
A fé é uma coisa maravilhosa... Amen.

Ontem, depois da surpresa de me saber outra vez nos destaques do sapo, quando agora pouco escrevo, sentei-me ao computador tentando teclar algo de inteligente. Dei por mim numa transe estupidificada a assistir ao “Peso pesado” (que andei toda a temporada a chamar de “peso certo”) com um desfile de malta que andou a mostrar as banhas e a celulite de forma desavergonhada e que, nalguns casos, chegou ao final com um visual bastante diferente.
Perante o cenário televisivo, com uma Júlia Pinheiro ao rubro, a inspiração não veio.
Seja como for, esta é mesmo a silly season, aquela em que supostamente os políticos vão a banhos (este ano parece que não se vão ver muitos pela praia dos tomates), as famílias metem as geleiras nas malas e rumam de carro para as filas de trânsito, os que podem seguem para Sul, os outros escapam-se.
Por todo o lado, para não se falar da crise e de todos os castigos que nos esperam, abordam-se questões futéis que não denunciam que são estúpidas as pessoas que os falam, mas antes que preferem divagar entre nuvens e passarinhos do que enterrar os pés na lama.
As conversas do dia lá pelo escritório andam à volta do tema "como perder dois quilos em vinte e quatro horas" e tenho ouvido tanto disparate que não me espantaria nada se entre a máquina do café e o micro-ondas alguém dissesse que não há melhor para a celulite do que rebolar sobre as pedras da calçada.
Até eu ontem, entre gente de família que tem empregos com fringe benefits, com Dr antes do nome, conversas eruditas e discursos envolventes, comentava de forma espontânea, entre uma colher de mousse e outra, que este Verão vai ser mesmo para a desgraça.
Aí pelo mês de Maio voltei às corridinhas matinais – isto de acordar às seis da manhã para ir correr só pode ser um acto de loucura ou de fé -, às saladinhas ao almoço e ao jantar, concedendo-me um ou outro deslize ao fim-de-semana, tudo muito bem controlado, com a barriga encolhida e as pernas tonificadas.
Entretanto descobri que sou viciada na mousse da Bimby.
Percebo agora porquê que há pessoas que se tornam dependentes da nicotina e não conseguem deixar de fumar.
Eu, que sempre gostei de chocolate negro, percebi que aquela panela mágica que qualquer Mãe de família tem em casa, é capaz de - para além de produzir sopas em dois minutos, bacalhau com natas em três e maravilhosas caipirinhas em série - mistura este ingrediente que dizem ser afrodisíaco e anti-depressivo, numa sobremesa que me transporta para o universo daqueles que consomem cogumelos mágicos.
Andei por isso todos os fins-de-semana desde essa altura, em almoçaradas familiares que às vezes até eram de saladas, para darmos aquele ar de pessoas saudáveis, a servir-me sempre em dose dupla daquela sobremesa orgásmica.
Depois de ver nalguns zapings pelo concurso dos gordos a quantidade de coisas carregadinhas de calorias que giram à nossa volta, passei do pânico de ingerir uma torrada com manteiga, para o estado relaxado do “que se dane”. Afinal, quando em Setembro vierem os cortes e as sobre-taxas vamos todos andar a passar fome.
Nesta altura, a apenas uma semana de férias, já não há milagres no repertório de Fátima que me salvem...
Não há promessas nem mezinhas que derretam a gordura acumulada à volta do umbigo nem que revertam este plano demoníaco que nos impôs a troika.
Sem querer desanimar, quando o bronze começar a desbotar vamos notar todos menos uns euros na carteira.
Como temos de ser positivos para fazer funcionar aquela história da "lei da atracção", vamos acreditar que mesmo que ganhemos uns quilos enquanto há Sol no mapa, vai ser certo que a conjuntura nos vai permitir ser uns "reis na balança"!

Hoje pesei-me. Socoooooooooooooorro!
Estou com mais 5 quilos do que tinha no início do Verão passado, altura em que até mandei apertar calças que me dançavam pelas ancas abaixo e que hoje não me servem ou que, servindo-me com esforço, acabam por me colocar em situações humilhantes quando de repente, como aconteceu no início da semana, em simultâneo com um espirro exuberante rebentam por todas as costuras e pespontos.
