Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Notícias deliciosas para o Natal...

 

Boas notícias! Mesmo aquelas que eu precisava para iniciar esta tournée de jantares convívio até à derradeira ceia de Natal.

Então é assim: cientistas americanos (só podia!), da Harvard School of Public Health (coisa séria!), descobriram que as mulheres que bebericam uma a duas doses de alcóol por dia aumentavam menos de peso do que as fãs do Coca-Cola Light, dos sumos sem açucar adicionado e do litro e meio de água. Nós por cá já tínhamos ouvido que um copito de vinho tinto tem um efeito benéfico sobre a digestão, mas o estudo publicado tem a benção de nos fazer acreditar que as mulheres que passam a vida em dietas restritivas, que invariavelmente têm um “efeito io-io”, acabam por no final, se se elaborar um mapa estatístico da sua evolução de peso, terem mais problemas com a balança do que aquelas que até comem a sua sopinha nos dias de expediente mas que petiscam umas ameijoas e choco frito, molham o pão no molho do bife e não resistem a uma calórica sobremesa no fim-de-semana. Aleluia!

Mas a coisa não se fica por aqui. Fazer abdominais como se não houvesse amanhã não faz ninguém ficar com ventre plano (nem os chás diuréticos, comprimidos laxantes ou águas do luso com sabores adocicados). Para reduzir o tamanho da cintura tem de se fazer muito exercício sem estar deitado, já que só queimando calorias se perde a gordura que se acumula no abdomen, e já agora no rabo e nas ancas. A boa notícia é que entre 50 minutos de treino moderado ou 30 minutos de treino intensivo, a última hipótese é a opção que reduz o índice de massa gorda com maior eficácia, o que signifca que ninguém se pode refugiar na desculpa da falta de tempo para dizer que não tem agenda para ir ao ginásio. A cereja no topo do bolo é que treino intensivo não significa acabar a sessão de gatas. Basta aumentar ligeiramente a velocidade do tapete ou trocar os pesos cotonete por um par de halteres com um pouco mais de carga.

Como é Natal e as notícias são prodigiosas, dormir ajuda a perder peso, daí a expressão “sono de beleza”. Pelos vistos, as pessoas que dormem uma média de cinco horas por noite ganham mais peso do que as que respeitam as sete – oito recomendadas para um adulto. Isto quer dizer que depois de trinta minutos de corrida, nada melhor do que jantar qualquer coisa acompanhada por um tinto alentejano e depois cair num sono retemperador, indo cedo para a cama se os horários de trabalho impoem despertar, ficando no aconchego até à hora de almoço caso o jantar seja o pretexto para uma grande noitada!

O International Journal of Obesity publicou um trabalho que concluiu que os lácteos contribuem para a perda de peso! Imagino que o Manchego, o Chévre, o queijo da serra, o iogurte grego e as sobremesas com chocolate não tenham sido a base do estudo americano, de qualquer forma, para quem adora leite e todos os seus derivados, é maravilhoso saber que o cálcio interrompe o ciclo de formação da gordura. Isto quer dizer que este Natal não há que temer provar o arroz doce, o leite creme queimado, a aletria e tudo o que se coloca na mesa que tenha na base umas chávenas de leite (magro, de preferência, que é para não abusar!)

Por último, a notícia mais extasiante, não é preciso cortar nos hidratos de carbono para ver os ponteiros da balança andar ao contrário. Na prática, os hidratos de carbono, de preferência os integrais que são mais saudáveis, ao aumentarem a sensação de saciedade evitam aqueles “desejos absurdos” por coisas que nos engordam mais, como sejam os “apetece-me tomar algo que seja um Moncherri” ou, no meu caso, um fondant de chocolate. Ainda não ouvi falar de rabanadas feitas com pão de mistura ou de cereais, mas dando o desconto de que nas festas podemos aumentar até dois quilos porque com o frio e as camisolas que nos caiem no sapatinho até este limite o aumento de peso mal se nota, estas novidades da medicina são um incentivo para voltar a caber nas calças slim logo na segunda quinzena de Janeiro.



publicado por teoriasdacosta às 23:01
link do post | comentar | ver comentários (8) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
Os homens gostam mais de sexo do que as mulheres!?!?!?!?!?!?!?

 

A propósito da teoria do capital erótico escrevi que a líbido das mulheres decresce a partir dos 30. É um facto. Vem nos livros, nas publicações científicas, em revistas como a Maria, a Happy e a Cosmopolitan. Confesso até que em conversa com amigas minhas vejo mesmo que assim é. Já conheço mulheres que têm em relação ao sexo a mesma postura que eu só imaginava possível no tempo das nossas avozinhas: fazem o que têm a fazer a bem da média estatística mas nos restantes dias da semana agradecem que os maridos não as chateiem.

Reza a lenda que os homens estão sempre a postos para dar uma queca. As mulheres, por sua vez, tendem a só ter disposição quando estão apaixonadas, se existe um clima de romance, se se sentem bem com o próprio corpo, se não se esqueceram de tirar do congelador a carne que vão assar para o almoço no dia seguinte.

Um Professor de Sociologia da Universidade de Chicago - Phd está claro! – de nome Edward O. Laumman tem-se dedicado ao estudo da organização sexual da sociedade, não propriamente em termos da estratificação social por géneros, mas antes em relação às práticas sexuais por género. Concluíu este investigador, num mega estudo no universo norte-americano que, em primeiro lugar, e como qualquer texano, polícia sinaleiro, bombeiro, caixa de supermercado ou médico dentista confirmaria: os homens pensam mais em sexo do que as mulheres.

