Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
Homens versus mulheres: relações sem sexo (de preferência)

 

Descobri que os quartos do hotel são locais tão inspiradores para escrever teorias como os aeroportos. Como ando entre pontes aéreas e noites de insónia em camas estranhas por questões de trabalho, ocorre-me um tema que é uma banalidade: as diferenças entre trabalhar com homens ou com mulheres.

Neste momento faço parte de um grupo de trabalho europeu constituído por homens.

Gostava que pelo menos um fosse maricas, mesmo que eventualmente encarado pelos outros como uma espécie de macho de segunda.

Como creio que já escrevi “um maricas é o melhor amigo de uma mulher”.

Porquê esta afinidade entre mulheres e gays? Gostamos ambos do mesmo, sendo que eles nos conseguem apreciar numa perspectiva de potencial concorrência - apesar de não jogarmos no mesmo campeonato e de ser certo (de forma mais ou menos rigorosa, apesar desta tendência para a bissexualidade e para o swing baralhar as estatísticas) que quem é vegetariano não come vaca nem vitela – com a vantagem de serem capazes de nos admirar ou criticar enquanto ser humano que pode interessar a um macho, sem a inveja nem a malícia com que o faz uma mulher.

Neste grupo de trabalho, quando falo, mesmo que a minha análise faça tanto sentido como os comentários do Marcelo Rebelo de Sousa ou esteja em rigor ao nível de um relatório científico da NASA, recebo sempre um sorriso condescendente ou paternalista do género “pois, pois”, sendo as minhas opiniões apenas consideradas como merecendo algum tempo de antena quando digo algo que realmente lhes agita o ego naquela zona anti-erógena que equivale à sensação de desprazer “mas porquê que não fui eu que me lembrei disto?”

Eles fingem que me consideram mas na prática vêem-me como uma loira mais do que como a responsável por uma área de negócio na empresa. Tenho como certo que só se eu não tivesse penteado mas apenas cabelo, aumentasse o meu peso em dobro e deixasse crescer pêlos no queixo, seria olhada de forma diferente. Talvez com pena, mas certamente como quem até pode falar sobre as coisas com algum conhecimento, já que o preconceito é de que só uma mulher com uma imagem de virgem de Willendorf (aquela estátua pré-histórica que representa a mulher como uma cabeça, um par de mamas até ao umbigo e um descomunal par de ancas) poderá ser efectivamente competente.

Já quando entrei na faculdade – há vinte anos, vejam só! – se dizia que as mulheres ou eram bonitas ou iam para engenharia, insinuando que, sendo este um curso de reconhecida complexidade e elevado nível de testosterona, só uma mulher com problemas hormonais (por defeito, entenda-se) escolheria tal opção universitária.

Na prática, ao contrário da maior parte das pessoas, apesar de reconhecer as vantagens de trabalhar com homens, adoro trabalhar com mulheres. Não em abstracto, mas em concreto com a minha equipa. Ou o que dela fica...

As vantagens em trabalhar com eles são evidentes: como não perdemos tempo a falar de futebol ou sobre aquelas leggings novos que prometem um rabo “à preta”, somos muito mais focados, completamente orientados para um resultado que queremos alcançar tão rápido quanto um homem espera atingir um orgasmo. A maior desvantagem é perceber que mesmo estando em maioria nas faculdades, quando ascendemos a posições equivalentes às deles, continuamos a ser subestimadas pelo simples facto de sermos "gajas".

Quando trabalhamos com elas, se as pessoas são maduras e têm bom senso, a relação funciona por osmose, como é suposto funcionar um casamento.

Para além daquele mito de que começamos todas a ter o período menstrual ao mesmo tempo, temos sensibilidade q.b. para saber quando o momento é sério, de trabalho em corta-mato, em sprint de cem metros ou a ritmo de maratona. Nestas alturas somos capazes de nos concentrar, com um grau de abstracção equivalente ao de um monge budista, dificilmente fazendo um comentário que saía fora do contexto.

Transpondo a análise para o nível das relações entre casal, os casamentos mais duradouros são aqueles em que a mulher respeita os dias em que o homem está mais sorumbático ou irritado, porque não se desliga de um problema que trouxe do trabalho ou não esquece o resultado da sua equipa no último jogo, deixando-o submergir na “caixa do nada” até que ele esteja com alguma paciência para fazer aquilo que é suposto num relacionamento: interagir com o outro. Nas relações maritais, sendo os seres tão diferentes quanto dois planetas, a gestão destes momentos pode redundar num silêncio permanente, uma espécie de hábito, passando o casamento a ser apenas um estado que se mantém por comodidade ou displicência.

