana e primitiva, ou como um momento de intimidade e grande prazer.
Fazer sexo é coisa para profissionais. Fazer amor é outra coisa completamente diferente.
É claro que o dia-a-dia, o cansaço que se abate sobre nós quando chegamos a casa, os problemas que não conseguimos deixar ficar à porta, os maus humores, a preguiça, a indiferença... facilmente conduzem à transformação do acto sexual numa coisa que quase não existe, que acontece para “picar o ponto” ou que se faz sem magia nem grande vontade, numa displicência a que nos entregamos porque o sexo faz parte da vida a dois, como fazem as contas da casa, a família do outro, os jantares com amigos ou as idas ao supermercado.
Alexander Lowen escreveu um livro chamado “Amor e orgasmo” onde inteligentemente descreveu os tempos que correm como uma época de sofisticação social mas não necessariamente de maturidade sexual. Segundo este autor, a sexualidade não pode ser dissociada da personalidade de uma pessoa, logo cada um há-de ter a sua postura e a sua forma de estar na cama com o seu parceiro e não há receitas, técnicas nem teorias que possam mudar o ser sexual que cada pessoa é. Contudo, do outro lado do Atlântico, as brasileiras, que estão sempre muito à frente (ou que, pelo menos, já fizeram disso um mito) estão a aderir em força a aulas de educação sensual para, segundo o site portalaz.com.br, se sentirem melhor consigo mesmas, se sentirem desejadas, notadas, admiradas, tocadas e outras coisas que tais. Estas aulas ensinam uma prática de origem tailandesa denominada por Pompoarismo.
A arte de pompoar, que parece um daqueles termos de bordados e lavores que se discutiam entre avós, visa “tornar a mulher mais mulher”, o que, segundo o tal site equivale a atingir o poder máximo da sexualidade. Em benefício da própria, mas também do seu parceiro que, como li no artigo, é muitas vezes quem incentiva a mulher a aprender a pompoar.
O pomparismo, que em calão brasileiro se chama “bezerra” - que eu associo mais facilmente ao jogo do bicho do que a qualquer coisa relacionada com sexo ou prazer - é uma prática que “malha a musculatura pubiana”. Uma especialista e consultora em artes sensuais brasileira, que se auto-intitula Personal Sex Trainner, Sex Coach (consultora individual) e Striptóloga (arte de stripper), de nome Tarciana Chuvas – com este nome e este currículo inspira mesmo confiança! - esclarece que a mulher não nasce com os dons da sensualidade, da flexibilidade e da destreza pubiana. É preciso praticar, ir aos treinos, fazer malhação como se diz do lado de lá do Atlântico, para trabalhar o músculo vaginal, com a mesma naturalidade com que se moldam glúteos, bíceps e abdominais.
O curso é longo e está subdividido por etapas, que a mulher vai avançando à medida que domina a arte de pompoar (até gostava de saber como são feitos os exames…). No total, uma mulher demora entre seis meses a um ano até dominar a técnica, mas a promessa é um maior desfrute da relação sexual para os dois intervenientes (ela e ele, está claro, não necessariamente por esta ordem nem em simultâneo...).
Eu, que nestas coisas sobre sexo, confio cegamente na avó Sue Johanson, lá fui ao site talksexwithsue só para confirmar que esta técnica da “bezerra” não é mais do que os “exercícios de Kegel” que uma vez me fizeram rir até às lágrimas num programa de televisão desta senhora castiça.
Segundo a minha avó preferida (infelizmente já não tenho nenhuma avó a sério viva), os “exercícios de Kegel” são algo que se pode fazer quando estamos paradas no trânsito, aborrecidas de morte numa infindável reunião de equipa, enquanto vemos o "Querido mudei a casa" ou desfiamos um pato para preparar um arrozinho à antiga.
Explica a sexóloga que os músculos pubococígeos (meu Deus, será que é assim que se traduz pubococcygeal muscles?) que servem de suporte aos nossos orgãos pélvicos, bexiga, uretra e intestino, vão perdendo tonicidade, seja como consequência do processo natural de envelhecimento, seja na sequência de uma gravidez, de uma infecção, de uma cirurgia ou de qualquer outro fenómeno não necessariamente anormal. Uma das consequências desta perca de tónus é a mulher começar a soltar pequenas gotas de urina sempre que tosse ou dá uma gargalhada. Assim sendo, um dos testes básicos que uma mulher deve fazer como check-up dos tais músculos na parte que controla o sistema urinário, é verificar se consegue interromper a caída de urina. Se o consegue fazer está tudo O.K., nesse departamento. Se não consegue já está a ficar K.O. e é melhor pensar numa rolha.
Relativamente às outras partes que compõem o sistema, um dos exercícios mais básicos de Kegel é, na posição sentada, contrair todos os músculos da zona pélvica, desde o ânus, passando pela vagina, até à uretra, numa cadência que começa de trás para a frente e volta da frente para trás. Este exercício também pode ser feito em pé, por exemplo na fila para entregar o IRS nas Finanças, contraindo estes músculos numa espécie de movimento que quem frequenta o ginásio conhece como lift up. Quem não frequenta o ginásio aconselho vivamente a que o faça urgentemente, porque a perda de massa muscular é mesmo uma das coisas inestéticas que vem com a idade, e não adianta nada ter uma vagina musculada se tudo o que se encontra à volta estiver a abanar.
Outro exercício interessante é o “flutter” que consiste em contracções e distensões rápidas do tal grupo muscular. Com efeito altamente descompressor em momentos de ansiedade, acrescento eu. Outro, mais intenso, mas que qualquer homem adora se quisermos fazê-lo num momento de intimidade, é contrair os músculos durante cinco segundos, voltar a contrair ainda mais outros cinco segundos, e contrair novamente mais cinco segundos se ela e ele aguentarem. A piada está em desfazer a cadência em séries de três, com duração de cinco segundos cada – até podem contar em uníssono e a arfar -, mas isso requer uma grande concentração de ambos para que o exercício não descambe num movimento sincopado que todos sabem onde vai dar.
Estes exercícios também são aplicáveis aos homens, mas a minha falta de experiência e conhecimento não me permite especular sobre a tradução destas práticas ao aparelho genital masculino. De qualquer forma, o que Sue Johanson garante é que, um homem que pratique os exercícios de Kegel uns minutos por dia, nas infindáveis horas que passa sentado no sofá, de cabeça imersa na sua "caixa do nada", vai estimular a irrigação sanguínea do pénis o que se traduzirá numa maior qualidade das erecções. Uau!
Como diz a avozinha, e esta não tem melhor tradução:
“if you don´t use it you loose it”
Teorias dos outros
cantinhodacasa.blogs.sapo.pt