Esta conclusão que não espanta ninguém é seguida por outra que explica porque o mercado-alvo da indústria do sexo continua a ser o grupo masculino: os homens não só pensam mais em sexo do que as mulheres, como também procuram mais avidamente ter relações sexuais.

(Agora uma teoria que é minha: se calhar é esta afinidade entre líbidos que justifica a existência de tantos maricas...)

O mecanismo de excitação feminino é muito mais complexo do que o masculino. Basicamente os homens, práticos como são, funcionam como electrodomésticos que ou estão off ou estão on. As mulheres serão o equivalente a uma nave espacial (a forma fálica é coincidência) cheia de botões, programas e modos, difícil de operar mesmo com manual de instruções. Concluíu um estudo sobre o que provoca a excitação entre homens e mulheres, que enquanto os homens são previsíveis, as mulheres se revelam uma caixinha de surpresas. Em muitos casos nem elas próprias são capazes de identificar o que as faz “aquecer”.

Enquanto um homem, ao assistir a um filme pornográfico, por exemplo, fica  excitado quase instantaneamente, uma mulher é capaz de assistir a uma cena hard core entre um casal e deter-se em pormenores como o tamanho do sexo do pseudo-actor (que em regra será maior do que o do seu parceiro) e a celulite no rabo da pseudo-actriz (que em regra será um bâlsamo para a sua auto-estima).

O desejo feminino gera-se na cabeça e não entre as pernas. As mulheres precisam de um contexto. Em regra, para uma mulher é importante que exista uma relação antes que exista sexo. Para os homens a relação é o sexo e está tudo dito.

As mulheres gostam de uma boa conversa antes uma boa queca, para os homens uma boa linguagem corporal é sinónimo de uma boa queca.

Outra conclusão importante de tantos estudos e inquéritos é que a líbido feminina é influenciada por factores sociais e culturais. Isto é fácil de perceber. Em sociedades ditas ultra-modernas as mulheres tendem a assumir comportamentos predadores como os homens, têm mais parceiros e são mais ousadas, mesmo que não lhes apeteça. Em sociedades ou para mentalidades mais conservadoras o sexo é ainda um enigma, uma coisa para fazer entre portas, na posição do missionário, deixando-se as habilidades e piruetas para as mulheres da má-vida.

Laumman explica esta vulnerabilidade feminina às influências externas com recurso à socio-biologia. A sua explicação apela aos instintos primitivos: os homens querem mais sexo porque querem disseminar a sua marca genética; as mulheres escolhem melhor os seus parceiros porque no subconsciente estão a seleccionar o hipotético melhor pai para os seus filhos.

Por fim, a questão do orgasmo. Matemáticamente, um homem consegue atingir um orgasmo em média quatro minutos após a penetração – excluíndo os casos de ejaculação precoce, rapidinhas e atletas de competição com muita endurance -; as mulheres demoram entre dez a onze minutos. Este facto científico esclarece porque tantas mulheres não têm orgasmos. Os números dizem que 75% dos homens têm sempre orgasmos (mesmo assim até acho pouco) enquanto que apenas 26% das mulheres têm a felicidade de poder dizer o mesmo. O pior é que os homens nem sequer percebem isso pois quando inquiridos eles dizem que elas têm orgasmo pelo menos 45% das vezes.

Uma evidência que confirma a chamada mentira piedosa ("Ai querido, tu hoje estavas demoníaco!") e que muitos machos que por aí andam e  se julgam uns heróis na cama, afinal não são capazes de perceber quando o jogo fica 1-0.  

 



publicado por teoriasdacosta às 22:05
link do post | comentar | ver comentários (14) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Quinta-feira, 24 de Junho de 2010
O cisne - teorias do National Geographic aplicadas às relações humanas

 

Há já bastante tempo que um amigo me desafiou via FaceBook a escrever uma teoria sobre o cisne, na continuação daquelas teorias em que fazia analogias entre o mundo animal, tal como nos relata o National Geographic, e a vida real, tal como a vejo através destes meus olhinhos meios vesgos e a processo neste meu cérebro meio de loira.

O cisne é um animal gracioso, belo, algo monótono na sua estética silenciosa, digo eu, que desliza com suavidade pelas águas passando pela vida como entendo que todos deveríamos ser capazes de o fazer: com elegância, low profile q.b. e muita classe.

Eu própria gosto de me equiparar a um cisne. Não que a descrição de brandura seja uma nota dominante no meu perfil – mas ando a trabalhar nisso e estou convencida que lá para os sessenta serei uma verdadeira lady -, mas porque comecei por ser um patinho feio que ao chegar ao final da adolescência se transformou numa miúda gira, e hoje se pavoneia em águas que são sempre agitadas demais para manter o bailado num registo harmonioso, como uma mulher que em linguagem de “piropo de trolha” andará próxima da figura da “loiraça boazuda”. Graças a Deus! Depois de ter sido feia numa idade em que o aspecto físico era fundamental para a aceitação social, nada como esta figura de loira exuberante para me assegurar alguma sorte na vida, melhor atendimento nos serviços em que o funcionário é hetero e conseguir que os automobilistas parem para me deixar atravessar a rua na passadeira.

