Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
Homens versus mulheres: relações sem sexo (de preferência)

 

Descobri que os quartos do hotel são locais tão inspiradores para escrever teorias como os aeroportos. Como ando entre pontes aéreas e noites de insónia em camas estranhas por questões de trabalho, ocorre-me um tema que é uma banalidade: as diferenças entre trabalhar com homens ou com mulheres.

Neste momento faço parte de um grupo de trabalho europeu constituído por homens.

Gostava que pelo menos um fosse maricas, mesmo que eventualmente encarado pelos outros como uma espécie de macho de segunda.

Como creio que já escrevi “um maricas é o melhor amigo de uma mulher”.

Porquê esta afinidade entre mulheres e gays? Gostamos ambos do mesmo, sendo que eles nos conseguem apreciar numa perspectiva de potencial concorrência - apesar de não jogarmos no mesmo campeonato e de ser certo (de forma mais ou menos rigorosa, apesar desta tendência para a bissexualidade e para o swing baralhar as estatísticas) que quem é vegetariano não come vaca nem vitela – com a vantagem de serem capazes de nos admirar ou criticar enquanto ser humano que pode interessar a um macho, sem a inveja nem a malícia com que o faz uma mulher.

Neste grupo de trabalho, quando falo, mesmo que a minha análise faça tanto sentido como os comentários do Marcelo Rebelo de Sousa ou esteja em rigor ao nível de um relatório científico da NASA, recebo sempre um sorriso condescendente ou paternalista do género “pois, pois”, sendo as minhas opiniões apenas consideradas como merecendo algum tempo de antena quando digo algo que realmente lhes agita o ego naquela zona anti-erógena que equivale à sensação de desprazer “mas porquê que não fui eu que me lembrei disto?”

Eles fingem que me consideram mas na prática vêem-me como uma loira mais do que como a responsável por uma área de negócio na empresa. Tenho como certo que só se eu não tivesse penteado mas apenas cabelo, aumentasse o meu peso em dobro e deixasse crescer pêlos no queixo, seria olhada de forma diferente. Talvez com pena, mas certamente como quem até pode falar sobre as coisas com algum conhecimento, já que o preconceito é de que só uma mulher com uma imagem de virgem de Willendorf (aquela estátua pré-histórica que representa a mulher como uma cabeça, um par de mamas até ao umbigo e um descomunal par de ancas) poderá ser efectivamente competente.

Já quando entrei na faculdade – há vinte anos, vejam só! – se dizia que as mulheres ou eram bonitas ou iam para engenharia, insinuando que, sendo este um curso de reconhecida complexidade e elevado nível de testosterona, só uma mulher com problemas hormonais (por defeito, entenda-se) escolheria tal opção universitária.

Na prática, ao contrário da maior parte das pessoas, apesar de reconhecer as vantagens de trabalhar com homens, adoro trabalhar com mulheres. Não em abstracto, mas em concreto com a minha equipa. Ou o que dela fica...

As vantagens em trabalhar com eles são evidentes: como não perdemos tempo a falar de futebol ou sobre aquelas leggings novos que prometem um rabo “à preta”, somos muito mais focados, completamente orientados para um resultado que queremos alcançar tão rápido quanto um homem espera atingir um orgasmo. A maior desvantagem é perceber que mesmo estando em maioria nas faculdades, quando ascendemos a posições equivalentes às deles, continuamos a ser subestimadas pelo simples facto de sermos "gajas".

Quando trabalhamos com elas, se as pessoas são maduras e têm bom senso, a relação funciona por osmose, como é suposto funcionar um casamento.

Para além daquele mito de que começamos todas a ter o período menstrual ao mesmo tempo, temos sensibilidade q.b. para saber quando o momento é sério, de trabalho em corta-mato, em sprint de cem metros ou a ritmo de maratona. Nestas alturas somos capazes de nos concentrar, com um grau de abstracção equivalente ao de um monge budista, dificilmente fazendo um comentário que saía fora do contexto.

