Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
Mestres da culinária

 

Antiga como sou, ainda faço parte da geração que via os homens que se dedicavam a profissões como educadores de infância, cabeleireiros ou cozinheiros como seres um pouco estranhos, efeminados direi não arriscando a palavra gay já que no meu tempo ainda estava na moda ser hetero.

Recordo sem saudade os tempos em que o Manuel Luís Goucha surgiu no ecran, na altura talvez apenas uma figura curiosa, com bigode à Zéze Camarinha mas com voz, tiques e trejeitos similares aos de Filipa Vacondeus.

Há relativamente pouco tempo, talvez quando o Jamie Oliver começou a aparecer na SIC Mulher com a sua cozinha rural-chique, começamos a designar os cozinheiros por chefs e a venerar esses homens com receitas simples mas bonitinhas como verdadeiros sex symbol, comparáveis a deuses gregos.

O Jamie Oliver é simpático e bem-intencionado. Como qualquer pessoa que quer subir na vida nos dias que correm tornou-se célebre a partir de um talk show, tal como o Ramsay, que em vez de loirinho simpático se faz valer da pinta de mau. Não percebo a razão do sucesso do rapaz que fala à “sopinha de massa”. Muito menos percebo o interesse de um programa em que os candidatos cozinham todos os dias o mesmo prato até ao momento televisivo das audiências que corresponde à eliminação. Já entendo melhor o interesse de desafios como o MasterChef apesar de duvidar que alguém experimete em casa fazer tartines, coulants, coulis, confits e outras complicações de alquimia que passam ao lado das artes mágicas das Bimby´s.

Seja como for, a conclusão a que tenho chegado é que actualmente ser um mestre da culinária é garante de sex appeal. Só isso explica que aqueles rapazinhos escanzelados (aposto que todos mais novos do que eu), mesmo com a sua falta de largura de ombros, mãos rosadas e cabelos a cheirar a comida consigam ser tantas vezes capa de revista e imagem publicitária.

Muitas mulheres fantasiam com um imberbe de sorriso tímido que lhes prepare um jantar romântico, com qualquer coisa braseada, em molho de redução, com ingredientes inesperados como erva-doce, alga nori ou trigo sarraceno. Eu gosto de um homem que me visite quando estou na cozinha, que me beije o pescoço como pretexto para espreitar o que preparo, me puxe pela cintura e me faça rodopiar entre o fogão e o frigorífico.

Provavelmente sou mesmo antiga, mas eu gosto mesmo de ser uma espécie de Barbie a brincar às casinhas. E não, não tenho Bimby porque sou tão tradicional que ainda acredito que os pratos têm mais personalidade quando não calibramos pesos, proporções e tempos de preparação.

(creio que o jantar  de hoje estava insonso...)

 

 



publicado por teoriasdacosta às 23:07
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
Homens, mulheres e automóveis...

 

Fim-de-semana em grande no Porto.

A zona da Baixa ao rubro com bandas a tocar por toda a parte, um singular mercado Portobello no sábado à tarde, esplanadas apinhadas numa boémia efervescente, o Portugal Fashion com suas aves raras no Palácio do Freixo, as Galerias inundadas noite fora por um infindável mar de gente.

Uma temperatura ainda de Verono (nome fantástico que escutei para esta nova estação que se instalou depois do Verão e antes do Outono) e a conversa muito quente, por estarmos quatro mulheres de verbo fácil pródigas em tiradas sábias, satíricas, anedóticas ou eloquentes, bem acompanhadas por um tinto Syrah que nos fez grudar nas cadeiras do restaurante até sermos as últimas clientes.

Tenho amigas que já falam comigo como se me estivessem a dar dicas para uma teoria. Outras, com medo que alguém as identifique, pedem-me que não mencione nenhuma das nossas trocas de cromos e de galhardetes.

Entre todas, tempo para desabafar e desabar em lágrimas, rir muito, encontrar respostas e colocar perguntas, como se de um brainstorming entre loiras e morenas pudesse sair poção milagrosa ou solução mágica para todos os problemas.

Não vou mencionar nenhum dos assuntos. Posso apenas dizer que entre tanto o que se divagou sobre este ser que nos fascina e que recebe a designação de “homem” tivemos alguma dificuldade em encontrar um padrão, um fio condutor, uma lógica entre acção-reacção, palavra-pensamento, suficientemente credível e cabal para enquadrar as cartas atiradas para a mesa sobre telefonemas equívocos, silêncios inexplicáveis, ausências por tempo incerto, surpresas com travo agridoce, partidas apressadas e outros peculiares comportamentos.