Nas relações de trabalho entre mulheres, dado que possuem todas a mesma peculiar forma de gerir os silêncios e idêntica paciência para conversas monótonas ou cinzentas, é inevitável que ao final de algum tempo, um dos elementos do grupo pergunte a outra “essas botas são novas?”, gerando-se imediatamente um coffee break psicológico equivalente a uma ida virtual às compras que, como todos sabem, é uma terapia excelente para equilibrar humores, logo para recuperar o nível de convergência.

A desvantagem de um grupo de mulheres deriva das competições que começam pelo tamanho das calças e pela área volumétrica ocupada na cadeira; passando pela cadência de idas à casa-de-banho, ao exterior para fumar, à manicure ou ao cabeleireiro; pela profissão do cônjuge e mostruário de sinais de amor que este oferece; com remate no sucesso dos filhos na escola e desfecho em forma de “gota de água” no reconhecimento que cada uma consegue obter dentro da empresa, sendo certo que também elas desconfiam quando uma Amazonas sobe na escala, como se um triunfo profissional só fosse crível com um cruzar de pernas à Sharon Stone ou na sequência de uma troca infiel de fluidos ou de favores com quem decide.

Assim é, por muito que seja politicamente incorrecto escrevê-lo.

 



publicado por teoriasdacosta às 21:08
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
Vamos fingir que somos crianças...

 

Toda a gente sabe que “o melhor do mundo são as criancinhas”.

Confesso que não sou daquelas mulheres que ficam histéricas quando se cruzam com um bébé e, se alguma vez houve um tic-tac no meu relógio biológico, foi há tanto tempo que arquivei o chamamento para a maternidade como uma coisa do meu passado arqueológico. Apesar de ter APENAS trinta e oito anos e de tanta gente insistir que ainda vou a tempo de experimentar a intraduzível sensação de amor que é gerar no ventre um ser humano, decidi aos trinta e qualquer coisa que não queria ser a mãe mais velha do infantário.

Esta é uma decisão meramente prática: tudo tem um tempo e uma oportunidade. Podemos prescindir de soutien se as maminhas forem copa trinta e dois, mas só até aos doze anos; não devemos ousar nos decotes se essa copa ultrapassar os trinta e quatro, qualquer que seja a idade; não podemos usar saia com tamanho micro-mini depois dos dezoito se não crescermos para lá do metro e sessenta e cinco mas só enquanto coubermos no maior dos tamanhos da secção de criança (equação muito difícil de fazer a não ser para as estúpidas das magras...).

Mesmo não querendo ter filhos confesso que acho uma certa piada aos miúdos, principalmente em idade pré-primária. Em doses de “prato de sobremesa”, confesso, porque assim como o abuso de doces tem consequências perigosas, também o convívio excessivo com seres de um metro, mais coisa menos coisa, tem os seus efeitos nocivos, quando as crianças não são nossas, claro está!

Ouvi de bocas de miúdos ainda suficientemente imunes às Play Station e aos telemóveis, as saídas mais espontâneas e as perguntas mais deliciosas. Como quando a minha priminha de cinco anos ao perceber que o meu pacote de TV Cabo não incluía o canal Panda me comunicou pesarosa que “quem não tem Panda não pode ter filhos”, ou quando o meu vizinho de três anos e qualquer coisa perguntou com curiosidade de engenheiro de aeronáutica “como é que as moscas dão as curvas?”

Este fim-de-semana, num bucólico cenário de prados e vacas, sempre rodeados de água, hortênsias e rochas, dei por mim num passeio com um casal que procurava desesperadamente mostrar à sua filha de oito anos todas as fotográficas maravilhas ao redor de Ponta Delgada. O impossível aconteceu e, numa estrada de um sentido só, estreita demais para uma inversão de marcha, nos deparamos com um engarrafamento provocado por um carro de aluguer mal estacionado que bloqueava a passagem de um autocarro carregado de turistas da terceira idade.

O pai da menina entrou em desespero. Vociferou, bateu com as mãos no volante, praguejou, perdeu a calma numa amplitude que me pareceu despropositada, até que cinco minutos depois o condutor distraído apareceu e retirou a sua viatura da berma da estrada.