Transpondo a análise para o nível das relações entre casal, os casamentos mais duradouros são aqueles em que a mulher respeita os dias em que o homem está mais sorumbático ou irritado, porque não se desliga de um problema que trouxe do trabalho ou não esquece o resultado da sua equipa no último jogo, deixando-o submergir na “caixa do nada” até que ele esteja com alguma paciência para fazer aquilo que é suposto num relacionamento: interagir com o outro. Nas relações maritais, sendo os seres tão diferentes quanto dois planetas, a gestão destes momentos pode redundar num silêncio permanente, uma espécie de hábito, passando o casamento a ser apenas um estado que se mantém por comodidade ou displicência.

Nas relações de trabalho entre mulheres, dado que possuem todas a mesma peculiar forma de gerir os silêncios e idêntica paciência para conversas monótonas ou cinzentas, é inevitável que ao final de algum tempo, um dos elementos do grupo pergunte a outra “essas botas são novas?”, gerando-se imediatamente um coffee break psicológico equivalente a uma ida virtual às compras que, como todos sabem, é uma terapia excelente para equilibrar humores, logo para recuperar o nível de convergência.

A desvantagem de um grupo de mulheres deriva das competições que começam pelo tamanho das calças e pela área volumétrica ocupada na cadeira; passando pela cadência de idas à casa-de-banho, ao exterior para fumar, à manicure ou ao cabeleireiro; pela profissão do cônjuge e mostruário de sinais de amor que este oferece; com remate no sucesso dos filhos na escola e desfecho em forma de “gota de água” no reconhecimento que cada uma consegue obter dentro da empresa, sendo certo que também elas desconfiam quando uma Amazonas sobe na escala, como se um triunfo profissional só fosse crível com um cruzar de pernas à Sharon Stone ou na sequência de uma troca infiel de fluidos ou de favores com quem decide.

Assim é, por muito que seja politicamente incorrecto escrevê-lo.

 



publicado por teoriasdacosta às 21:08
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011
Homes e mulheres: descrições criativas

Como já devem ter reparado, o tema sobre homens e mulheres, juntos, isolados ou ao molhe, é coisa que me fascina.

Esta semana ouvi de dois homens duas descrições incríveis.

Realmente, tenho de admitir, que eles têm uma visão muito mais prática sobre as coisas, simplificando tudo em conceitos básicos, mesmo quando são incapazes de se orientar num shopping (as mulheres apenas se esquecem onde estacionaram o carro) ou de estrelar um ovo (inaptidão que qualquer mulher toma como vantagem dado que, apesar das Bimbys e das dietas da moda, continua a ser verdade que “um homem se conquista pela boca”).

Não tenho a certeza se a expressão refere boca ou estômago mas de toda a forma a versão, tal como a escrevi, consegue ter alguma carga de erotismo já que é com a boca que se beija uma pessoa. Se tivesse de associar um orgão do corpo humano à sedução de um homem, o estômago seria certamente uma das últimas hipóteses.

Seja como for, escrevia-me um leitor que se tornou assíduo no meu blogue, um “Kurioso” que vai comentando o que publico, que as mulheres procuram num homem uma espécie de híbrido: “muito macho na estrada e muito sensível na estrada”. Ora aí está! Por isso os “jipinhos”, que eu apelido de “carros com rodas grandes” têm tanto sucesso entre as mulheres. O facto de serem mais altos do que um carro normal proporciona uma sensação de condução “à la Loubotin” na cidade e uma vertigem de perigo na auto-estrada. No fundo as mulheres procuram isso mesmo: sensualidade e perigo. Um homem que as convide para um jantar romântico, mas que entre a subida no elevador e a entrada em casa seja capaz de lhes desapertar o soutien com toques de artista. Um homem que envia uma mensagem no dia seguinte que as faz corar mas que depois desaparece durante dias provocando insónias e dores de barriga.

A outra descrição fabulosa que ouvi foi “um homem procura uma mulher que fique entre uma Vanessa e uma Benedita”. Dizia o autor da frase, pertencente a um daqueles clãs do Porto que trata todas as pessoas por você, com referência ao nome próprio e ao apelido, como se ser Bernardo, Afonso, Carlota ou Carolina, fossem apenas categorias, assim tipo detergente para a loiça, insecticida, pomada para mazelas ou iogurte, sendo preciso acrescentar-lhe a marca – como Fairy, Ezalo, Hirudoid ou Danone - para atribuir a cada uma destas coisas um significado e um sentido.