Eu até podia argumentar que não percebo como é que isto aconteceu, que a culpa é dos nervos, do calor, da retenção de líquidos, da humidade, do diabo a quatro. Mas a verdade é simples e dura: ando a comer como uma desgraçada! Como se não houvesse amanhã! E a verdade é que se hoje fosse o último dia eu era daquelas que ficava sentada a uma mesa a enfardar tudo a que tenho direito porque adoro comida, adoro comer e, pasmem-se, até convivo bem com aquela sensação de enfartamento, preferindo as dores de barriga que vêm depois dos excessos gourmet às dores de estômago que me torturam de forma sistemática devido ao meu periclitante estado de ansiedade.
Para além do excesso na ingestão de hidratos de carbono – pão – e gorduras – com manteiga – que não me fazem falta (era capaz de viver meses a fio a meias de leite e torradas), estou menos regular nas idas ao ginásio e até deixei as corridas apesar da promessa de fazer a meia maratona este ano. Pior do que treinar pouco é a falta de vontade que tenho de me mexer, tal é o cansaço que trago acumulado no corpo. Sinto as pernas pesadas, doem-me as articulações, não sei se da falta de exercício, se do excesso de peso, se da idade. Apetece-me usar o tempo livre para dormir, para colocar o cérebro off-line, para deixar o esqueleto numa posição horizontal, depois de semanas que têm sido de uma pressão imensa para aprender rapidamente uma nova profissão, passando horas na estrada a percorrer o norte do país, do Douro ao litoral, passando por Trás-os-Montes, pelas Beiras e por zonas que tenho dificuldade em identificar no mapa.
O resultado de tanta turbulência está a ver-se a olho nu e foi hoje comprovado cientificamente na balança. Se a vida fosse justa estes quilinhos a mais iriam directamente em lotes de dois quilos e meio para cada mama. Se calhar era exagero... A Dolly Parton pode fazer sucesso com camionistas mas não é propriamente um sex symbol.
Como a vida tem uma forma irónica de distribuir riqueza, alimentos, doenças, catástrofes naturais e maus especímenes, cá fico eu com esta gordura no rabo, com esta banha que esconde o umbigo quando me sento a escrever no portátil, com este aumento de volume generalizado, que no rosto até me dá um ar mais saudável, mas que no corpo pode perigosamente fazer-me parecer uma matrioska.
Que inveja que eu tenho daquelas minhas amigas que são umas estúpidas que comem que se fartam sem ganhar um grama, e que até andam preocupadas a fazer consultas por que se sentem infelizes por não conseguirem engordar... Lá diz o ditado “corpinho de liceu, carinha de museu”...
Isto de ser mulher é tudo menos fácil.
Não basta ter de ser uma profissional exemplar, muito mais à frente do que os colegas do sexo oposto, que têm aquela forma paternalista de nos tratar como se fossemos uma loira de um neurónio só, que ora ouve o que lhe dizem num ouvido ora presta atenção à chamada que tem no telemóvel no outro, ainda temos de ser giras, boas, magras, andar bem vestidas, de saltos altos de preferência porque nos alongam as pernas e nos dão um ar mais sexy, unhas das mãos e pés arranjadas, com verniz igual, acrescente-se, e ainda conciliar ginásio, esteticista, cabeleireira com horários demoníacos de trabalho que começam antes das nove da manhã e com sorte terminam às oito da noite! Para além disso, há a vida social ao estilo "sexo & a cidade" com aperitivos, jantares e noites de copos e as surpresas gastronómicas que o namorado espera que façamos quando vem passar o fim-de-semana a nossa casa. Que alguém me explique como é possível compatibilizar o descontrole no apetite por culpa deste estado quase histérico de nervos, com Martinis Rosatos temperados com hortelã, acepipes e presenças assíduas nos restaurantes de que toda a gente fala, em vez de ficar no sofá a fazer zapping, a morrer estúpida com o estômago a roncar de fome porque nos torturamos com a única forma eficaz de fazer dieta: não ter nada que se coma dentro de casa!
Socooooooooorro!!!!!
Se há coisa de que tenho a certeza é de que em menos de um mês derreto esta gordura toda! Porque me conheço o suficiente para saber que a partir desta data vou cerrar os lábios com um fecho eclair e lembrar-me do número que vi hoje com um susto na balança sempre que me apetecer mais uma torrada. Mas até lá, por favor tragam-me uma burka que eu sinto-me completamente aprisionada nas calças que orgulhosamente mandei encolher no início do Verão do ano passado...