No final, porque três amigas trocaram recentemente de carro e isto deu que falar quando ainda estávamos na fase da ementa, ocorreu-me que homens, mulheres e automóveis serão sempre variáveis independentes.

O que uma mulher quer num carro é que seja giro, tenho volante e rodas. Depois compra um usado que até é descapotável e topo de gama full extras, mas descobre que este mete água, que o seu interior com requintes de mogno e pele branca é um engodo, que é impossível ouvir a "música da sua vida" porque qualquer som é absorvido por uma insuportável chiadeira, perdem-se molas, porcas e jantes em cada trajecto, a garantia não menciona que o veículo foi reciclado com uma série de peças não autênticas. Vai-se o charme fica o chaço…

O homem só decide que carro quer depois de dar umas voltas. Confere a cilindrada, o ano, o chassis, os acabamentos, as polegadas e as outras tretas que compõem um ficha técnica, faz um test drive, retém o carro durante um fim-de-semana à experiência, ouve umas opiniões, medita introspectivamente, e só então decide se o investimento vale a pena.

Poucas serão as mulheres com algum entendimento de mecânica, capazes de mudar um pneu, com destreza para utilizar um macaco pneumático ou uma chave de fendas. Poucas são pois as mulheres capazes de entender a engrenagem do motor que faz acelerar um homem à sua máxima potência. Não falo em sexo mas sim em elevar um macho à qualidade de homem honesto, isto é, de homem que não mente, não traí, não dissimula, não ofende nem desaparece sem rasto, uma saída pela porta dos fundos sem direito a abraço sentido nem um “adeus até ao meu regresso!”

Assim, à primeira vista, todas as mulheres acreditam que é tudo uma questão de embraiagem e de ponto-morto, fiando-se que basta que o carro nunca vá a baixo para que o motor trabalhe a vida toda. O problema é que os homens não são só mudanças, marcha-atrás, piscas e médios, nenhum traz livro de instruções e o computador de bordo não é tão intuitivo como o painel com botõezinhos da Bimby nem tão básico como um interruptor apaga-acende.

As mulheres podem ser tão complexas como mapas astrais em que se cruzam cometas, estrelas e planetas, mas os homens são blocos de apontamentos onde se desenham estradas como rectas, para mal a viagem começa se perceber que as direcções não contemplam as rotundas, as lombas, as curvas perigosas, as inversões de marcha e as saídas de emergência.

Entendido ou preciso de fazer um esquema?

 



publicado por teoriasdacosta às 21:51
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
10 falhas fatais para o Sexo Masculino

 

A história dos homens com a camisa dentro das calças deu o mote para uma girltalk entre posts no FaceBook, telefonemas e troca de piadas na pausa para o cafézinho.

Chego assim a um elenco de coisas que deixam as mulheres (contemporâneas) em estado de pré-histeria:

1. Pêlos nos ombros

Ughhhh! A depilação masculina não é coisa de travestis, drag queens ou maricas. Se as mulheres sofrem a tirar pêlos nas virilhas e nas axilas (ai que dor!), se até conseguem ter filhos, então não vejo razão alguma para que um homem que chega à idade adulta com corpo de urso – não necessariamente daqueles fofinhos - não se submeta a um restauro com bandas de cera fria. Idem para pêlos que saem das orelhas e dos ouvidos. Há tesourinhas e pinças para tratar desses pintelhos (cito Catroga) mais atrevidos. 

2. Camisas de manga curta

Nunca, jamais em tempo algum! Principalmente quando se veste fato.

3. Meia branca

Acho que já não há homens com "pé de gesso", pois não?

4. Carecas não assumidas

Mais vale uma cabeça luzidia, assim tipo bola de bilhar, do que uma madeixa de cabelo que cresce acima da orelha esquerda e se cola com brilhantina à orelha direita ou outros truques  muito mal feitos para disfarçar a careca. Perucas e capachinhos são pelagens de animais mortos absolutamente proibidas.

5. Calções abaixo dos joelhos ou calças acima dos tornozelos

Fica ridículo. Um homem com calções compridos ou calças curtas parece sempre mais baixo e gordo do que efectivamente é. A coisa agrava-se se a dita peça de roupa for em ganga ou se vier apetrechada de bolsos, fechos e tachinhas como um carro em versão tunning.

6. Unhas roídas

Não sei se está científicamente comprovado ou se é facto que intuo por amostragem entre amigas, mas uma das coisas em que uma mulher repara logo no primeiro encontro é nas mãos que vêm apensas a determinada figura masculina. Unhas roídas é mau, denotam falta de auto-controle e de nervosismo. Unhas arranjadas com vestígios de verniz (daqueles endurecedores que supostamente são transparentes mas deixam sempre um certo brilho) também não são coisa normal, por mais metrosexual que seja o rapazinho.