Segundo este personagem, as Beneditas são aborrecidas. Têm a mania do “que horror!”, do sexo sem ruído, da postura de “quem engoliu um garfo” e de cerrarem os lábios até que estes convertam num traço de desagrado, como permanente aviso de censura.

As Vanessas, por sua vez, são capazes de cozinhar nuas, usar lingerie de cores berrantes com uma combinação impossível de rendas e seda, chamar o namorado de “babe”, “amor” ou “fofinho”, e deixar-lhe mensagens escritas em batôn no espelho da casa-de-banho (que depois são difíceis de remover para quem não tem desmaquilhante junto à espuma da barba)

Com uma Benedita um homem pode casar-se, sabendo que este formato anódino tem as características genéticas ideais para ser a mãe dos seus filhos, que certamente nascerão loiros, de olhos azuis e só perceberão que há pessoas que se tratam por tu quando na adolescência começarem a sair com os amigos para locais mais públicos do que aqueles a que se confina o seu restrito circuito. A desvantagem, é que as Beneditas, mesmo as hippie chic com um certo ar de rebeldia, no fundo são umas chatas que não permitem que um homem se sente de boxers no sofá com os pés sobre a mesa de apoio, com uma geladinha na mão num momento purificante de zaping.

Uma Vanessa não pode ser apresentada aos amigos, porque tenderá a cumprimentar toda a gente com dois beijos, descaindo-se ao fim de uns minutos de conversa para o “tu”, será exuberante nos decotes e nos saltos altos, dará gargalhadas estridentes e contará piadas atrevidas. A vantagem é que uma Vanessa é sempre muito mais divertida, mais sexy e ousada na cama e, apesar de não ter lido os clássicos da literatura, saberá alimentar uma conversa sobre carros, restaurantes, bares da moda e até sobre futebol, enquanto que o espectro de uma Benedita se confina às fofocas do social, às reclamações em relação à empregada, à subtil extorsão monetária para que se paguem aulas de alemão ao menino e de ballet à menina, ficando o troco para uma tarde no cabeleireiro com direito a brushing e massagem, seguida de um chá com as amigas.

Como ficamos?

Uma mulher quer um maricas à mesa e um jogador de râguebi na cama.

Um homem quer uma lady na mesa e uma louca na cama.

O Marco Paulo lá tinha a sua razão...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 22:19
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Homens que enfiam a camisa dentro das calças...

 

Nas minhas incurssões pelo google descobri o site

http://manofthehouse.com/

que é um sítio impensável há uma década mas que hoje aposto será ponto de paragem para muitos homens, hetero ou gay.

Este site está cheio de conselhos utéis para o sexo masculino. Não fala apenas de abdominais à Cristiano Rolando nem de como desenvolver os ombros até ao Verão, como a maior parte das revistas masculinas chamam para título de capa. Este site trata de questões mais másculo-femininas, se é que esse termo se pode aplicar, apelando mais aos sentimentos e às relações humanas (não necessariamente entre um homem e uma mulher), à atitude e às mezinhas da auto-ajuda de que esta geração a que pertenço é tão fã, mesmo quando se afirma agnóstica.

Para além disso partilha uma série de dicas utéis desde como fazer bricolage, como acrescentar aplicações ao i-phone, sugestões de moda, truques e curas para as alergias de Primavera, conselhos sobre lavagem de roupa à máquina, como ensinar os bebés a fazer cócó no pote and so on and so on...

De entre os artigos que estão em destaque chamou-me a atenção um com o título “quatro razões pelas quais os homens não devem enfiar a camisa dentro das calças” (foi a melhor tradução que encontrei para “4 reasons man should not tuck in a shirt”).

O artigo conta a história de um Pete que tem tudo na vida a correr-lhe de feição: está de novo solteiro (equivalência que dão os americanos à condição de divorciado), uma carreira em ascensão, é simpático e empático mas, apesar de tanta coisa a seu favor, tem um grande obstáculo à sua vida social: mete a camisa dentro das calças.