Escreve Daniel Gilbert no livro “Tropeçar na felicidade” que “usamos os nossos olhos para olharmos através do espaço e a nossa imaginação para olharmos através do tempo”. O que acontece é que os nossos olhos, mesmo quando não são míopes nem vesgos, vêm as coisas de forma diferente do que elas efectivamente são; da mesma forma que a nossa imaginação ultrapassa muitas vezes os limites do exequível e do provável.
Quase sempre nos vemos mais gordas e velhas do que somos, e nos imaginamos com um potencial de magreza e de jovialidade que ficam para além das capacidades revigorantes da dieta de Atkins, da beterraba e do sumo de aipo com espinafre.
Ao longo do seu livro, Gilbert dedica-se a analisar as limitações que nos impedem de ser felizes, todas elas decorrentes da forma como vemos a realidade (raras vezes com clareza e objectividade) e de que como imaginamos que essa realidade pode evoluir no futuro, seja este tão próximo como daqui a dois minutos, quando este texto chegar ao fim, ou tão longínquo como daqui a trinta anos, quando finalmente metermos os papéis para a reforma.
Diz Gilbert que a “felicidade” não passa de uma palavra, tão elástica e profunda que alberga uma série de conceitos e teorias. Segundo este psicólogo de Harvard, existem pelo menos três níveis de felicidade: a emocional , a mais básica, que corresponde a um estado subjectivo, a uma experiência; a moral, definida pelos filósofos gregos como viver a vida de acordo com o potencial de cada um, ou seja, como o produto de uma vida de virtude, conceito que mais tarde os teólogos converteram na noção de recompensa por uma vida de virtude, situações que remetem a felicidade para o final da nossa vida e não para experiências que podemos gozar ao longo da vida; e a judicativa, a preferida dos psicólogos, que pretendem perceber as causas objectivas para um estado de espírito subjectivo.
O problema de qualquer experiência subjectiva é que só pode ser observada pela pessoa que a tem. Como escreveu Shakespeare “... que coisa amarga é olhar para a felicidade pelos olhos de outro homem.” A felicidade emocional é tão ampla que engloba aquela sensação boa que sentimos quando nos deitamos na nossa cama de lençóis lavados, quando recebemos o prémio anual, quando colocamos os pés na areia no primeiro dia de férias, quando adormecemos nos braços de quem amamos, quando acordamos com um beijo de quem nos ama... Dormir numa cama fresca, ganhar um bónus monetário, amar e ser amado não são experiências semelhantes ou directamente comparáveis, mas têm um certo denominador conceptual comum que permitem sintetizá-las com a palavra felicidade, mesmo admitindo que esta tem uma escala e que os exemplos que citei não nos provocam o mesmo grau de satisfação todos os dias, todas as semanas, de ano a ano.
Todos os seres humanos querem ser felizes, mesmo que para alcançar a felicidade no futuro tenham de abdicar da felicidade no presente. É o que acontece quando nos propomos fazer uma dieta e sofremos com as restrições alimentares porque acreditamos que vamos ficar maravilhosas a correr pela praia num ritmo de câmara lenta como no genérico das “Marés Vivas”, esquecendo que há muito silicone, produção artística e personal trainning nos corpos tonificados daquelas nadadoras-salvadoras com bóias incorporadas nas mamas e não banhas acopladas ao fato-de-banho.
A vida tem-me trazido a capacidade de ser feliz com cada vez menos coisas, menos metros quadrados, menos dígitos na conta do banco, menos etiquetas de marca na roupa...
A vida tem-me ensinado a valorizar cada vez mais a experiência emocional associada aquela felicidade subjectiva, que não deriva de nenhuma coisa em concreto, de nenhuma projecção ou especulação sobre o futuro, mas tão só daquele calor feito de sorrisos e risos, que faz disparar o nosso coração, que nos eleva a alma para lá do nosso corpo imperfeito, ainda que por meros nanosegundos, que por instantes apenas enche de cor o cinzentismo dos dias, preenche com uma banda sonora celestial, pimba ou rockeira um momento banal que subitamente se tornou único e irrepetível, nos faz abstrair de uma rotina que era melancólica, de um cenário que até era feio, de um contexto que nos oprimia.
