Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Domingo, 23 de Outubro de 2011
Obrigada Passos Coelho!
Eu sei que é injusto agradecer apenas ao Passos Coelho. Na verdade, deveria começar os agradecimentos pelo Guterres, pelo outro Primeiro-Ministro que ficou conhecido pelo cognome de “O cherne” ou até retroceder aos tempos em que Cavaco Silva foi o campeão das legislativas era eu uma adolescente que andava pelos comícios empenhando bandeiras apesar de ainda não votar.
No fundo todos os homens da nossa vida são importantes... Mesmo assim, porque o homem de agora é o Pedro, é a ele que gostava de dar um abraço.
Porquê tanto entusiasmo? Porque hoje, convencida que estou que o Outono está mesmo mesmo a chegar, dediquei parte da manhã a arrumar os meus trapinhos de Verão. Descobri com satisfação que aqueles vestidinhos mini, que guardo como relíquia do tempo em que pesava cinquenta e cinco quilos e conseguia enfiar-me num tamanho trinta e quatro, estão quase a servir-me novamente depois de dois Verões em que me limitei a retirá-los da naftalina e a pendurá-los no roupeiro, com a secreta esperança de que um dia ainda fosse possivel levá-los a passear.
Depois de algumas teorias em que reclamava precisar de uma burka, me insurgia exasperada contra a balança, reclamava deste corpinho saudável demasiado habituado ao ginásio e às mínguas de açucares e de hidratos de carbono, eis que consigo escrever com orgulho que as calças do Inverno que só em Março terminou me estão agora largas!
Devo isto ao Passos Coelho, aos macambuzios representantes da troika e às políticas de austeridade que lentamente me entraram pela casa adentro condicionando as minhas decisões com o medo de que qualquer euro gasto sem discernimento hoje me possa fazer falta a curto prazo.
Gosto de comer. Adoro ir a bons restaurantes sejam os tradicionais com cozido à portuguesa e suculentas doses de cabrito assado, sejam os minimalistas da nouvelle cuisine com amostras de comida que nos dá vontade de repetir não fosse o preço escandaloso dos pratos.
Mesmo assim, quando percebi que com tantas medidas suicídas teria de fazer uma gestão quase científfica do ordenado, tive de fazer opções retirando dos meus gastos comuns as coisas que considero dispensáveis.
Sou mulher, gosto de mim e tenho uma necessidade hedonista de certas futilidades que tenho a noção serem luxos supérfulos mas que funcionam como bâlsamos para a minha auto-estima e reforços vitamínicos para esta alma de diva que trago colada à minha identidade.
Não me imagino por isso a deixar de fazer nuances loiras (uma vez tentei a descoloração e sob a luz pálida do elevador parecia-me que o cabelo que na versão original é castanho se tinha tornado azulado), a retirar o gel das unhas, até porque sou alérgica a verniz e detestava ter de andar o resto dos meus dias com unhas au naturel como uma mulher pré-histórica, prescindir de uma massagem no SPA nem que seja apenas uma vez por mês, porque mereço aquele tratamento VIP que me exorciza o stress do corpo e me desliga da vida real por uma hora.
Em que consigo pois poupar? Em comida. E em electricidade...
Habituei-me a ter o frigorífico meio vazio, ou apenas meio cheio dependendo do optimismo do ângulo, seguindo uma dieta de fruta, iogurtes e cereais que me dispensa o tempo que me falta para cozinhar uma refeição que requeira mais de cinco minutos de preparação, sem ter de ligar o fogão ou o forno, apenas esporádicamente o micro-ondas, nem necessidade de utilizar a máquina de lavar loiça, com uma redução substancial da lista de compras a produtos que posso comprar no LIDL com uma nota de dez euros e ainda receber uns trocados.
Agradeço por isso ao Primeiro-Ministro e aos seus lacaios porque com esta alimentação que não me faz sentir pobrezinha tenho assistido com espanto a uma transformação do corpo que me está a deixar encantada. É claro que com a idade que tenho, considerando como é injusta e cruel a lei da gravidade, o efeito não é o de lifting ou de uma plástica.
A surpresa que tive hoje com a roupa do Inverno passado deixa-me com uma esperança motivadora de que a continuar assim vou ter um corpinho mais do agrado do meu espelho quando o próximo Verão chegar.

A fé é uma coisa maravilhosa... Amen.