Explica então o autor do texto que meter a camisa dentro das calças pode arruinar a vida de qualquer homem nas circunstâncias do Pete, que eu imagino um quarentão activo no mercado do engate como qualquer ex-casado que de repente se vê "sózinho em casa":

  1. A camisa dentro das calças não favorece a maior parte dos homens, devido àquela coisa da “curva da felicidade”, que a ex-mulher chamará desrespeitosamente de pança e uma candidata a namorada de barriguinha.
  2. Em relação às t-shirts, nunca, jamais em tempo algum se devem meter dentro das calças. Mas isso imagino eu que só ainda acontece nos Estados Unidos, onde os nativos na sua maioria, não os que aparecem nas séries ou nos anúncios televisivos, vestem-se como homem algum em território nacional ousaria sair à rua. Nós por cá, tirando o Zé Camarinha do Bigode, temos homens que se vestem melhor do que os ingleses que nos poluem o Algarve ou do que os americanos que aterram ou atracam em Lisboa e acham tudo "very typical".
  3. O autor do texto fala depois dos jerseys, que são aquelas camisolas alusivas a clubes e ligas desportivas, que fazem furor nos States e que muitos pais trazem como recordação para os filhos, mas que são só para usar quando se vai ao estádio ou naqueles domingos de casa em que não se sabe o que vestir. Na nossa santa terra o que se vende mais ainda são os santinhos, mas se o Futre tivesse chegado à direcção do Sporting teríamos montes de t-shirts, sweats, porta-chaves, bonés e outras quinquilharias made in China. Seja como for andar com uma camisola que diga NIKE só no ginásio ou para fazer jogging.
  4. Por último vêm as sweats, mas aqui é preciso ser “bimbo mais bimbo não há” para enfiar uma coisa dessas por dentro do cinto, moda que sei que fez furor na década de oitenta, no tempo em que as calças se apertavam acima do umbigo.

É uma delícia percorrer este site e tenho a certeza de que lá vou voltar mais vezes.

O que acho curioso é que o tipo de temas que interessam aos homens nos tempos que correm não diverge muito dos temas que interessam às mulheres. O que muda é a forma de abordagem. Afinal, um diálogo que passe por glúteos tonificados ou por depilação a cera fria até pode ser uma coisa possível entre seres de planetas distintos...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 21:59
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011
Profissão: político

 

Tenho andado a conter-me.

Juro que tenho andado a evitar a piada fácil do homem que viu crianças a correr atrás de galinhas e afinal não se importa de correr atrás de coelhos.

Mas perante os últimos acontecimentos, com tanto borbadeamento informativo sobre o tema, é impossível não comentar o que se vai passando no nosso país de pequena política, quando algures por aí, entre Lisboa e Nova Iorque, pessoas da grande economia decidem o futuro próximo de quem vota mas não decide.

Não censuro que Nobre se junte ao PSD. A decisão é contraditória, ambígua, paradoxal, mas este candidato a Presidente demonstrou tantas vezes a sua curta memória e inabilidade política, que no fundo Nobre não está a ser mais do que coerente consigo próprio, na lógica do “cada cavadela, um minhoca”.

Questiono-me sim, como crê este Sr. Dr. que conquistou tantos fãs com o estatuto de anti-herói do movimento cívico, que exercendo o cargo de Presidente da Assembleia da República (P.A.R.) poderá ter na política um papel activo. A inexperiência política de Nobre é evidente, mas por certo este candidato - que concluo quer é ser Presidente de alguma coisa, porque se habituou ao título desde que passou pela AMI - nunca assistiu a uma enfadonha sessão parlamentar na AR TV.

O P.A.R.concede a palavra, gere tempos de intervenção, pede educadamente ao orador que termine a sua prédica, no limite sugere-lhe que se cale quando a intervenção excede o tempo de antena ou ultrapassa o tom que os níveis de educação no hemiciclo tomam como aceitáveis perante a baixa bitola da linguagem boçal e do insulto gratuito. O P.A.R. conta votos mas não emite juízos de valor nem sugere temas para debate.