7. Gravatas com nós gordos

Enfiadas naquelas camisas com colarinhos super engomados que se vendem numa loja que começa em S e acaba em OOR, que fazem com que os pescoços minguem e percam mobilidade, tornando o homem que o veste uma espécie de Robocop. A imagem fere a vista se a gravata vier com padrões ou em tons garridos...

8. Arrotos e outros sinais sonoros

Mesmo quando a relação avança para a intimidade, se partilha cama, casa-de-banho e lista de compras, há que manter um certo pudor nas manifestações corporais que se deixam escapar para o exterior.

9. Odor corporal

Há aquela teoria das feromonas e de como homens e mulheres são atraídos pelo cheiro, como dois animais se encontram em plena selva numa noite escura, mas o cheiro do corpo au naturel nem sempre é um aroma agradável. Para isso existe uma tão activa indústria de perfumes (e se investe tanto em anúncios fabulosos como o do AXE).

10. Silêncios e hum-huns

Mais uma verdade empírica, que por certo já foi estudada: as mulheres adoram homens que as fazem rir. Não com cócigas, porque isso é coisa de meninos, mas com aquele humor que pode ser americano, para as que gostam de piadas evidentes, ou very british, para as que gostam de raciocínios elaborados, teoremas e enigmas. Passada a fase da conquista onde as piadas têm um certo sex appeal é importante que um homem saiba manter um diálogo sobre qualquer tema, desde política ao vestido ridículo com que apareceu a prima gorda numa festa de família. Assim sendo, nada pior do que um homem que se enfia na já por aqui referida “caixa do nada”, não discute, não opina nem contraria, limitando-se a emitir uns sinais vitais para que tenhamos a certeza de que ainda não está a dormir.

 

PROMETO QUE ESCREVO IDÊNTICO TEXTO COM OS GRANDES "NÃOS" PARA AS MENINAS...

 



publicado por teoriasdacosta às 21:43
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Terça-feira, 27 de Abril de 2010
À espera do homem perfeito...

 

Depois de uns dias a falar de coisas sérias apetece-me divagar pelo universo maravilhoso dos relacionamentos: complexo na diversidade, curioso nos comportamentos, ambíguo na forma como os seres humanos expressam o que sentem, quando são capazes de definir o que sentem, de assumir o que sentem ou sequer, de perceber que sentem alguma coisa.

O tema é "à procura do homem perfeito", missão impossível a que muitas mulheres dedicam a sua vida, para acabarem como a imagem da fotografia: à espera até à morte.

Talvez o homem perfeito esteja no céu e seja um anjo. Relembro apenas que os anjos são, por definição assexuados, e um homem sem sexo não serve para grande coisa... A menos que, depois de mortas, isso também já não interesse nada...

Creio que toda as mulheres têm desenhado no coração, no cérebro ou no colchão o perfil do homem dos seus sonhos.

Na prática, raras são as vezes em que esse príncipe aparece. Principalmente porque o homem bonito, atlético, inteligente, sorridente e meigo na medida certa e nas proporções exactas não existe ou, existindo, será certamente gay, está casado e é fidelíssimo, ou então é daqueles solteiros “filhos da mãe”, o tipo de homem que não interessa a ninguém.

Dado que os príncipes são raros, estão já tomados ou têm a orientação sexual errada, as mulheres acabam sempre por ter de se contentar com sapos, alguns que até são suficientemente giros e interessantes, outros que as fazem morrer de tédio ou de raiva mas são sempre melhor do que nada, outros ainda que, não aquecem nem arrefecem, são apenas utéis para a bricolage e para aparecer em eventos e festas de família acompanhada.

A prática, a experiência, o passar do tempo e esta coisa fantástica que gosto de exibir sarcasticamente quando estou com miúdas de vinte e que dá pelo nome de maturidade, já me fez perceber que a vida não se reduz a uma função matemática. Há uns anos, acreditava que todas as coisas não eram mais do que hipérboles, um conjunto de pontos equidistantes. Hoje sei que a vida se pincela numa tela imensa sob a forma de arte abstracta, com algumas rectas que raramente são perfeitas porque são traçadas sem régua nem esquadro.

A procura do “homem certo” é uma utopia, uma viagem sem fim à vista, que pode ser solitária e que quase sempre desgasta mais do que dá prazer ou traz felicidade.

Com o tempo aprendemos a perceber nos outros aquilo que também começamos a admitir em relação a nós próprios: não há seres perfeitos.