 



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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
O Verão na balança...

 

Ontem, depois da surpresa de me saber outra vez nos destaques do sapo, quando agora pouco escrevo, sentei-me ao computador tentando teclar algo de inteligente. Dei por mim numa transe estupidificada a assistir ao “Peso pesado” (que andei toda a temporada a chamar de “peso certo”) com um desfile de malta que andou a mostrar as banhas e a celulite de forma desavergonhada e que, nalguns casos, chegou ao final com um visual bastante diferente.

Perante o cenário televisivo, com uma Júlia Pinheiro ao rubro, a inspiração não veio.

Seja como for, esta é mesmo a silly season, aquela em que supostamente os políticos vão a banhos (este ano parece que não se vão ver muitos pela praia dos tomates), as famílias metem as geleiras nas malas e rumam de carro para as filas de trânsito, os que podem seguem para Sul, os outros escapam-se.

Por todo o lado, para não se falar da crise e de todos os castigos que nos esperam, abordam-se questões futéis que não denunciam que são estúpidas as pessoas que os falam, mas antes que preferem divagar entre nuvens e passarinhos do que enterrar os pés na lama.

As conversas do dia lá pelo escritório andam à volta do tema "como perder dois quilos em vinte e quatro horas" e tenho ouvido tanto disparate que não me espantaria nada se entre a máquina do café e o micro-ondas alguém dissesse que não há melhor para a celulite do que rebolar sobre as pedras da calçada.

Até eu ontem, entre gente de família que tem empregos com fringe benefits, com Dr antes do nome, conversas eruditas e discursos envolventes,  comentava de forma espontânea, entre uma colher de mousse e outra, que este Verão vai ser mesmo para a desgraça.

Aí pelo mês de Maio voltei às corridinhas matinais – isto de acordar às seis da manhã para ir correr só pode ser um acto de loucura ou de fé -, às saladinhas ao almoço e ao jantar, concedendo-me um ou outro deslize ao fim-de-semana, tudo muito bem controlado, com a barriga encolhida e as pernas tonificadas.

Entretanto descobri que sou viciada na mousse da Bimby.

Percebo agora porquê que há pessoas que se tornam dependentes da nicotina e não conseguem deixar de fumar.

Eu, que sempre gostei de chocolate negro, percebi que aquela panela mágica que qualquer Mãe de família tem em casa, é capaz de - para além de produzir sopas em dois minutos, bacalhau com natas em três e maravilhosas caipirinhas em série - mistura este ingrediente que dizem ser afrodisíaco e anti-depressivo, numa sobremesa que me transporta para o universo daqueles que consomem cogumelos mágicos.

Andei por isso todos os fins-de-semana desde essa altura, em almoçaradas familiares que às vezes até eram de saladas, para darmos aquele ar de pessoas saudáveis, a servir-me sempre em dose dupla daquela sobremesa orgásmica.

Depois de ver nalguns zapings pelo concurso dos gordos a quantidade de coisas carregadinhas de calorias que giram à nossa volta, passei do pânico de ingerir uma torrada com manteiga, para o estado relaxado do “que se dane”. Afinal, quando em Setembro vierem os cortes e as sobre-taxas vamos todos andar a passar fome.

Nesta altura, a apenas uma semana de férias, já não há milagres no repertório de Fátima que me salvem...

Não há promessas nem mezinhas que derretam a gordura acumulada à volta do umbigo nem que revertam este plano demoníaco que nos impôs a troika.

Sem querer desanimar, quando o bronze começar a desbotar vamos notar todos menos uns euros na carteira.

Como temos de ser positivos para fazer funcionar aquela história da "lei da atracção", vamos acreditar que mesmo que ganhemos uns quilos enquanto há Sol no mapa, vai ser certo que a conjuntura nos vai permitir ser uns "reis na balança"!

 



publicado por teoriasdacosta às 22:17
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011
Mulheres balzaquianas

 

Na semana passada, quando despi o casaco para me sentar à mesa, o meu namorado que eu amo, e que me conheceu há dois anos com uns joviais cinquenta e seis quilos, fez o seguinte comentário:

“As mulheres depois dos trinta têm uma tendência evidente para se tornarem balzaquianas.”