Quanto ao facto de Nobre ser um homem que se assume como de esquerda e aceitar a ligação a um partido de direita o que tenho a comentar é que me parece cada vez mais que os políticos são comos os jogadores de futebol: marcam golos pelo clube que lhes paga o ordenado! Por exemplo, o Rui Costa sempre foi do Benfica, segundo consta, e não foi por isso que deixou de assinar contrato com outro clube e foi ao estádio da Luz marcar golos sem cerimónia nem vergonha.

Ainda hoje, se informava que Basílio Horta, que todos conhecemos como figura proeminente do C.D.S., ia ser cabeça de lista pelo P.S..

A viragem da esquerda para a direita e da direita para esquerda é pois uma coisa comum. Comum, mas não natural.

O equivalente a estas trocas de orientação ideológica é a alternância na orientação sexual: hetero porque é suposto, gay porque até está na moda, abstinência sexual quando se anda em baixa de forma, se alinha por uma religião fundamentalista ou se está simplesmente farto de brincadeiras a tender para o promíscuo.

Admiro bastante o discurso inteligente do Francisco Louçã mas jamais votaria no Bloco de Esquerda porque não subscrevo os pilares dogmáticos que sustentam as suas propostas governativas. Supostamente sou de direita mas desilude-me imenso esta forma de fazer oposição assente na negociação de tachos e cunhas em vez de marcação cerrada ao que se faz, se diz e se propõe nas reuniões do F.M.I.

A política desilude-me.

Quero votar e desta vez, mais do que nunca, tenho de fazer porque é esse o meu dever cívico se quero mudar o que me parece que está errado, ou no mínimo demonstrar o meu descontentamento, mas esta caça ao voto por índices de popularidade converte a governação numa espécie de comércio que me envergonha e indigna.

Um dia destes temos o C.D.S. a anunciar os “homens da luta” (no âmbito desta coerência disléxica) como futuros líderes de bancada só para conseguir “comprar” votos da malta que anda à rasca mas continua a usar sapatinhos de vela e pullover Paul & Shark por cima da camisa...



publicado por teoriasdacosta às 21:20
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Terça-feira, 8 de Março de 2011
Dia Internacional da Mulher... uma data no calendário, sem ofensa...

 

Hoje, feriado de Carnaval, também é o Dia Internacional da Mulher. Recebi até uma flor por causa disso!

Como não me identifico com o estilo que queima soutiens e entende que é sinal de emancipação ter pêlos nas axilas, não me choca nem me ofende que exista um Dia Internacional que me celebra enquanto género. Esta data não me submete nem me inferioriza. É tão natural como o Dia da Árvore ou da Osteoperose ou da Àgua ou das Víndimas.

Há um ressabiado discurso feminista que se revolta contra o paradigma patriarcal e sexista implícito na celebração da mulher numa data comemorativa. Normalmente estas reaccionárias evocam os tempos da Inquisição em que eram perseguidas as mulheres por se decretar que as insubmissas com opinião eram bruxas ou estavam possuídas. Nos discursos mais inflamados recua-se ao machismo implícito no Gênesis que faz surgir Eva a partir de uma costela de Adão em vez de cinzelada em mármore por um Deus com talento de DaVinci ou nascida de um nenúfar qual fada ou ser místico.

Não ignoro nem subestimo que existiram na história mulheres notáveis, cuja perseverança, coragem e audácia, permitiram que o sexo tido como fraco se emancipasse e conquistasse direitos exclusivos dos homens, tendo algumas granjeado essas vitórias com a perda da própria vida.

Não suporto é a demagogia a tender para o lamechas que defende que as mulheres são seres para lá do extraordinário porque conseguem ser mães, companheiras, ter carreiras profissionais, ir às compras no intervalo de almoço, cozinhar numa hora seis refeições para três dias, ser brilhantes em reuniões de direcção, frequentar o ginásio pelo menos duas vezes por semana e estarem sempre com bom aspecto, mesmo depois de dez horas em saltos altos com uma saia justa.