Comentei eu, que procuro sempre desanuviar o ambiente com a deixa da loira bem-disposta “pronto, já passou, ainda vamos ver as furnas antes que o Sol se esconda nas montanhas!”. Acrescentou a menina num tom solene de quem recita uma oração “vamos fingir que estes cinco minutos nunca aconteceram.”

“Fantástico!” pensei, não resistindo a agradecer tamanha sabedoria com um cúmplice piscar de olhos “ a vida é mais fácil de digerir se fingirmos que os momentos maus que nos amarguram foram apenas um sonho mau, um pensamento vago, um sopro que não deixa marca nem odor, apenas a sensação de que pairou sobre nós um espectro ou de que fomos atravessados por um fantasma.

 

O que não for suficientemente bom para ficar na memória

deve ser apagado.

 

Como dizem numa rádio que de há tempos por cá se lembrou de nos tratar a todos por tu “vale a pena pensar nisto...”

 



publicado por teoriasdacosta às 22:06
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
A líbido é uma questão de competência

 

Outra vez em modo zaping radiofónico, lá me entra outra vez pelos ouvidos dentro a voz do Quintino Aires. Apanhei a intervenção a meio mas o tema era “será que as mulheres têm menos líbido do que os homens?”.

Já li alguma coisas sobre o assunto e de facto teoriza-se muito sobre isto, com base em estudos científicos e pesquisas laboratoriais que levam anos a produzir conclusões, com muitos inquéritos, sessões de grupo e um acompanhamento exaustivo do dia-a-dia da população da amostra. Tudo se acaba por resumir numa evidência pouco lisonjeira: as mulheres perdem a líbido mais cedo do que os homens.

Sei que já escrevi sobre o tema, comentando que verificava isso entre amigas tão próximas quanto eu dos quarenta, que depois de serem mães e se rotinarem com as papas, cocós, colégios, festas de aniversário e com o canal Panda, adoptam na vida familiar uma postura de quem anda a “brincar às casinhas”, entretidas nas lides domésticas e no cuidar das crianças, sem tempo nem pachorra para outro tipo de marotices.

Hoje ouvi o professor Quintino Aires afirmar com convicção que esta história de as mulheres perderem a líbido é mais um mito urbano. Mesmo que as hormonas possam destrambelhar uma pessoa e que o corpo comece a ressacar por falta de estrogénio, a culpa de as mulheres perderem interesse sexual está todas nos homens! Depois de ouvir os argumentos concordo em pleno com este especialista.

A questão é simples: enquanto que as mulheres vão envelhecendo com algum cuidado, mesmo as que alargam dois tamanhos e se esquecem de pintar com regularidade os cabelos brancos, os homens envelhecem mil vezes pior do que elas. Eles não colocam cremes anti-rugas no rosto, hidratantes no corpo, não tratam os dentes, deixam pêlos crescerem para fora do nariz, penduram a barriga por fora do cinto e acham que um abraço amigo de vez em quando é quanto basta para manter o romance num casamento.

Todas sabemos que as mulheres têm um motor de arranque mais lento – apesar de o dos homens também perder velocidade – e que elas começam a fazer amor com a cabeça, ainda vestidas, a sair do trabalho, numa fila de trânsito ou no corredor do arroz e das massas na hora de ponta do Continente. Se o que encontram quando chegam a casa é um homem estirado no sofá que julga que um piscar de olhos e um “anda cá que eu não te aleijo” é um preliminar suficiente, é natural que percam a vontade, se refugiem na cozinha a depenar um pato ou procurem nos filhos os mimos que já não recebem do companheiro.

Há uma frase qualquer que diz uma coisa do género “não há sexo mau, há é pessoas sem jeito”. Assim sendo, vai muito da competência dos homens garantir que há líbido para a sobremesa… (ou sobre a mesa?)

 

 



publicado por teoriasdacosta às 23:03
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
10 falhas fatais para o Sexo Masculino

 

A história dos homens com a camisa dentro das calças deu o mote para uma girltalk entre posts no FaceBook, telefonemas e troca de piadas na pausa para o cafézinho.

Chego assim a um elenco de coisas que deixam as mulheres (contemporâneas) em estado de pré-histeria:

1. Pêlos nos ombros

Ughhhh! A depilação masculina não é coisa de travestis, drag queens ou maricas. Se as mulheres sofrem a tirar pêlos nas virilhas e nas axilas (ai que dor!), se até conseguem ter filhos, então não vejo razão alguma para que um homem que chega à idade adulta com corpo de urso – não necessariamente daqueles fofinhos - não se submeta a um restauro com bandas de cera fria. Idem para pêlos que saem das orelhas e dos ouvidos. Há tesourinhas e pinças para tratar desses pintelhos (cito Catroga) mais atrevidos. 