Uma das principais características dos cisnes é a sua lealdade. Uma vez escolhido o parceiro, o cisne vive uma aparentemente feliz relação monogâmica até ao resto da sua vida, não sendo raros os casos em que, quando um dos membros do "casal" morre, o outro reconstrua o ninho sucessivamente na expectativa de fazer o seu parceiro voltar.

Isto é que é bonito! É assim que eu entendo o casamento ou qualquer outra relação que se pretenda duradoura, ou pelo menos eterna enquanto dure.

Por definição, melhor dizendo, em teoria, não concebo a infidelidade numa relação dita séria.

Por curiosidade, o meu guru Júlio Machado Vaz abordou o tema num programa de rádio no passado Domingo, alegando que, apesar de por definição nos ser difícil aceitar a traição, a verdade é que há muitos casais que convivem com isso, gerindo com alguma frieza as “facadinhas no matrimónio” como um meio, tão eficaz como qualquer outro, para manter a harmonia no casamento e a estabilidade familiar.

Pelos vistos há muitos casais ao estilo Bill e Hillary Clinton, que gerem uma espécie de sociedade por quotas que é uma base sólida para as suas carreiras pessoais, sendo que, independentemente de ainda haver ou não sexo entre eles ou de existir até um resquício de amor, admitem que o outro possa cometer as suas extravagâncias com uma terceira pessoa desde que isso não comprometa a união sólida em que se alicerça o património do casal. Por património não se entende apenas as casas, os carros, as contas bancárias, mas também o status, a personalidade social associada aquela família, a reforma numa casa sobre a praia, numa época em que estarão ambos velhos demais para sentir interesse sexual por outra pessoa, ou no mínimo sem vigor para o concretizar, e que arvorarão a sua felicidade sobre o caminhar pela praia de mãos dadas como dois seniores apaixonados, com a certeza de que o caminho que fizeram até ali os realizou como pessoas ambiciosas e como seres humanos cheios de garra.

Hillary reagiu de forma surpreendente ao caso de Bill com Monica Lewinsky. Foi preciso um poder de encaixe fora do comum para publicamente perdoar o marido. No final, Hillary saiu-se bem, manteve o marido que continua a aparecer ao seu lado, segurando a sua mão com um sorriso espontâneo e um olhar minimamente apaixonado, enquanto Monica retornou ao anonimato, empanturrando-se com donuts e hambúrgueres, fumando umas valentes charutadas e sonhando, como qualquer mulher, com o seu príncipe encantado.

Dizia Machado Vaz este fim-de-semana que já ouviu de pacientes suas confissões tão fascinantes como esta “Mas o Sr. Doutor acha que eu vou por em causa o casamento, a casa, a família, o meu futuro e o dos meus filhos por causa de uma lambisgóia qualquer? Vou é deixá-lo divertir-se uns meses até que esta euforia adolescente lhe passe e depois volta tudo ao normal…”

Ouvi uma vez Marta Crawford dizer que há mulheres que agradecem que os maridos não as procurem. Mulheres essas que se calhar nem se importam que os maridos arranjem umas lambisgóias porque essa é a forma de os manter distraídos. São também estas as mulheres que se mantêm até ao fim da vida como as legítimas mesmo sabendo e compactuando com as infidelidades do marido, crónicas ou compulsivas, chorando umas lágrimas de raiva e engolindo em seco umas mentiras mal contadas, só para manterem a aliança no dedo e aparecerem nas festas de braço dado.

Na prática, sei de histórias em que um caso extra-conjugal foi a solução milagrosa para um casamento em crise. Porque elevou a auto-estima de um conjugue carente de atenção, mais do que de afecto, porque quebrou a rotina que mina lentamente qualquer relação, porque fez aos envolvidos perceber que afinal, a pessoa com quem partilhavam a cama é o melhor companheiro ou companheira que poderiam desejar, e que só ao seu lado é que a vida faz sentido. Conheço outros casos em que o casamento vacilou ao ponto de ruir e nem sempre o adultero ficou com a pessoa que o fez perceber a dimensão da sua infelicidade, o abismo entre o casal, a inviabilidade de manter aquele compromisso até que a morte os separe. Também já ouvi coisas mirabolantes do género "fui colocado perante uma situação em que se não fosse para a cama com ela era considerado maricas!" e outras versões melodramáticas em que o adultério aconteceu, muitas vezes de forma sistemática, como uma ida ao ginásio três vezes por semana, mas assumido como uma penitência, um castigo, a moeda de troca para fazer o casamento durar... Há coisas piores tipo "quando acordei ela estava nua, debaixo de mim" ou aquela do adultero patológico que se confessa viciado em sexo e clama por tratamento.

As tentações fazem parte do nosso dia-a-dia. Ceder a essas tentações depende da moral de cada um, da volatilidade em que se encontra no momento, da vontade de resistir.

O problema, dizia Júlio Machado Vaz, surge apenas quando a traição deixa de ser esta coisa meramente física, uma espécie de terapia sexual, e se transforma numa coisa espiritual, talvez até virtual, eventualmente sem qualquer contacto físico entre o traidor e o objecto do seu desejo.

Nesse caso a traição é séria. É séria porque envolve emoções para além das associadas à excitação e ao orgasmo. Eventualmente, envolverá até amor.