O importante na escolha da pessoa certa não é olhar para o homem que reune as características que nos podem fazer felizes hoje, mas sim aquele que continuará a fazer-nos felizes daqui a cinco, dez anos, quando deixarmos ambos de ser tão atraentes, tão vigorosos, sorridentes e fantásticos, como as pessoas com ar de bem sucedidas que são figurantes nos anúncios dos bancos. Não quero com isto dizer que uma mulher deva ser menos exigente. Deve é encarar a escolha do homem certo como pondera a decisão de compra de uma casa: mesmo quando não pretendemos ficar no mesmo T0 toda a vida, temos de olhar para aqueles m2 como o lar dos nossos sonhos e ao mesmo tempo antecipar o potencial de negócio se o quisermos vender ou arrendar dali a uns anos.

Há homens que escolhemos hoje que, mesmo que não fiquem connosco até sermos velhinhas nos podem trazer tanto em termos de companhia e de aprendizagem, que valem bem a pena que se corra o risco de investir ao seu lado um segmento da nossa vida, só porque depois, mesmo que a relação acabe, ficamos melhores seres humanos, capazes de amar melhor e de apreciar com a sabedoria e a paciência de um bom gourmet as virtudes de uma relação a dois. Na pior das hipóteses, quando o homem que nos deu tanto de repente nos rouba um pedaço do que somos, pode acontecer que a opção seja, definitivamente, uma existência solitária. Ou então procurar uma gaja...

Um estudo norte-americano elaborado com a colaboração de sociólogos, neuro-biólogos, psicólogos, terapêutas matrimoniais, economistas e outros especialistas em assuntos sociais, comportamentais, matrimoniais e sexuais (incluíndo padres, virgens e mães!) identificou os cinco maiores complexos na escolha de um parceiro. A conclusão evidente quando os li é que afinal estes preconceitos negativos não são desvantagens assim tão fundamentais:

A altura

Nenhuma mulher quer um homem mais baixo do que ela. Casais tipo o Sarkosy com a sua top model são ridículos, com ele a usar sapatos com plataformas e ela condenada a calçar sempre sabrinas ou a ter de olhar para baixo sempre que quer encontrá-lo. Eu, que tenho um metro e sessenta e seis às vezes tenho dificuldade em encontrar um homem que fique dignamente ao meu lado se eu me empoleirar nuns saltos altos. Seja como for, desde que a desproporção não coloque o outro ser fora do meu campo de visão, não me parece que a altura seja obstáculo. A solução é simples; não dar as mãos, sequer andar abraçado em público.  

Os gostos e preferências

A conversa standard de qualquer primeiro encontro é sempre sobre a música que cada um gosta de ouvir, o livro que está na mesa-de- cabeceira (mesmo que seja só uma peça decorativa para impressionar a candidata a companheira, quando se teme pela avaliação que esta vai fazer da performance na cama: a homens mais intelectuais tolera-se uma pontuação mais baixa...), a última vez que fomos ao cinema, o local de férias preferido, os restaurantes cujo número está gravado no telemóvel, os sítios para onde se gosta de ir à noite (mesmo que seja o sofá lá de casa) e outros factos que alinhados num questionário permitem elaborar o perfil do espécimen sentado à nossa frente. A experiência já me demonstrou que pessoas muito parecidas não formam necessariamente um bom casal e que às vezes, são as diferenças, mesmo quando tão abismais que chegam a ser antagónicas e factor de choque, que trazem a uma relação aquele “toque de pimenta” que torna o seu palador único e estimulante.

A profissão e os hobbies

Aqui confesso o meu preconceito: sou incapaz de me interessar por um homem que não tenha uma posição socialmente prestigiante (não precisa de ser deputado, até porque isso não prestigia ninguém, não pode é ser funcionário administrativo daqueles que lambem envelopes...), que supostamente ganhe mais dinheiro do que eu, e que não pratique qualquer desporto como actividade diária. Sucede porém que os homens que colocam a carreira acima de tudo, que têm egos inflamados, que passam horas a ver-se ao espelho no ginásio revelam-se na maior parte dos casos seres insuportáveis. As pessoas muito ambiciosas (como eu sei que sou) e carismáticas (como eu gostava de ser) nem sempre arranjam tempo para se dedicar a quem tem paciência para estar ao seu lado...