A vantagem de se ter um namorado muito para lá do básico, é que se ouvem críticas em forma de dissertação filosófica - nem sempre
decifráveis sem ter de googlar o assunto - e não bocas foleiras do género “esse decote fica-te ridículo”.

A desvantagem de namorar uma mulher do norte é que as respostas saem escorreitas, sem grandes cerimónias nem palavras difíceis: “a
culpa não é do decote” retorqui “é das mamas que estão maiores porque eu
engordei uns quilos!”

A expressão mulher balzaquiana surgiu de uma obra que escreveu Honoré de Balzac no sec.XIX intitulada “A mulher de 30 anos”.

À época, uma mulher com esta idade, carregava imensas obrigações sociais inerentes ao seu estatuto de casada e de mãe
de família, raras vezes feliz ou realizada na sua recatada clausura.

Balzac descreve a mulher de trinta anos com uma acidez pejorativa. Com o passar do tempo, apesar de todas as mudanças sociais
decorrentes da emancipação, a expressão mulher balzaquiana mantém uma conotação negativa.

Na sociedade actual, uma mulher de trinta anos provavelmente não é ainda casada, ou então já se divorciou e celebrou o evento
numa festa só com amigas, clama vitoriosa a sua independência, colecciona casos e flirts sem sentimentos de culpa e padece de uma tendência que quase parece natural para se continuar a vestir e a comportar como se estivesse no auge dos vinte e cinco.

Olhando em redor, para o meu grupo de amigas, muitas delas com filhos adolescentes, tão próximas dos cinquenta como estou eu
dos quarenta, noto que realmente, à medida que o tempo passa, passamos a vestir mais jeans do que calças masculinas, mais tops do que camisas, mais biquinis do que fatos-de-banho, mais acessórios da Parfois do que da Casa Batalha.

Reconheço que o fazemos porque não queremos parecer umas senhoras. Lembro-me perfeitamente de ser adolescente e de achar as
pessoas com quarenta já muito crescidas. Fico em estado de choque quando reencontro uma colega da faculdade e a vejo com colar de pérolas, saia pelo joelho e sabrinas.

A verdade é que ultrapassar os trinta marca mais o corpo do que o espírito.

Até há bem pouco tempo só engordava nas ancas e no rabo e com uma semana a sopa, maçãs e água a coisa resolvia-se. Agora a gordura já se eleva para o umbigo, numa almofadinha que para já é só um pneu de bicicleta mas que, se eu não voltar a correr dez quilómetros três vezes por semana, se pode converter numa roda de jipe. Em relação ao volume no peito não me importo nada. Tenho na minha “wishlist” um implante de silicone como presente pelo quadragésimo aniversário, mas dado o efeito “wonderbra” que agora consigo ostentar só porque me ficam apertados os vestidos, talvez deva pegar no valor das “bolas de plástico” e utilizá-lo numa lipo.

Por outro lado, se com muito esforço e fundamentalismo alimentar, consigo perder os quilos que surgem sem que eu perceba como, fico magra na cara mais do que em qualquer outro sítio, o que revela um inestético vinco do nariz até à linha do queixo, sempre que esboço um sorriso.

Com o avançar do tempo imagino que me vão surgir gorduras indesejáveis e inexplicávies, como aquela almofada sobre o omoplata
que salta do soutien na maior parte das senhoras com as quais balzaquiana alguma quer ser parecida.

Pensando bem, a expressão “mulher balzaquiana” não constituí uma crítica mas sim um tremendo desafio...

 



publicado por teoriasdacosta às 20:44
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
10 coisas insuportáveis nas mulheres

 

Sou mulher mas admito que há coisas insuportáveis na espécie.

Para não ser subjectiva nem “boazinha” andei a googlar o tema e até encontrei um blogue que elenca 40 coisas detestáveis nas mulheres!!!!

Feita a triagem, aqui vai a lista:

Falarem

Estava na dúvida entre escrever falar muito, falar ao telemóvel, falar alto, falar sobre tudo com toda a gente, falar sobre sentimentos, falar sobre a relação, falar sobre a cor de verniz que melhor fica com as sandálias prateadas, falar sobre o novo corte de cabelo da amiga, falar sobre a menopausa da mãe, falar sobre qualquer coisa que começa em férias e acaba em comprar um sofá novo para sala... Mas o que concluo é que basicamente os homens detestam que as mulheres falem. Há um limite de tolerância para os tais minutos da conversa higiénica - “então como correu o dia?”, “amanhã levas os miúdos à escola?”, “vai dar a Taça UEFA na SIC importas-te de ir ver a novela para o quarto?” -, mas a partir daí tudo o resto é blá, blá, blá...