Todos os adultos, numa relação, sobreviventes de várias relações, solteiros por convicção ou sozinhos por opção, por mais estruturados e de bem com a vida que sejam, por mais cépticos ou pragmáticos, voltam sempre a cair na vertigem daquela sensação que é o frio na barriga quando o nosso olhar se cruza com o olhar de alguém que nos atraí. Por mais que a experiência ou a mera intuição nos façam antever que a aventura pode correr mal poucos são os que se afastam antes de tentar. No fundo, estamos sempre à espera da pessoa que possa ser "aquela". A tal que fica connosco até sermos velhinhos sem dentes. Por isso, temos medo de deixar fugir quem, num momento quase sempre inesperado, se atravessa no nosso caminho.

É o medo de deixar fugir a possibilidade do amor eterno…

Na prática, a história humana não é feita de amores eternos, nem na literatura nem na realidade, onde é cada vez mais abstracta a jura "até que a morte nos separe"... As histórias de amor são quase sempre uma sucessão de episódios, alguns apoteóticos, outros melodramáticos, momentos alegres que raiam o hilariante, ou infelizes ao ponto de afundarem quem os vive num negro pranto.

Eu, que sou uma romântica disfarçada de céptica, e que imagino que no final dos meus dias, quando as minhas costas vergarem, o cabelo ficar ralo e o meu esqueleto ranger com as dores do reumatismo articular, hei-de ter ao meu lado um homem tão decrépito como eu, mas que ainda me há-de ver tal como estou hoje, e que eu serei capaz de amar profundamente com o mesmo instinto apaixonado, vejo como um sonho romântico a possibilidade de na vida os Homens serem como os cisnes e de as relações entre casais durarem tanto como a eternidade.

Arthur Aron, psicólogo da Stony Brook University, de Nova Iorque, nos Estados Unidos é um “estudioso da felicidade conjugal eterna” tendo concluído que, afinal, para uma afortunada minoria - um em cada dez dos casais analisados -, o amor pode mesmo durar a vida inteira.

Aos casais imunes ao declínio da paixão, a equipa de investigadores da universidade nova-iorquina atribuiu a designação de "cisnes", uma das espécies que, no mundo animal, dedica toda a sua vida ao mesmo parceiro. O relacionamento destes casais tende a permanecer intenso e sexualmente activo apesar de uma longa vida passada em comum.

Estudos anteriores nesta área haviam validado a visão corrente de que a paixão esmorece, em média, ao fim de doze a quinze meses. E que, ao fim de dez anos, "a química" pura e simplesmente já não existe. A famosa "crise dos sete anos", na base de tantos divórcios, corresponderia, assim, a um dos "pontos de fractura" que marcam a generalidade dos relacionamentos amorosos. A sabedoria deve estar em ser capaz de manter a cumplicidade, o companheirismo ou lá o que é que nos faz querer morrer ao lado de outra pessoa, mesmo quando aquele amor que se baseou na atracção física, na tensão sexual, no desejo esmorece….



publicado por teoriasdacosta às 19:09
link do post | comentar | ver comentários (4) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Terça-feira, 27 de Abril de 2010
À espera do homem perfeito...

 

Depois de uns dias a falar de coisas sérias apetece-me divagar pelo universo maravilhoso dos relacionamentos: complexo na diversidade, curioso nos comportamentos, ambíguo na forma como os seres humanos expressam o que sentem, quando são capazes de definir o que sentem, de assumir o que sentem ou sequer, de perceber que sentem alguma coisa.

O tema é "à procura do homem perfeito", missão impossível a que muitas mulheres dedicam a sua vida, para acabarem como a imagem da fotografia: à espera até à morte.

Talvez o homem perfeito esteja no céu e seja um anjo. Relembro apenas que os anjos são, por definição assexuados, e um homem sem sexo não serve para grande coisa... A menos que, depois de mortas, isso também já não interesse nada...

Creio que toda as mulheres têm desenhado no coração, no cérebro ou no colchão o perfil do homem dos seus sonhos.

Na prática, raras são as vezes em que esse príncipe aparece. Principalmente porque o homem bonito, atlético, inteligente, sorridente e meigo na medida certa e nas proporções exactas não existe ou, existindo, será certamente gay, está casado e é fidelíssimo, ou então é daqueles solteiros “filhos da mãe”, o tipo de homem que não interessa a ninguém.

Dado que os príncipes são raros, estão já tomados ou têm a orientação sexual errada, as mulheres acabam sempre por ter de se contentar com sapos, alguns que até são suficientemente giros e interessantes, outros que as fazem morrer de tédio ou de raiva mas são sempre melhor do que nada, outros ainda que, não aquecem nem arrefecem, são apenas utéis para a bricolage e para aparecer em eventos e festas de família acompanhada.

A prática, a experiência, o passar do tempo e esta coisa fantástica que gosto de exibir sarcasticamente quando estou com miúdas de vinte e que dá pelo nome de maturidade, já me fez perceber que a vida não se reduz a uma função matemática. Há uns anos, acreditava que todas as coisas não eram mais do que hipérboles, um conjunto de pontos equidistantes. Hoje sei que a vida se pincela numa tela imensa sob a forma de arte abstracta, com algumas rectas que raramente são perfeitas porque são traçadas sem régua nem esquadro.

A procura do “homem certo” é uma utopia, uma viagem sem fim à vista, que pode ser solitária e que quase sempre desgasta mais do que dá prazer ou traz felicidade.