A idade

Nunca namorei com ninguém da minha idade. Andei sempre com homens entre cinco a catorze anos mais velhos, por achar ser esse o segmento mais próximo do meu nível de maturidade, com a vantagem de que para eles, uma mulher mais jovem é sempre uma vaidade, e para nós, um homem mais sénior é menor fonte de preocupação (já viram tudo o que tinham a ver, já experimentaram mulheres de todas as formas e formatos por isso a probabilidade de nos trocarem por alguém por uma mera questão de curiosidade é uma hipótese afastada). A desvantagem da diferença de idades está muitas vezes na falta de um “património cultural comum”, tipo termos ouvido as mesmas músicas, termos como referência os mesmos autores ou termos a tal recordação do “onde estavas tu no 25 de Abril?”. A idade não é relevante. A importância está na partilha de valores.

O “meu tipo de pessoa”

Todos temos uma percepção sobre nós enquanto seres sociais, com determinada imagem, certo status, um padrão de comportamentos e uma palete de características que compoem a personagem que achamos que somos ou com a qual nos queremos parecer.

Cada pessoa define-se como um “tipo”. O “tipo” de pessoa que eu sou tende a procurar pessoas de um “tipo” semelhante. O problema é que os “tipos” que saem do esterótipo são às vezes os que se revelam mais interessantes...

 

Moral da história, se é para esperar pelo homem perfeito... mais vale ficar sentada... até virar cadáver...

Se for para fazer cedências, pode ser que o homem que é perfeito para nós seja mesmo aquele que está sentado ao nosso lado...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 19:03
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Terça-feira, 13 de Abril de 2010
As coisas que os homens não sabem sobre as mulheres....

Depois das quatro coisas que nós não sabíamos sobre os homens, ou pelo menos sobre as quais andavamos distraídas, aqui ficam as coisas que eles não sabem sobre nós.

Não são quatro, porque isso é coisa de gente básica e as mulheres, como se sabe, são produto de ligações, chips, motherboards e outras coisas que tais, umas vezes a tender para o simples com toque minimalista outras a tender para o sofisticado com brilhos Swavrovsky.

Assim sendo, há 10 coisas - DEZ COISAS!!!!, notem bem, - QUE OS HOMENS NÃO SABEM SOBRE AS MULHERES... NO MÍNIMO!

(Este texto tem por inspiração um artigo de Stacey Grenrock Woods publicado no Esquire. Só publico isto para não ser acusada de plágio, porque ler o Esquire soa a chique e porque não quero que pensem que sou uma feminista com tendências sexuais duvidosas a tender para o reaccionário)

Facto 1: As mulheres não gostam de coisas explosivas
Não falo como é evidente de homens-bomba, daqueles que se fazem explodir na ânsia de encontrarem no além um harém carregadinho de virgens, porque um homem que quer mulheres sem experiência é homem que não interessa a ninguém. Também não falo de bombas em sentido literal, tipo granadas ou maus cheiros de Carnaval. Refiro-me aqueles grandes cataclismos, tipo tempestade de areia ou vendaval, que acontecem sempre que entra um homem explosivo na nossa vida, daqueles que implodem com o nosso coração mas deixam tudo cheio de destroços à volta. Por muito que uma mulher goste de acção, dispensam-se todos os cenários de guerrilha.

Facto 2: As mulheres têm menos piada do que os homens
Há mais stand up comedians masculinos do que femininos mas isto por si não quer dizer nada. As mulheres têm menos jeito para contar anedotas da mesma forma que têm menos apetência para dar uns toques na bola. Eles têm mais piada, por isso é que nós às vezes até andamos com tipos que têm uma beleza próxima do inexplicável mas que nos fazem rir às gargalhadas. Eles andam com as mulheres que se riem das piadas deles. Por norma.

Facto 3: As mulheres envelhecem pior do que os homens
É mesmo uma injustiça, mas é verdade! Mesmo que eles fiquem carecas (desde que a cabeça não brilhe como bola de discoteca reluzente) e com barriga (desde que não ultrapassem a aparência das dez semanas de gestação) há-de sempre haver uma mulher que lhes ache piada. Nós, pelo contrário, com tanta concorrência com metade da nossa idade desesperada por ter homem, à medida que engordamos e ganhamos volume nas ancas ficamos umas senhoras que ninguém aprecia, nem sequer os trolhas das obras! Maldita menopausa...

Facto 4: As mulheres só sabem até 10% do que se passa na cabeça de um homem

A acreditar que a tese da "caixa do nada" é verdadeira, então em grande parte do tempo o cérebro de um homem é um imenso caixote vazio e escuro, uma espécie de televisor desligado, uma mira técnica com um pio fino (lembram-se disto nos anos setenta/oitenta?). As mulheres não fazem a mais pálida ideia do que se passa na cabeça de um homem porque acham que ele pensa sempre em mais coisas do que ele efectivamente tem pachorra para deixar entrar na sua série de caixas harmoniosamente arrumadas: a do futebol, a dos carros, a das gajas, a do trabalho, a da cerveja com tremoços e a dos "outros", onde se amontoam todos os assuntos que as mulheres fazem questão de ir abordando, como relações, família, filhos e idas ao supermercado.