Para mim ser capaz de fazer tudo isto é normal. É suposto quando se tem objectivos amplos de vida.

Para mim, para as mulheres da minha geração, para a minha Mãe e para as suas amigas, ter nascido mulher não é incompatível com ter uma carreira, uma identidade para além do papel social de mulher e de mãe. Não é depreciativo passar uma tarde na cozinha de avental a fazer bolos nem sinónimo de futilidade fugir por umas horas até ao SPA para fazer uma massagem e ter como rotina semanal arranjar o cabelo e as unhas.

Não estou alheada do que se passa para lá do meu mundo urbano ocidental onde há ainda mulheres que caminham cabisbaixas atrás do homem que as violenta física e psíquicamente, sobrevivendo na condição de servas sem sequer terem o direito de olhar nos olhos quem as maltrata e agride. Também não ignoro que algures na minha rua é provável que exista uma mulher que leva porrada do marido, outra que já foi violada e outra que tenha de se defender todos os dias do assédio do seu chefe no local de trabalho.

Eu, que andei em escolas públicas mistas, frequentei a catequese e entrei para a faculdade, sem que em momento algum me tenha surgido qualquer dúvida de que meninos e meninas eram iguais, excluíndo-se a parte fisionómica do pênis e da vagina, constactei mal entrei no mercado de trabalho que no processo de selecção uma pergunta quase certa nas entrevistas era saber se eu era casada, e se tinha ou queria ter filhos (questão tão improvável para colocar a um candidato homem como perguntar-lhe se ele é gay e se tem hobbies fetichistas). Concluí rapidamente que os homens ganham mais para iguais funções e que uma mulher que queira subir na carreira tem de ter apetência para desportos radicais porque a ascensão faz-se sempre numa escarpa íngreme com acentuado declive. Verifico ainda, que quando os filhos ficam doentes ou caem na escola e abrem a cabeça, é suposto que seja a mãe a largar tudo para prestar assistência, porque é assim que está convencionado ou dá mais jeito ou está inscrito na nossa carga genética.

Sem querer ser machista, muito menos feminista, cínica ou hirónica, a inteligência humana está em sermos capazes de ultrapassar a lógica invisível da definição de papéis, medição de forças ou ponderação de traços de carácter. Homens e mulheres são efectivamente diferentes para além dos orgãos genitais, mas essas diferenças não determinam que elas sejam menos capazes do que eles – mais fracas em termos físicos talvez, e mais sensíveis sim, sem qualquer sombra de dúvida – ou que não agradeçam quando eles, num sinal de boa educação que caí sempre com imenso charme, lhes dão passagem ou cedem a vez numa fila.

Proclamar que há igualdade de direitos entre homens e mulheres – porque há mulheres a conduzir autocarros ou homens a seguirem a vocação de educadores de infância - é pura demagogia. Mas insistir em enfatizar nas mulheres apenas o seu sofrimento de vítimas é ser parcial e desvalorizar a grandeza das mulheres que nos inspiram.

A celebração de um dia que é Internacional e é da Mulher, é apenas mais uma data de calendário não é uma piada ofensiva.

 



publicado por teoriasdacosta às 21:26
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
Os homens gostam mais de sexo do que as mulheres!?!?!?!?!?!?!?

 

A propósito da teoria do capital erótico escrevi que a líbido das mulheres decresce a partir dos 30. É um facto. Vem nos livros, nas publicações científicas, em revistas como a Maria, a Happy e a Cosmopolitan. Confesso até que em conversa com amigas minhas vejo mesmo que assim é. Já conheço mulheres que têm em relação ao sexo a mesma postura que eu só imaginava possível no tempo das nossas avozinhas: fazem o que têm a fazer a bem da média estatística mas nos restantes dias da semana agradecem que os maridos não as chateiem.

Reza a lenda que os homens estão sempre a postos para dar uma queca. As mulheres, por sua vez, tendem a só ter disposição quando estão apaixonadas, se existe um clima de romance, se se sentem bem com o próprio corpo, se não se esqueceram de tirar do congelador a carne que vão assar para o almoço no dia seguinte.