Com o tempo aprendemos a perceber nos outros aquilo que também começamos a admitir em relação a nós próprios: não há seres perfeitos.

O importante na escolha da pessoa certa não é olhar para o homem que reune as características que nos podem fazer felizes hoje, mas sim aquele que continuará a fazer-nos felizes daqui a cinco, dez anos, quando deixarmos ambos de ser tão atraentes, tão vigorosos, sorridentes e fantásticos, como as pessoas com ar de bem sucedidas que são figurantes nos anúncios dos bancos. Não quero com isto dizer que uma mulher deva ser menos exigente. Deve é encarar a escolha do homem certo como pondera a decisão de compra de uma casa: mesmo quando não pretendemos ficar no mesmo T0 toda a vida, temos de olhar para aqueles m2 como o lar dos nossos sonhos e ao mesmo tempo antecipar o potencial de negócio se o quisermos vender ou arrendar dali a uns anos.

Há homens que escolhemos hoje que, mesmo que não fiquem connosco até sermos velhinhas nos podem trazer tanto em termos de companhia e de aprendizagem, que valem bem a pena que se corra o risco de investir ao seu lado um segmento da nossa vida, só porque depois, mesmo que a relação acabe, ficamos melhores seres humanos, capazes de amar melhor e de apreciar com a sabedoria e a paciência de um bom gourmet as virtudes de uma relação a dois. Na pior das hipóteses, quando o homem que nos deu tanto de repente nos rouba um pedaço do que somos, pode acontecer que a opção seja, definitivamente, uma existência solitária. Ou então procurar uma gaja...

Um estudo norte-americano elaborado com a colaboração de sociólogos, neuro-biólogos, psicólogos, terapêutas matrimoniais, economistas e outros especialistas em assuntos sociais, comportamentais, matrimoniais e sexuais (incluíndo padres, virgens e mães!) identificou os cinco maiores complexos na escolha de um parceiro. A conclusão evidente quando os li é que afinal estes preconceitos negativos não são desvantagens assim tão fundamentais:

A altura

Nenhuma mulher quer um homem mais baixo do que ela. Casais tipo o Sarkosy com a sua top model são ridículos, com ele a usar sapatos com plataformas e ela condenada a calçar sempre sabrinas ou a ter de olhar para baixo sempre que quer encontrá-lo. Eu, que tenho um metro e sessenta e seis às vezes tenho dificuldade em encontrar um homem que fique dignamente ao meu lado se eu me empoleirar nuns saltos altos. Seja como for, desde que a desproporção não coloque o outro ser fora do meu campo de visão, não me parece que a altura seja obstáculo. A solução é simples; não dar as mãos, sequer andar abraçado em público.  

Os gostos e preferências

A conversa standard de qualquer primeiro encontro é sempre sobre a música que cada um gosta de ouvir, o livro que está na mesa-de- cabeceira (mesmo que seja só uma peça decorativa para impressionar a candidata a companheira, quando se teme pela avaliação que esta vai fazer da performance na cama: a homens mais intelectuais tolera-se uma pontuação mais baixa...), a última vez que fomos ao cinema, o local de férias preferido, os restaurantes cujo número está gravado no telemóvel, os sítios para onde se gosta de ir à noite (mesmo que seja o sofá lá de casa) e outros factos que alinhados num questionário permitem elaborar o perfil do espécimen sentado à nossa frente. A experiência já me demonstrou que pessoas muito parecidas não formam necessariamente um bom casal e que às vezes, são as diferenças, mesmo quando tão abismais que chegam a ser antagónicas e factor de choque, que trazem a uma relação aquele “toque de pimenta” que torna o seu palador único e estimulante.

A profissão e os hobbies

Aqui confesso o meu preconceito: sou incapaz de me interessar por um homem que não tenha uma posição socialmente prestigiante (não precisa de ser deputado, até porque isso não prestigia ninguém, não pode é ser funcionário administrativo daqueles que lambem envelopes...), que supostamente ganhe mais dinheiro do que eu, e que não pratique qualquer desporto como actividade diária. Sucede porém que os homens que colocam a carreira acima de tudo, que têm egos inflamados, que passam horas a ver-se ao espelho no ginásio revelam-se na maior parte dos casos seres insuportáveis. As pessoas muito ambiciosas (como eu sei que sou) e carismáticas (como eu gostava de ser) nem sempre arranjam tempo para se dedicar a quem tem paciência para estar ao seu lado...

A idade

Nunca namorei com ninguém da minha idade. Andei sempre com homens entre cinco a catorze anos mais velhos, por achar ser esse o segmento mais próximo do meu nível de maturidade, com a vantagem de que para eles, uma mulher mais jovem é sempre uma vaidade, e para nós, um homem mais sénior é menor fonte de preocupação (já viram tudo o que tinham a ver, já experimentaram mulheres de todas as formas e formatos por isso a probabilidade de nos trocarem por alguém por uma mera questão de curiosidade é uma hipótese afastada). A desvantagem da diferença de idades está muitas vezes na falta de um “património cultural comum”, tipo termos ouvido as mesmas músicas, termos como referência os mesmos autores ou termos a tal recordação do “onde estavas tu no 25 de Abril?”. A idade não é relevante. A importância está na partilha de valores.

O “meu tipo de pessoa”

Todos temos uma percepção sobre nós enquanto seres sociais, com determinada imagem, certo status, um padrão de comportamentos e uma palete de características que compoem a personagem que achamos que somos ou com a qual nos queremos parecer.