Facto 5: As mulheres gostam de ser convidadas para jantar fora

Nem que seja, na pior das hipóteses ou no melhor dos dias, por uma amiga que também não tem outra companhia para além da SIC Notícias ou da SIC Mulher.

Facto 6: As mulheres tendem a acumular antiguidades

Por mais modernas e arrumadas que sejam as suas casas há sempre os peluches da adolescência, as pulseiras da amizade, os recuerdos da viagem inesquecível de que já se esqueceram os detalhes, as roupas que já não servem mas ficam como lembrança de tempos áureos, as sandálias que magoam e por isso ficaram encostadas, as botas que estão rotas de velhas mas que se não deitam ao lixo porque foram extraordinaramente caras...

Facto 7: As mulheres adoram cheirar essências

Seja numa loja de velas, de sabões com formato de bolo, numa perfumaria ou na secção de pout-pourri do IKEA, as mulheres adoram aproximar tudo o que tem ar de ter cheiro do nariz, snifando, snifando, snifando... como se fossem experts em odores ou como se quisessem ficar com o aroma agarrado às narinas. Isto pode ser um perigo para homens com odores corporais estranhos..

Facto 8: As mulheres estacionam mal os carros

Aqui custa-me admitir isto porque tenho a mania de que sou um ás ao volante, mas realmente acho que grande parte das mulheres são umas azelhas no trânsito, principalmente em manobras tão simples como uma inversão de marcha ou tão exigentes como estacionar o carro entre outros dois carros. Diz a autora do texto original que a culpa é das roupas que as mulheres vestem, a tender para o complicado, dos sapatos que calçam, com saltos ou plataformas desproporcionadas, ou da sua estrutura frágil e delicada, não compatível nem adaptável a essa coisa do volante e da caixa de velocidades.

Facto 9: As mulheres adoram casamentos, até as lésbicas

É verdade. Por muito que estejamos fartas de despedidas de solteira, que já não tenhamos pachorra para as figuras tristes da lágrima ao canto do olho, dos vestidos de cerimónia, dos amigos feios do noivo e das pirosas músicas de baile, a verdade é que alinhamos todas nestas tretas com sorrisos divertidos e adoramos estas festas para nos rirmos como galinhas e apanharmos umas bebedeiras monumentais.

Facto 10: As "noites de mulheres" são uma ideia de mulheres em que qualquer uma preferiria sair com o namorado

É evidente que há excepções, e mal estaria se dissesse o contrário, já que sou pessoa que cultivo esta coisa à "Sexo e a Cidade" mas com muito mais piada e menos ataques ao ego: a Carrie é muito mais magra e gira do que eu (apesar de estar a ficar acabada), a Samantha tem mais rodagem e know-how do que alguma vez terei, a ruiva ganha muito mais dinheiro do que posso imaginar e tem uma carreira com mais sucesso do que aquele a que posso aspirar, a outra sonsa perdeu uns quilos a correr (a estúpida!) e, apesar de ter um modelo de vida de dondoca que não me agrada, é inquestionável que tem uma casa em Manhattan que eu não me importava de ocupar... Grrrrrr....

Só mais um detalhe que os homens ignoram em toda a sua dinâmica e extensão: somos umas invejosas... Mas queridas e simpáticas!

 

 

 



publicado por teoriasdacosta às 09:55
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Segunda-feira, 1 de Março de 2010
Teoria da mochila

 