Um Professor de Sociologia da Universidade de Chicago - Phd está claro! – de nome Edward O. Laumman tem-se dedicado ao estudo da organização sexual da sociedade, não propriamente em termos da estratificação social por géneros, mas antes em relação às práticas sexuais por género. Concluíu este investigador, num mega estudo no universo norte-americano que, em primeiro lugar, e como qualquer texano, polícia sinaleiro, bombeiro, caixa de supermercado ou médico dentista confirmaria: os homens pensam mais em sexo do que as mulheres.

Esta conclusão que não espanta ninguém é seguida por outra que explica porque o mercado-alvo da indústria do sexo continua a ser o grupo masculino: os homens não só pensam mais em sexo do que as mulheres, como também procuram mais avidamente ter relações sexuais.

(Agora uma teoria que é minha: se calhar é esta afinidade entre líbidos que justifica a existência de tantos maricas...)

O mecanismo de excitação feminino é muito mais complexo do que o masculino. Basicamente os homens, práticos como são, funcionam como electrodomésticos que ou estão off ou estão on. As mulheres serão o equivalente a uma nave espacial (a forma fálica é coincidência) cheia de botões, programas e modos, difícil de operar mesmo com manual de instruções. Concluíu um estudo sobre o que provoca a excitação entre homens e mulheres, que enquanto os homens são previsíveis, as mulheres se revelam uma caixinha de surpresas. Em muitos casos nem elas próprias são capazes de identificar o que as faz “aquecer”.

Enquanto um homem, ao assistir a um filme pornográfico, por exemplo, fica  excitado quase instantaneamente, uma mulher é capaz de assistir a uma cena hard core entre um casal e deter-se em pormenores como o tamanho do sexo do pseudo-actor (que em regra será maior do que o do seu parceiro) e a celulite no rabo da pseudo-actriz (que em regra será um bâlsamo para a sua auto-estima).

O desejo feminino gera-se na cabeça e não entre as pernas. As mulheres precisam de um contexto. Em regra, para uma mulher é importante que exista uma relação antes que exista sexo. Para os homens a relação é o sexo e está tudo dito.

As mulheres gostam de uma boa conversa antes uma boa queca, para os homens uma boa linguagem corporal é sinónimo de uma boa queca.

Outra conclusão importante de tantos estudos e inquéritos é que a líbido feminina é influenciada por factores sociais e culturais. Isto é fácil de perceber. Em sociedades ditas ultra-modernas as mulheres tendem a assumir comportamentos predadores como os homens, têm mais parceiros e são mais ousadas, mesmo que não lhes apeteça. Em sociedades ou para mentalidades mais conservadoras o sexo é ainda um enigma, uma coisa para fazer entre portas, na posição do missionário, deixando-se as habilidades e piruetas para as mulheres da má-vida.

Laumman explica esta vulnerabilidade feminina às influências externas com recurso à socio-biologia. A sua explicação apela aos instintos primitivos: os homens querem mais sexo porque querem disseminar a sua marca genética; as mulheres escolhem melhor os seus parceiros porque no subconsciente estão a seleccionar o hipotético melhor pai para os seus filhos.

Por fim, a questão do orgasmo. Matemáticamente, um homem consegue atingir um orgasmo em média quatro minutos após a penetração – excluíndo os casos de ejaculação precoce, rapidinhas e atletas de competição com muita endurance -; as mulheres demoram entre dez a onze minutos. Este facto científico esclarece porque tantas mulheres não têm orgasmos. Os números dizem que 75% dos homens têm sempre orgasmos (mesmo assim até acho pouco) enquanto que apenas 26% das mulheres têm a felicidade de poder dizer o mesmo. O pior é que os homens nem sequer percebem isso pois quando inquiridos eles dizem que elas têm orgasmo pelo menos 45% das vezes.

Uma evidência que confirma a chamada mentira piedosa ("Ai querido, tu hoje estavas demoníaco!") e que muitos machos que por aí andam e  se julgam uns heróis na cama, afinal não são capazes de perceber quando o jogo fica 1-0.  

 



publicado por teoriasdacosta às 22:05
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