Cada pessoa define-se como um “tipo”. O “tipo” de pessoa que eu sou tende a procurar pessoas de um “tipo” semelhante. O problema é que os “tipos” que saem do esterótipo são às vezes os que se revelam mais interessantes...

 

Moral da história, se é para esperar pelo homem perfeito... mais vale ficar sentada... até virar cadáver...

Se for para fazer cedências, pode ser que o homem que é perfeito para nós seja mesmo aquele que está sentado ao nosso lado...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 19:03
link do post | comentar | ver comentários (10) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Sexta-feira, 9 de Abril de 2010
Falar mal faz bem... F***-se!!!

Na natureza e na vida nada se reduz a preto ou branco, zeros e uns, sins e nãos. Tudo tem um yin e um yang, e não são raras as vezes em que se descobre que uma coisa que assumimos como prejudicial para a nossa vida afinal também nos pode salvar (como as radiações ultra-violeta ou as bactérias).

Na área da psicologia e das ciências sociais discute-se agora que afinal o pessimismo até pode ser uma coisa boa, tão ou mais eficaz que o sorriso tonto e a atitude de aceitação contemplativa que sugere a “Lei da atracção”.

Bryan Gibson, um PhD da Universidade do Michigan defende que as reacções negativas como praguejar, atirar com os papéis pelo ar, bater portas furiosamente, mandar dois ou três berros no trânsito podem até ser uma forma incensurável de estar na vida, desde que exista quem tenha pachorra para nos aturar.

Quem leu “O segredo” ou outras ladainhas parecidas assume como certo que as pessoas pessimistas jamais progridem na vida porque a sua atitude negativa as impede de vislumbrar qualquer oportunidade. A prática demonstra que os que são capazes de antecipar “o pior cenário” são os que têm maior capacidade para prever problemas e arranjar formas de os solucionar. Por sua vez, os optimistas confiam tanto nas suas crenças arreigadas que vivem cada dia na convicção de que o futuro virá embrulhado num presente, fazendo muito pouco para chegar aonde pretendem para além de manter o pensamento positivo e o discurso patético.

Dizem os cientistas que o “pessimismo positivo” é fundamental para transformar a ansiedade em acção. E eu, que sempre fui uma dessas optimistas de sorriso amarelo, não podia estar mais de acordo. É como se a Lei de Murphy, que nos diz que tudo o que pode correr mal corre ainda pior do que imaginávamos, fosse afinal uma excelente disciplina para o cérebro!

Os optimistas tentam sempre ver o lado positivo e por isso raramente se zangam. Sucede porém que, de acordo com um estudo efectuado pelo Harvard Decision Science Laboratory, a fúria exaltada não é assim tão má para a pressão arterial desde que não seja crónica. A descarga da raiva é um descompressor, aliviando o organismo da hormona do stress conhecida como cortisol, que está na origem de muitos problemas relacionados com depressão, obesidade e perda de densidade óssea.

Fomos educados a acreditar que dizer asneiras é coisa de gente mal formada. Ou de malta do norte, que diz carago a troco de qualquer coisa, sendo bastante efusiva na utilização da palavra foda-se. Pasmem-se agora com a revelação contida num estudo publicado na NeuroReport que afirma peremptoriamente que praguejar pode funcionar como um excelente paliativo para a dor. Imaginem, se entalarem o dedo na porta do carro em frente ao chefe e fizerem tanta cerimónia que a única reacção de que são capazes é morder o lábio, vão sentir uma dor mais acutilante do que a que sentiriam se repetissem várias vezes a palavra “merda” ou conjugassem no tempo mais apropriado o multifacetado verbo “foder”. Só escrevo isto porque afinal falar mal, faz bem...

Outro mito engraçado em relação a coisas que supomos erradas mas que afinal são uma fonte de energia divinal tem a ver com aquele hábito de fazer desenhos infantis numa folha enquanto ouvimos o nosso director apresentar o plano anual. Descobriram investigadores da universidade de Plymouth, e esta eu também posso comprovar porque desde os três anos me delicio a fazer rodinhas em papel quadriculado, que afinal escrevinhar numa folha pode aumentar a capacidade do nosso cérebro para absorver informação periférica em quase 30%. É que enquanto o nosso cérebro se concentra nos rabiscos que fazemos com alguma intenção que o nosso consciente não domina, o campo viso-espacial do cérebro está concentrado naquelas formas geométrico-pitorescas em vez de se perder num sonho acordado. Quer isto dizer que a probabilidade de responder de forma inteligente a uma interpelação do orador é muito maior.

Outro mito urbano que pode ser visto ao contrário é o da tendência inata que têm todos os seres humanos para cuscar. Reconheço que a apetência para comentários em surdina ou olhares de esguelha carregados de significado é uma coisa mais feminina, mas já trabalhei o tempo suficiente com equipas maioritariamente masculinas para poder afirmar, sem sombra de dúvida, que os homens também adoram “cortar na casaca”. Aparentemente, a fofoquice até é boa para fomentar um sentido de grupo, de pertença, de identificação, desde que dentro dos limites do respeito pela vida alheia.