Ontem assisti a um filme soberbo: “Nas nuvens”.
Já tinha lido críticas e ouvido comentários, nenhum minimamente próximo do impacto que este filme teve em mim. Devo confessar que me apeteceu sacar do Moleskine só para tomar notas, tão denso é o material que encontrei para desenvolver uma teoria.
A imagem que escolhi para ilustrar o texto corresponde ao dia-a-dia do personagem principal desempenhado por George Clooney, Ryan Bingham, mas corresponde também a uma metáfora do que nos acontece em certos momentos da vida, quando pressentimos que terminou uma etapa da viagem e sabemos que está na altura de tomar um novo rumo, mas nos sentimos atordoados entre salas imensas e passadeiras rolantes de aeroporto, indecisos, perdidos, atrasados ou adiantados, entre voos de ligação.
Ryan Bingham é um “conselheiro de transição de carreiras”, chamemos-lhe assim para aligeirar a crueza da sua profissão - despedir pessoas em empresas com processos difíceis de downsizing (redução de efectivos) - apresentando o pacote da indeminização e oferecendo os serviços de aconselhamento e acompanhamento na procura de novo emprego da consultora para quem trabalha. Infelizmente, também por cá já vão existindo estes consultores cuja missão é substituir-se à figura do chefe no momento de dispensar um colaborador, retirando toda a carga emocional a uma situação altamente stressante e constrangedora.
Apesar das reacções dos colaboradores dispensados – que vão da incredulidade à violência, do choro à apatia, passando pelo desenrolar dos seus dramas familares, dos seus problemas com auto-estima ou da frustação pela sensação de ingratidão por parte da empresa – é função de Bingham apresentar o despedimento como uma coisa positiva: uma oportunidade de mudança.
Dada a filosofia de vida deste consultor, quase que acreditamos que a perda de uma das âncoras fundamentais de qualquer adulto que não seja político ou herdeiro de uma colossal fortuna, pode mesmo ser uma vantagem, uma luz ao fundo do túnel, uma ocasião única, irrepetível e não menosprezável para tomar uma rota diferente e alterar rotinas.
Quando não está a despedir pessoas, Bingham é orador convidado naquelas palestras sobre motivação e desenvolvimento pessoal que proliferam nos E.U.A., uma espécie de homilias para gente que perdeu a fé na vida e que precisa de ver à sua frente alguém com um discurso mobilizador, dentição perfeita de um branco imaculado e exemplos práticos de como é possível passar de estafeta  a dono de um império de pizzas, de produtos químicos ou de esquisitices internáuticas, provando que, afinal, o american dream ainda existe.
O tema das palestras de Bingham é a “teoria da mochila”. A abordagem ou é feita numa perspectiva material ou numa perspectiva relacional.
De acordo com a primeira versão, se imaginássemos que tínhamos de colocar todo o conteúdo de nossa vida numa mochila, quais seriam as coisas a carregar? Bingham sugere que comecemos pelos pequenos items, aqueles que temos em prateleiras ou sobre os móveis, como os livros de que mais gostamos ou o espremedor de sumos Phillipe Starck que foi prenda de casamento; depois as coisas guardadas em caixas, como as fotografias ou a rosa seca que acompanhou o primeiro jantar com o grande amor da nossa vida; seguidamente as peças maiores, como a nossa cama fofa ou o sofá que tem desenhada a forma do nosso corpo; depois, como se fosse possível, os bens patrimonias, como o carro e a casa, com todas as tralhices que cabem lá dentro, desde a cozinha em tom beringela comprada no IKEA, à hipoteca e às prestações que nos vão perseguir até ao final da vida.
Na segunda versão, a lógica de encher a mochila é seleccionar as pessoas que são importantes para nós, começando pelos conhecidos, tipo os que constituem a nossa rede no FaceBook, depois os amigos da borga, depois a família afastada, depois os amigos do peito, e por último a família que está presente no nosso dia-a-dia.
No final do discurso de “encher a mochila” o orador pergunta “Sentem o peso da mochila nas vossas costas? Agora tentem caminhar com esse peso sobre os ombros. Difícil não é? Quanto menor for a carga que suportamos mais depressa nos movemos. Quanto mais lentamente avançarmos mais depressa morremos.”
A plateia faz ahhhhhhh!, aplaude e Bingham sorri triunfante, retomando com a sua mochila onde tem metódicamente compactados os items absolutamente essenciais para manter o seu ar clean e profissional de executivo, a sua vida feita de viagens constantes de avião, tantas, que atinge os dez milhões de milhas no seu cartão de Frequent Flyer.
Bingham tem juma casa inócua onde passa meia dúzia de dias por ano, duas irmãs com quem raramente se encontra, vive só entre a multidão que se amontoa entre terminais de aeroporto, interagindo apenas com os forasteiros que com ele se cruzam em bares de hotel e com aqueles que tem como missão despedir.
Depois de explicada a teoria que enquadra o personagem principal, eis a minha visão particular das mensagens transmitidas por este filme:
1.       Andamos mesmo com excesso de “tralha” às costas