2. Camisas de manga curta

Nunca, jamais em tempo algum! Principalmente quando se veste fato.

3. Meia branca

Acho que já não há homens com "pé de gesso", pois não?

4. Carecas não assumidas

Mais vale uma cabeça luzidia, assim tipo bola de bilhar, do que uma madeixa de cabelo que cresce acima da orelha esquerda e se cola com brilhantina à orelha direita ou outros truques  muito mal feitos para disfarçar a careca. Perucas e capachinhos são pelagens de animais mortos absolutamente proibidas.

5. Calções abaixo dos joelhos ou calças acima dos tornozelos

Fica ridículo. Um homem com calções compridos ou calças curtas parece sempre mais baixo e gordo do que efectivamente é. A coisa agrava-se se a dita peça de roupa for em ganga ou se vier apetrechada de bolsos, fechos e tachinhas como um carro em versão tunning.

6. Unhas roídas

Não sei se está científicamente comprovado ou se é facto que intuo por amostragem entre amigas, mas uma das coisas em que uma mulher repara logo no primeiro encontro é nas mãos que vêm apensas a determinada figura masculina. Unhas roídas é mau, denotam falta de auto-controle e de nervosismo. Unhas arranjadas com vestígios de verniz (daqueles endurecedores que supostamente são transparentes mas deixam sempre um certo brilho) também não são coisa normal, por mais metrosexual que seja o rapazinho.

7. Gravatas com nós gordos

Enfiadas naquelas camisas com colarinhos super engomados que se vendem numa loja que começa em S e acaba em OOR, que fazem com que os pescoços minguem e percam mobilidade, tornando o homem que o veste uma espécie de Robocop. A imagem fere a vista se a gravata vier com padrões ou em tons garridos...

8. Arrotos e outros sinais sonoros

Mesmo quando a relação avança para a intimidade, se partilha cama, casa-de-banho e lista de compras, há que manter um certo pudor nas manifestações corporais que se deixam escapar para o exterior.

9. Odor corporal

Há aquela teoria das feromonas e de como homens e mulheres são atraídos pelo cheiro, como dois animais se encontram em plena selva numa noite escura, mas o cheiro do corpo au naturel nem sempre é um aroma agradável. Para isso existe uma tão activa indústria de perfumes (e se investe tanto em anúncios fabulosos como o do AXE).

10. Silêncios e hum-huns

Mais uma verdade empírica, que por certo já foi estudada: as mulheres adoram homens que as fazem rir. Não com cócigas, porque isso é coisa de meninos, mas com aquele humor que pode ser americano, para as que gostam de piadas evidentes, ou very british, para as que gostam de raciocínios elaborados, teoremas e enigmas. Passada a fase da conquista onde as piadas têm um certo sex appeal é importante que um homem saiba manter um diálogo sobre qualquer tema, desde política ao vestido ridículo com que apareceu a prima gorda numa festa de família. Assim sendo, nada pior do que um homem que se enfia na já por aqui referida “caixa do nada”, não discute, não opina nem contraria, limitando-se a emitir uns sinais vitais para que tenhamos a certeza de que ainda não está a dormir.

 

PROMETO QUE ESCREVO IDÊNTICO TEXTO COM OS GRANDES "NÃOS" PARA AS MENINAS...

 



publicado por teoriasdacosta às 21:43
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Sábado, 13 de Novembro de 2010
Os homens não sabem o que é o amor

 

Esta semana, uma das minhas amigas do Facebook publicou um texto que suscitou logo meia dúzia de comentários.

Com o título “os homens não sabem o que é o amor”, o referido texto, de Michel Houellebecq, in 'As Partículas Elementares', começa assim “De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho. Conhecem o desejo, o desejo sexual em estado bruto e a competição entre machos”.

Apesar de ter tido a sorte de ter encontrado homens que me amaram, daqueles que são românticos, fazem surpresas, dizem as palavras que queremos ouvir, nos abraçam de uma forma que transforma o seu colo no nosso ninho, confesso que concordo em parte com o que este autor diz. Sim, há homens que amam mulheres. Mas muitas são as mulheres que andam com homens que não as amam, não apenas porque a lei da oferta as não favorece, mas porque os homens só são capazes de amar verdadeiramente uma ou duas mulheres durante toda a sua vida. Em relação às outras, os seus sentimentos podem variar entre o “gosto” e o “tolero”. Quando entram na fase do “não suporto” já têm outra presa na mira.