Por último, um reparo em relação à postura de prostração, aquele semblante vazio que partilham as pessoas sentadas na sala de espera do centro de emprego, a inércia que paralisa os nossos membros quando somos instigados a tomar uma decisão, o silêncio ruidoso que entope os nossos ouvidos naqueles momentos de pânico em que é suposto dizermos ou fazermos algo minimamente inteligente. A prostração como forma de estar na vida é má, faz de nós pessoas sem grande interesse. Uma verdadeira seca! Contudo, darmo-nos à prostração de vez em quando, pode aumentar a nossa produtividade no geral. Depois de uma hora de trabalho intelectual intenso é difícil manter o nível de concentração. Assim sendo, uma espreitadela ao FaceBook só para fazer um intervalo pode aumentar a nossa produtividade até 10%! Diz Brent Coker, um PhD da Universidade de Melbourne... Aproveitem a dica! Facebookem um bocado...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 10:55
link do post | comentar | ver comentários (6) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Quinta-feira, 1 de Abril de 2010
Quando morremos vamos para onde?

 

Estamos na Páscoa, supostamente na Primavera.

Ainda me lembro do tempo em que as estações do ano estavam claramente definidas e nesta altura estreava sempre um vestidinho de manga curta e soquetes.

Mais tarde, era impensável não rumar ao Algarve e aguentar estoicamente umas horas de praia só para estar com um ar bronzeado no regresso às aulas.

Por estes dias, já em pleno mês de Abril de 2010, vejo pessoas de gola alta, casacos de fazenda e galochas. Ou as ruas estão cheias de gente estranha ou andamos todos com o Inverno às costas...

A Páscoa não tem só a ver com estrear roupa nova, fazer mini-férias, dar prendas aos afilhados, devorar amêndoas em catadupa ou comer pão-de-ló até ficar mal disposto.

Para quem é religioso, ou pelo menos, andou na catequese até à primeira comunhão, a Páscoa é a celebração da ressurreição de Jesus e é neste episódio que reside a essência da fê cristã: Jesus morreu para nos salvar e a Sua subida aos céus indica-nos que todos podemos esperar idêntica recompensa depois de mortos.

(Podem continuar a ler o texto sem medo que eu não endoidei, nem me converti a nenhuma seita do Reino de Deus).

Metaforicamente falando ir para o Céu deve ser o que todos os católicos ambicionam, o prémio por uma vida sem pecados graves, sem ofensas ao próximo nem facadinhas no matrimónio. Para mim, que até fiz a comunhão solene, a ideia de ir para o Céu só é aliciante se o imaginar como uma imensa praia de mar azul turquesa assim ao estilo mar das Caraíbas. De vez em quando também defendo a tese "as meninas boas vão para o Céu, as más vão para a toda a parte...", logo o céu será aquilo que eu quiser, mas sempre com categoria cinco estrelas e serviço irrepreensível.

Fisicamente, a ideia de ressurreição e subida aos céus não só é absolutamente disparatada como coloca em causa tudo aquilo que pensamos sobre este imenso tecto azul que, segundo o Ásterix, um dia nos pode cair em cima da cabeça.

Uma americana de nome Lisa Miller vai pubicar brevemente um livro com o nome "Our Enduring Fascination With the Afterlife", que quer dizer “O nosso persistente fascínio com a vida após a morte”, mas que provavelmente chegará a Portugal com uma tradução do tipo “Dissertação sobre a vida após a morte” ou “Queremos morrer e ir para o Céu”. Este livro tem como tema central a ideia que depois de lida é uma evidência, mas sobre a qual, se calhar, nunca perdemos muito tempo a reflectir: Será que acreditamos mesmo que depois da morte vamos para o Céu? E se acreditamos nisto, ir para o Céu quer dizer o quê?"

Para mim, o Céu só pode ser uma espécie de resort com tudo incluído. Para outros é um cenário vazio cheio de fumo branco a fingir de nuvens, com S. Pedro à entrada de um portão imaginário, onde as nossas figuras vestidas com a bata do hospital ainda com a agulha do soro, a algália e o dreno são recebidas com um sorriso. Outros há que se imaginam sobre nuves fofas, entre anjos semi-nus (mas asexuados) a tocar harpa.

Qualquer que seja a concepção que temos desse Céu para onde vamos, imaginamos que vamos lá chegar tal como somos hoje, não como cadáveres em decomposição nem como expectros ou figuras fantasmagóricas. Imaginamos até, posso arriscar, que depois de entrarmos no Céu, vamos encontrar montes de malta amiga, familiares, pessoas cujo rasto perdemos, e que passaremos os dias em convívios, piqueniques e agradáveis tertúlias. Ainda há outros fanáticos que o que sonham encontrar depois de morrerem é um harém com virgens, o que eu presumo que não deve servir para grande coisa porque as pessoas sem experiência tendem a ser muito menos produtivas...

Mas depois também há aqueles, como eu às vezes conforme os dias, que acreditam que as nossas almas reencarnam noutros corpos assim que "a máquina" se desliga, sendo que o mundo está povoado por almas milenares, que passam a vida a saltar de corpo em corpo, de época em época, de sexo em sexo, de profissão em profissão... de acordo com uma qualquer lógica matemática divina que nos faz atingir o pico da felicidade numa vida, para nos fazer sofrer até à morte na vida seguinte, permitindo-nos ser maquiavélicos, pérfidos e cruéis numa encarnação, mas castigando-nos de forma veemente na encarnação seguinte.