Ao longo da vida, vamos acumulando coisas e amparando pessoas, que carregamos às costas e que, efectivamente, nos atrasam o passo, nos fazem perder oportunidades e por vezes nos desviam do nosso caminho. A filosofia de Binghman, que consegue meter toda a sua existência numa mala de cabine, não é de todo perfeita, como se vem a perceber no filme quando ele conhece alguém com quem lhe apetece acordar e não despachar do quarto depois do sexo, como recomenda a ética que gere as relações fortuitas. Mas entre o excesso de carga e o vazio, há um meio termo que devemos ser capazes de definir, de forma a mantermos a velocidade-cruzeiro a que pretendemos percorrer o nosso caminho.
2.       É possível e desejável reciclar alguma da “tralha” que carregamos
Isto posso atestar eu que, tendo mudado três vezes de casa em três anos, fui deixando ficar em contentores as coisas que já não cabiam em caixotes e que, no fundo, tinham um valor sentimental mais relativo do que eu imaginava e uma utilidade para lá do fútil. De facto, quanto menos caixas ocupar a nossa vida maior a facilidade com que admitimos mudar, sendo que a mudança é, muitas vez, uma coisa positiva.
3.       Ficamos reféns dos nossos planos se não admitirmos que sem cedências não os conseguimos realizar
Aqui tenho de falar de um diálogo entre Bingham e a sua amiga colorida, ambos executivos com carreira consolidada e idade próxima ou para lá dos quarenta, e a recém-licenciada de nariz empinado, colega de trabalho de Bingham, que o acompanha numa das suas digressões de despedimentos em banda. Revejo-me na miúda, tal como eu era aos vinte e três, cheia de planos e ideias fixas, com timmings e prazos para casar, para ter filhos, para comprar a casa dos meus sonhos, para chegar a directora e para acabar os meus dias com uma reforma idílica. Mas também me revejo na amiga colorida, tal como estou hoje, não porque embarque neste tipo de relações, mas pelas respostas que esta mulher adulta dá às questões filosóficas da mulher em fase embrionária. A conversa entre os três resume-se ao facto que aceitam como verdade todas as pessoas realistas: se na vida não fizermos concessões, se não alterarmos a ponderação atribuída aos items da nossa checklist, se não assumirmos que podemos nunca realizar os projectos que estabelecemos como metas, jamais seremos felizes. Diz a mulher que depois de certa idade continuamos a interessar-nos pelos “homens que não interessam a ninguém”, porque são mesmo os que mais nos cativam, mas esse interesse passa a meramente científico. Naturalmente continuaremos a sonhar, se calhar menos e sem tantos efeitos especiais polvilhados de fantasia, pois o que queremos é ter uma vida real que não seja uma prova de esforço permanente e caminhar ao lado de um homem que nos respeite e trate bem, independentemente da sua aparência física ou da tralha que este traz acoplada (tipo ex-mulher, filhos e cão). Passamos a valorizar o dormir abraçado mais do que a pose de casal para a fotografia, o compromisso e a cumplicidade mais do que a aliança e a partilha de dívidas.
4.       Nunca temos o que queremos, mas também nem sempre sabemos o que queremos
Passamos tanto tempo da nossa existência, naqueles anos fundamentais em que estamos a formar a nossa personalidade e a definir um propósito para a nossa vida, agarrados a estereótipos, do que queremos ser ou do que nunca queremos ser, que quando a realidade se revela diferente do que tomamos como condição necessária para que as nossas ambições se concretizem, entramos em pânico, bloqueamos, adoptamos uma atitude de rejeição ou de revolta, ficamos incapazes de elaborar um plano B, adoptar medidas de contingência ou rever objectivos. É muito difícil identificar o que queremos, até porque o que queremos muda ao longo do tempo, mas também não é suficiente afirmar com um orgulho bacoco que, no mínimo, sabemos o que não queremos. O importante é que o que desejamos tenha um sentido, sirva para alguma coisa, para o nosso bem, para o bem-estar dos que nos rodeiam, para algo tão grandioso como o reconhecimento público ou tão íntimo como estarmos em paz com a nossa consciência.
Quando o filme acaba é inevitável ficarmos a pensar na ironia da vida, que nem sempre nos dá o que queremos quando precisamos, que tantas vezes nos faz ficar “sem chão debaixo dos pés”, que noutros momentos nos surpreende com presentes tão inesperados e momentos tão felizes que só podem ser divinos. Ficamos também a pensar na ambiguidade do que desejamos, entre ser independente e voar pelos céus, ou criar raízes e constituir família, entre viver para o trabalho ou trabalhar apenas o suficiente para viver condignamente. No limite a mensagem deste filme vem desaguar numa outra passada durante a TEDxOPorto pelos psicólogos de serviço: “a felicidade pessoal é paradoxal”: por um lado, é mais fácil caminhar sózinho, sem nada nem ninguém que nos condicione, por outro a felicidade tece-se nas relações e das relações que construímos.
Como escreveu um dia alguém “a felicidade só é real quando compartilhada”, e eu acrescento, a “mochila” torna-se mais leve se forem duas pessoas a carregá-la...
 
 
 


publicado por teoriasdacosta às 21:00
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