Dizerem que demoram 5 minutos a arranjar-se e afinal demorarem 50

Raras são as mulheres que conseguem estar prontas antes dos respectivos maridos (ou sucedâneos). Eles fazem a barba, mas elas têm sempre que fazer qualquer coisa ao cabelo e mesmo quando não se pintam ou só colocam rimmel, andam a saracotear de um lado para outro enquanto os respectivos esperam impacientes. Num dia de trabalho ele saí primeiro. Numa noite de jantar fora, ele senta-se no sofá, faz zaping, assiste às notícias, coça a cabeça, morde os lábios, enquanto ela espalha creme pelo corpo, se veste, mancha o vestido, troca de indumentária, experimenta sapatos, revista o armário para se certificar que escolheu a roupa certa e volta atrás quando já estão à porta do elevador porque se esqueceu dos brincos e do gloss.

Implicarem com tudo

... com os amigos dele, com a família dele, com a roupa dele, com o pigarrear, com o ressonar, com a tampa da sanita para cima, com os pêlos na banheira, por ele comer demais, por ele suspirar pela comida da Mãe, por ele achar que conhece atalhos e ignorar as indicações do GPS, por ele se esquecer de datas que são simbólicas (tipo o dia do primeiro beijo), por ele ter tido outras namoradas e aventuras antes de a conhecer, por ele ocupar ¾ do sofá... por isto e por aquilo... por tudo e por nada...

Serem obcecadas com dietas

Não suportando se ele não repara que após três dias sem comer pão ela conseguiu perder quinhentos gramas nem se ele não oferece o seu ombro solidário quando ela entra em desespero porque não se consegue enfiar nuns jeans slim (se é que eles sabem o que isso é...)

Terem dores de cabeça

Precisamente no momento em que mais lhes apetece fazer sexo.

Gostarem mais de mimo do que de sexo

Principalmente depois do sexo, quando ela quer aninhar-se nos braços do parceiro e falar sobre parvoíces românticas em vez de o deixar entregar-se ao sono pós-orgásmico.

Mudarem de personalidade na fase da tensão pré-menstrual

Com incompreensíveis alterações de humor, lamentos constantes, sacos de água quente e reclamações porque ele não percebe o que ela sente, seja nos três dias antes do período, seja em todas as vezes em que não lhe deu a mão em público.

Cuscuvelharem-lhe o telemóvel, o perfil do Facebook, gavetas e bolsos dos casacos

Explodindo de uma forma que não passa despercebida aos vizinhos se apanham uma sms de um amigo a combinar um jantar de homens, se se apercebem que uma amiga de proveniência desconhecida coloca um “gosto” numa palermice que ele publicou, se confirmam que ele ainda não deitou fora a t-shirt velha que a ex-namorada lhe ofereceu no Verão de 2003, se encontram uma factura de uma refeição num restaurante que não é o seu local habitual para almoçar.

Não gostarem das prendas que eles escolhem

... porque ela andava há meio ano a insinuar que queria um i-phone, porque ele comprou uma saia que parece feita com os tecidos do IKEA para cortinas de cozinha, porque o tamanho é errado (se for grande demais a discussão pode ser grave!), porque aquela é a cor que mais detestam, porque queriam um anel de noivado e não um perfume de que até não gostam enfiado num desinspirado coffret...

Usarem maquiagem em excesso

Com rosto beje e pescoço branco, deixando manchas castanhas em tudo o que tocam se passam os dedos por uma face empastada em base.

 

Feitas as contas estão cá as 10. Admito que me encaixo em quase todas...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 22:07
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Notícias deliciosas para o Natal...

 

Boas notícias! Mesmo aquelas que eu precisava para iniciar esta tournée de jantares convívio até à derradeira ceia de Natal.