Segundo esta autora, que se baseia numa série de estudos e inquéritos americanos, há os que acreditam na ressurreição, os que preferem acreditar na reincarnação, e os que acreditam em ambas as coisas, mesmo sendo católicos daqueles que ainda sabem as orações de cor e vão todos os domingos à missa. Aparentemente, é absolutamente paradoxal que um católico possa acreditar na reincarnação, pois se acredita que a sua alma vai regressar à terra não pode simultâneamente esperar que esta suba ao Céu. Se assim fosse, o Céu era um imenso hospício dedicado a doentes com esquizofrenia.

Para poder acreditar na reincarnação é preciso pertencer à categoria das "pessoas espirituais mas não necessariamente religiosas".

Pelos vistos, a cremação também é um acto anti-católico já que não foi assim que Deus explicou que a ressurreição acontecia. Segundo a Bíblia, Jesus subiu aos Céus com o seu corpo, o que quer dizer que as pessoas cremadas se excluem desta possibilidade, mas significa também que quem tem o azar de morrer num trágico acidente de viação em que fica com o corpo desfeito aos pedaços só pode ir para o Céu se meter uma cunha.

Diz Lisa Miller que qualquer cristão que acredite na ressurreição se visualiza a subir aos céus instalado no seu corpinho, de preferência numa versão melhorada, mais magra e com menos rugas. A lógica, mesmo quando temos alguma fé, diz-nos que a sequência do processo é: morrer, alma sobe aos céus e corpo apodrece debaixo da terra. Mas que coisa é esta da alma? É que a alma, em boa verdade, não faz grande coisa... De que nos serve ir para algum lado sem corpo, se é com esse conjunto de ossos, orgãos e músculos que nos movemos, sentimos, tocamos, ouvimos, vemos, degustamos?

Lá pelos E.U.A. onde há imensos doutorados a perderem anos de vida a fazer estudos sobre temas que não lembram ao Diabo (tenho de falar sobre o Inferno!) há um professor da Universidade de Boston, de nome, Stephen Prothero, que defende a tese de que o aumento exponencial das cremações em detrimento dos enterros é uma prova inequívoca da falta de crença na ressurreição. Eu podia alegar que se calhar tem alguma causa económica tipo custo da pira e do fósforo versus custo da urna e de um pedaço de terra, mas como não devo especular sobre commodities nem sobre imóveis quando estou a dissertar sobre a fé, limito-me a acrescentar que o oposto a ir para o Céu é ir para o Inferno, um local com ares de incineradora gigante, repleto de gente má e medonha, com diabos provocadores à solta. Ou então, uma coisa mais light, assim tipo o Plano B cá no Porto, uma cave onde tropeçamos em quinquilharia, com salas escuras onde se ouvem sons electrónicos sem coerência ou música dos anos oitenta posta por Dj´s amadores que conseguem torturar quem dança com as más transicções entre faixas.

A questão seguinte é: qual a checklist que decide quem sobe para o Céu ou quem desce para o Inferno? Uma velhinha que vá todos os dias à Igreja, duas a três vezes ao dia, para rezar o terço, acender velas, fazer arranjos de flores e assistir à missa, mas que fora daquelas quatro paredes tem uma personalidade mesquinha, intriguista e avarenta tem direito a ir para o Céu ou tem de passar pelo Purgatório para ouvir uns raspanetes? Um homem casado, pai de família exemplar, profissional competente, extraordinário no seu comportamento cívico, se uma vez por semana gostar de se vestir de mulher e deixar-se ser apalpado por meninos fica à porta do Céu em lista de espera ou desce direitinho para o Inferno como castigo por ser perverso?

Jon D. Levenson, um estudioso judeu que se debruça sobre o conceito de ressurreição, defende que este fenónemo não se pode analisar em laboratório, mesmo no mais sofisticado dos laboratórios do MIT, porque esta coisa dos corpos subirem aos céus é um evento sobrenatural, uma coisa tipo “Ficheiros Secretos” num daqueles episódios da última série em que raramente se percebia o final.

Seja como for, seja lá o que for que nos espera quando batermos a bota, mais vale ir vivendo a vida ao máximo mas sem pecados muito graves, não vá o Céu existir mesmo e ficarmos bloqueados à porta porque não constamos da Guest List.

 

 



publicado por teoriasdacosta às 18:59
link do post | comentar | ver comentários (7) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

posts recentes

Notícias deliciosas para ...

Os homens gostam mais de ...

O cisne - teorias do Nati...

À espera do homem perfeit...

Falar mal faz bem... F***...

Quando morremos vamos par...

Porquê que os homens não ...

Como uma pizza pode arrui...

Fazer humor

Teoria sobre tropeçar na ...

N.º de visitas até ao momento
Web Counters
Blockbuster Video
Posts mais comentados
últ. comentários
Merci Kurioso!Por acaso o francês está a correr-me...
Saudações proletárias João Rui!E já agora boa sema...
Ora viva "Teorias".Sim, haja bom senso e capacidad...
Como é habitual, eu vou lendo os seus posts e toma...
Obrigada Sandra!Nem imagina como me realiza saber ...
Olá Sandra!Bem-vinda à minha "salinha de estar".Ag...
tags

todas as tags

Teorias no FaceBook
http://teoriasdacosta.blogs.sapo.pt/ | Divulga também a tua página
arquivos

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Site meter
Site Meter
Visitantes on-line
Online Users
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


links
blogs SAPO
subscrever feeds