Como já por aqui escrevi, para os homens sexo é mais fundamental do que para as mulheres. Nós passamos a infância a sonhar com príncipes, contos de fada, vestidos de noiva e histórias com final feliz. Eles passam da fase do jogar à bola (ou Playstation) para a fase da explosão de testosterona que os faz comprar revistas com mulheres nuas. Para os rapazes, a relação homem-mulher é uma mera questão física, um acerto hormonal, uma descarga de adrenalina. Para elas, a mesma relação tem de ser magia.

Claro que há os adoslescentes que se apaixonam e que reagem como “romeuzinhos”, mas a maior parte entra na faculdade sem nunca ter tido uma miúda que tiveram a coragem de assumir como namorada, com a preocupação única de não acabarem o ensino secundário virgens.

Há competição entre machos, claro, mas se calhar a competição é muito maior entre fêmeas. Até entre eles e elas, a começar na pré-primária e a atingir o auge quando se ingressa na vida activa.

Continua o texto, a propósito de como os filhos varões herdavam dos pais o mesmo tipo de comportamento, considerando todas as mulheres como objecto de desejo à excepção da mãe dos seus filhos, “Hoje, nada disso existe. As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos. Não têm nada para lhes ensinar, nem sequer sabem o que eles poderão vir a fazer; as regras que conheceram não serão de todo aplicáveis a eles, porque eles viverão num mundo completamente diferente. Aceitar a ideologia da mudança permanente significa aceitar que a vida de um homem está reduzida estritamente à sua existência individual e que as gerações passadas e futuras não têm, aos seus olhos, nenhuma importância.”

Apesar da visão pessimista, conheço cada vez mais pessoas que questionam até que ponto vale a pena terem um filho se o presente é tão instável e o futuro tão incerto, com o orçamento familiar a ser curto para férias, infantário, actividades extra-curriculares, pacote completo da TV Cabo, uma visita mensal ao cabeleireiro e uma ida anual ao dentista.

Concluí Michel Houellebecq, escritor francês conhecido pelo seu cinismo polémico, “ter um filho, hoje, para um homem, já não faz qualquer sentido. O caso das mulheres é diferente, porque elas continuam a sentir a necessidade de terem um ser que amem – o que não é, nem nunca foi, o caso dos homens. É um disparate acreditar que os homens também têm necessidade de acarinhar e de brincar com os filhos, de lhes fazer festinhas.”

Aqui, admito que tenho alguma dificuldade em concordar. É demasiado cruel pensar os homens como seres tão tiranos, muito embora seja verosímel este tipo de atitude austera nos homens de outros tempos, os tais que tinham uma mulher em casa em quem mal tocavam, mas que recorriam amiúde a mulheres de fama duvidosa para poderem “fazer porcarias” e assim libertar-se do tal desejo animal que os transforma em seres quase primitivos.

Grande parte dos homens que conheço, mesmo quando divorciados, mantém uma forte ligação emocional aos filhos. Sofrem com a distância, muitas vezes até aguentam relações que já só são logística familiar porque não suportam a ideia de não lhes dar um beijo de “boa noite” todos os dias. Infelizmente conheço também muitos casos em que os casais se separam e o homem segue uma nova vida, volta a ser solteiro, livre e descomprometido, ignora os filhos ou passa a tratá-los como amiguinhos com quem faz programas de umas horas, mas que depois “despeja” na casa da mãe para pode ir ter com as amigas.

Os homens não sabem o que é o amor? Talvez. Se calhar não precisam. Se calhar por não saberem têm uma capacidade superior às mulheres para serem felizes. Ou pelo menos, conformados, que é aquela atitude inócua que permite a qualquer ser humano moderado nas ambições e nos desejos sobreviver sem sobressaltos ao correr dos dias. Não estão à espera de mais nada do que acordar, ir para o trabalho, contar umas anedotas aos colegas, olhar para o rabo da secretária do departamento, tomar uma cerveja antes de ir para casa, chegarem ao fim-de-semana para poderem passar dois dias sem desfazer a barba, contentes se o clube ganha, desalentados se continua a perder pontos e a afastar-se do líder.