Então é assim: cientistas americanos (só podia!), da Harvard School of Public Health (coisa séria!), descobriram que as mulheres que bebericam uma a duas doses de alcóol por dia aumentavam menos de peso do que as fãs do Coca-Cola Light, dos sumos sem açucar adicionado e do litro e meio de água. Nós por cá já tínhamos ouvido que um copito de vinho tinto tem um efeito benéfico sobre a digestão, mas o estudo publicado tem a benção de nos fazer acreditar que as mulheres que passam a vida em dietas restritivas, que invariavelmente têm um “efeito io-io”, acabam por no final, se se elaborar um mapa estatístico da sua evolução de peso, terem mais problemas com a balança do que aquelas que até comem a sua sopinha nos dias de expediente mas que petiscam umas ameijoas e choco frito, molham o pão no molho do bife e não resistem a uma calórica sobremesa no fim-de-semana. Aleluia!

Mas a coisa não se fica por aqui. Fazer abdominais como se não houvesse amanhã não faz ninguém ficar com ventre plano (nem os chás diuréticos, comprimidos laxantes ou águas do luso com sabores adocicados). Para reduzir o tamanho da cintura tem de se fazer muito exercício sem estar deitado, já que só queimando calorias se perde a gordura que se acumula no abdomen, e já agora no rabo e nas ancas. A boa notícia é que entre 50 minutos de treino moderado ou 30 minutos de treino intensivo, a última hipótese é a opção que reduz o índice de massa gorda com maior eficácia, o que signifca que ninguém se pode refugiar na desculpa da falta de tempo para dizer que não tem agenda para ir ao ginásio. A cereja no topo do bolo é que treino intensivo não significa acabar a sessão de gatas. Basta aumentar ligeiramente a velocidade do tapete ou trocar os pesos cotonete por um par de halteres com um pouco mais de carga.

Como é Natal e as notícias são prodigiosas, dormir ajuda a perder peso, daí a expressão “sono de beleza”. Pelos vistos, as pessoas que dormem uma média de cinco horas por noite ganham mais peso do que as que respeitam as sete – oito recomendadas para um adulto. Isto quer dizer que depois de trinta minutos de corrida, nada melhor do que jantar qualquer coisa acompanhada por um tinto alentejano e depois cair num sono retemperador, indo cedo para a cama se os horários de trabalho impoem despertar, ficando no aconchego até à hora de almoço caso o jantar seja o pretexto para uma grande noitada!

O International Journal of Obesity publicou um trabalho que concluiu que os lácteos contribuem para a perda de peso! Imagino que o Manchego, o Chévre, o queijo da serra, o iogurte grego e as sobremesas com chocolate não tenham sido a base do estudo americano, de qualquer forma, para quem adora leite e todos os seus derivados, é maravilhoso saber que o cálcio interrompe o ciclo de formação da gordura. Isto quer dizer que este Natal não há que temer provar o arroz doce, o leite creme queimado, a aletria e tudo o que se coloca na mesa que tenha na base umas chávenas de leite (magro, de preferência, que é para não abusar!)

Por último, a notícia mais extasiante, não é preciso cortar nos hidratos de carbono para ver os ponteiros da balança andar ao contrário. Na prática, os hidratos de carbono, de preferência os integrais que são mais saudáveis, ao aumentarem a sensação de saciedade evitam aqueles “desejos absurdos” por coisas que nos engordam mais, como sejam os “apetece-me tomar algo que seja um Moncherri” ou, no meu caso, um fondant de chocolate. Ainda não ouvi falar de rabanadas feitas com pão de mistura ou de cereais, mas dando o desconto de que nas festas podemos aumentar até dois quilos porque com o frio e as camisolas que nos caiem no sapatinho até este limite o aumento de peso mal se nota, estas novidades da medicina são um incentivo para voltar a caber nas calças slim logo na segunda quinzena de Janeiro.



publicado por teoriasdacosta às 23:01
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Sexta-feira, 4 de Junho de 2010
Socorro, tragam-me uma burka!!!!

 

Hoje pesei-me. Socoooooooooooooorro!

Estou com mais 5 quilos do que tinha no início do Verão passado, altura em que até mandei apertar calças que me dançavam pelas ancas abaixo e que hoje não me servem ou que, servindo-me com esforço, acabam por me colocar em situações humilhantes quando de repente, como aconteceu no início da semana, em simultâneo com um espirro exuberante rebentam por todas as costuras e pespontos.