As mulheres precisam dos olhares, dos mimos, das palavras, de um pouco de sonho, de cenário, de vida cor-de-rosa para se abstraírem do branco e negro em que tão facilmente se transforma a rotina que asfixia a vida. Por isso andam sempre à procura de amor, nos homens ou nos filhos, tantas vezes humilhando-se, sujeitando-se, fingindo-se de burras...

Homens e mulheres, seres tão diferentes que quase diria incompatíveis...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 16:40
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Sábado, 6 de Novembro de 2010
Quanto tempo dura a eternidade?

 

Canta Vinicius "que seja eterno enquanto dure"... o amor, para quem não conhece esta celebrérrima frase que uns dizem com um suspiro de esperança quando acreditam que uma relação vale a pena, ou com um sorriso sarcástico quando a "coisa" se revela como um dejá vú, que em linguagem corrente se traduz na frase "já vi este filme".

Em Ibiza li na argila de uma bar "O amor não é eterno; eterna é a capacidade para amar".

Será que essa miríade do amor eterno não é mais do que uma fantasia elevada ao estatuto de mito?

Os dois conceitos são complexos: amor e eternidade. Milhentas formas de perceber o que uma e outra palavra significam, poucas definições concretas, simples e objectivas para as quantificar numa regra simples que a mente mais básica possa memorizar.

A eternidade pode ser explicada numa perspectiva teológica, associada ao ideal de vida eterna, ou filosófica, associada à procura de um sentido para a nossa existência. Como sou uma pessoa de teorias que redundam em questões práticas mais do que de dissertações filosóficas que se convertem em raciocínios circulares sem resposta, eis que dou por mim a googlar insistentemente o termo "amor eterno" para ver se encontro uma explicação minimamente consistente para o projecto de vida com que não me canso de sonhar.

Um famoso princípio de biologia diz-nos que "Na natureza nada se perde, tudo se transforma..." Se quisermos pois ver esta coisa do amor eterno à luz das ciências naturais, então a eternidade no amor é bem capaz de ser um fenómeno que vai sofrendo transformações em todos os seus segmentos.

Não devo ser a única pessoa que se interessa por esta fábula do amor eterno. Há toda uma anatomia corporal que explica o fenómeno amor como algo físico e mensurável. Históricamente, o amor começou por ser associado ao coração. Depois, veio a época cerebral, em que o amor se podia explicar por uma série de processos químicos e neurológicos, mensuráveis em mapas que coloriam os hemisférios desta massa cinzenta tão intrigante. Recentemente, explica-se o amor pela compatibilidade hormonal. 

Escreveu Virginia Woolf "o amor é apenas uma ilusão. A história que alguém compõe mentalmente sobre outra pessoa. E sabe-se o tempo todo que não é verdade. É claro que se sabe; por que o eterno acalentar não destrói a ilusão". Podemos ter a noção da ilusão com prazo e fim previsível, podemos iludir-nos com a imagem de uma pessoa ficionada que na prática é uma personalidade real com defeitos e falhas que não queremos detectar, podemos prever que o futuro afinal não vai ser ao seu lado, mas enquanto vivemos aquela doideira da paixão arrebatada preferimos alimentar a ideia de eternidade, mesmo que seja só uma ideia, uma ideia tão vaga que, nos momentos de lucidez, não nos deixa esquecer que aquele relacionamento não passa de uma ilusão.

Quando a relação que podia ser amor acaba podemos ficar iguais, indiferentes porque afinal é só mais uma que correu mal, frustrados porque estamos cansados de falhar, ou infelizes porque nos convencemos que aquela era a nossa última oportunidade para encontrar a felicidade.
Sucede porém que a felicidade também é outro conceito muito relativo.

Se assumirmos que a felicidade é outro dos conceitos que se enquadra na categoria dos eternos - todos queremos ser felizes para sempre - então, a própria felicidade, de acordo com o tal princípio da biologia, só é um sentimento  eterno, porque se renova, ou se transforma através dos tempos. Quer isto dizer que, ao longo da vida, o que temos de bom é esta possibilidade de ir acumulando na memória os momentos felizes que gravamos como cenas de um filme e que nos servem de referência quando passamos por momentos mais difíceis. Às vezes só percebemos o quanto fomos felizes quando revemos essas cenas que no momento exacto em que as protagonizamos foram só sorrisos, suspiros, um sabor doce na boca, um aroma indefinido que nos deixou zonzos.
 



publicado por teoriasdacosta às 19:32
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