Eu até podia argumentar que não percebo como é que isto aconteceu, que a culpa é dos nervos, do calor, da retenção de líquidos, da humidade, do diabo a quatro. Mas a verdade é simples e dura: ando a comer como uma desgraçada! Como se não houvesse amanhã! E a verdade é que se hoje fosse o último dia eu era daquelas que ficava sentada a uma mesa a enfardar tudo a que tenho direito porque adoro comida, adoro comer e, pasmem-se, até convivo bem com aquela sensação de enfartamento, preferindo as dores de barriga que vêm depois dos excessos gourmet às dores de estômago que me torturam de forma sistemática devido ao meu periclitante estado de ansiedade.

Para além do excesso na ingestão de hidratos de carbono – pão – e gorduras – com manteiga – que não me fazem falta (era capaz de viver meses a fio a meias de leite e torradas), estou menos regular nas idas ao ginásio e até deixei as corridas apesar da promessa de fazer a meia maratona este ano. Pior do que treinar pouco é a falta de vontade que tenho de me mexer, tal é o cansaço que trago acumulado no corpo. Sinto as pernas pesadas, doem-me as articulações, não sei se da falta de exercício, se do excesso de peso, se da idade. Apetece-me usar o tempo livre para dormir, para colocar o cérebro off-line, para deixar o esqueleto numa posição horizontal, depois de semanas que têm sido de uma pressão imensa para aprender rapidamente uma nova profissão, passando horas na estrada a percorrer o norte do país, do Douro ao litoral, passando por Trás-os-Montes, pelas Beiras e por zonas que tenho dificuldade em identificar no mapa.

O resultado de tanta turbulência está a ver-se a olho nu e foi hoje comprovado cientificamente na balança.   Se a vida fosse justa estes quilinhos a mais iriam directamente em lotes de dois quilos e meio para cada mama. Se calhar era exagero... A Dolly Parton pode fazer sucesso com camionistas mas não é propriamente um sex symbol.

Como a vida tem uma forma irónica de distribuir riqueza, alimentos, doenças, catástrofes naturais e maus especímenes, cá fico eu com esta gordura no rabo, com esta banha que esconde o umbigo quando me sento a escrever no portátil, com este aumento de volume generalizado, que no rosto até me dá um ar mais saudável, mas que no corpo pode perigosamente fazer-me parecer uma matrioska.

Que inveja que eu tenho daquelas minhas amigas que são umas estúpidas que comem que se fartam sem ganhar um grama, e que até andam preocupadas a fazer consultas por que se sentem infelizes por não conseguirem engordar... Lá diz o ditado “corpinho de liceu, carinha de museu”...

Isto de ser mulher é tudo menos fácil.

Não basta ter de ser uma profissional exemplar, muito mais à frente do que os colegas do sexo oposto, que têm aquela forma paternalista de nos tratar como se fossemos uma loira de um neurónio só, que ora ouve o que lhe dizem num ouvido ora presta atenção à chamada que tem no telemóvel no outro, ainda temos de ser giras, boas, magras, andar bem vestidas, de saltos altos de preferência porque nos alongam as pernas e nos dão um ar mais sexy, unhas das mãos e pés arranjadas, com verniz igual, acrescente-se,  e ainda conciliar ginásio, esteticista, cabeleireira com horários demoníacos de trabalho que começam antes das nove da manhã e com sorte terminam às oito da noite! Para além disso, há a vida social ao estilo "sexo & a cidade" com aperitivos, jantares e noites de copos e as surpresas gastronómicas que o namorado espera que façamos quando vem passar o fim-de-semana a nossa casa. Que alguém me explique como é possível compatibilizar o descontrole no apetite por culpa deste estado quase histérico de nervos, com Martinis Rosatos temperados com hortelã, acepipes e presenças assíduas nos restaurantes de que toda a gente fala, em vez de ficar no sofá a fazer zapping, a morrer estúpida com o estômago a roncar de fome porque nos torturamos com a única forma eficaz de fazer dieta: não ter nada que se coma dentro de casa!

Socooooooooorro!!!!! 

Se há coisa de que tenho a certeza é de que em menos de um mês derreto esta gordura toda! Porque me conheço o suficiente para saber que a partir desta data vou cerrar os lábios com um fecho eclair e lembrar-me do número que vi hoje com um susto na balança sempre que me apetecer mais uma torrada. Mas até lá, por favor tragam-me uma burka que eu sinto-me completamente aprisionada nas calças que orgulhosamente mandei encolher no início do Verão do ano passado...

 



publicado por teoriasdacosta às 19:32
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