Hoje sei ser feliz com o olhar de ternura sincera que acompanha os meus passos pelo meio de um bando de gente. Sei ser feliz com um abraço silencioso e apertado. Com o sorriso dorido de uma amiga em sofrimento que encontrou numa palavra, num gesto, numa insignificância que disse ou fiz uma fonte de motivação para ser agarrar à vida e para perceber da vida apenas aquilo que é belo.
Hoje sei ser feliz por estar aqui, sózinha, em casa, a teclar no computador, acompanhada pelas presenças que pressinto para lá do ecrán. Porque estar aqui, respirando, com a certeza de que amanhã acordo de novo, e de que amanhã as pessoas que amo vão despertar também, mesmo que melancólicas, rabujentas ou com mau hálito, é a maior felicidade que posso ter enquanto ser humano.
Depois das quatro coisas que nós não sabíamos sobre os homens, ou pelo menos sobre as quais andavamos distraídas, aqui ficam as coisas que eles não sabem sobre nós.
Não são quatro, porque isso é coisa de gente básica e as mulheres, como se sabe, são produto de ligações, chips, motherboards e outras coisas que tais, umas vezes a tender para o simples com toque minimalista outras a tender para o sofisticado com brilhos Swavrovsky.
Assim sendo, há 10 coisas - DEZ COISAS!!!!, notem bem, - QUE OS HOMENS NÃO SABEM SOBRE AS MULHERES... NO MÍNIMO!
(Este texto tem por inspiração um artigo de Stacey Grenrock Woods publicado no Esquire. Só publico isto para não ser acusada de plágio, porque ler o Esquire soa a chique e porque não quero que pensem que sou uma feminista com tendências sexuais duvidosas a tender para o reaccionário)
Facto 1: As mulheres não gostam de coisas explosivas
Não falo como é evidente de homens-bomba, daqueles que se fazem explodir na ânsia de encontrarem no além um harém carregadinho de virgens, porque um homem que quer mulheres sem experiência é homem que não interessa a ninguém. Também não falo de bombas em sentido literal, tipo granadas ou maus cheiros de Carnaval. Refiro-me aqueles grandes cataclismos, tipo tempestade de areia ou vendaval, que acontecem sempre que entra um homem explosivo na nossa vida, daqueles que implodem com o nosso coração mas deixam tudo cheio de destroços à volta. Por muito que uma mulher goste de acção, dispensam-se todos os cenários de guerrilha.
Facto 2: As mulheres têm menos piada do que os homens
Há mais stand up comedians masculinos do que femininos mas isto por si não quer dizer nada. As mulheres têm menos jeito para contar anedotas da mesma forma que têm menos apetência para dar uns toques na bola. Eles têm mais piada, por isso é que nós às vezes até andamos com tipos que têm uma beleza próxima do inexplicável mas que nos fazem rir às gargalhadas. Eles andam com as mulheres que se riem das piadas deles. Por norma.
Facto 3: As mulheres envelhecem pior do que os homens
É mesmo uma injustiça, mas é verdade! Mesmo que eles fiquem carecas (desde que a cabeça não brilhe como bola de discoteca reluzente) e com barriga (desde que não ultrapassem a aparência das dez semanas de gestação) há-de sempre haver uma mulher que lhes ache piada. Nós, pelo contrário, com tanta concorrência com metade da nossa idade desesperada por ter homem, à medida que engordamos e ganhamos volume nas ancas ficamos umas senhoras que ninguém aprecia, nem sequer os trolhas das obras! Maldita menopausa...
Facto 4: As mulheres só sabem até 10% do que se passa na cabeça de um homem
A acreditar que a tese da "caixa do nada" é verdadeira, então em grande parte do tempo o cérebro de um homem é um imenso caixote vazio e escuro, uma espécie de televisor desligado, uma mira técnica com um pio fino (lembram-se disto nos anos setenta/oitenta?). As mulheres não fazem a mais pálida ideia do que se passa na cabeça de um homem porque acham que ele pensa sempre em mais coisas do que ele efectivamente tem pachorra para deixar entrar na sua série de caixas harmoniosamente arrumadas: a do futebol, a dos carros, a das gajas, a do trabalho, a da cerveja com tremoços e a dos "outros", onde se amontoam todos os assuntos que as mulheres fazem questão de ir abordando, como relações, família, filhos e idas ao supermercado.
Facto 5: As mulheres gostam de ser convidadas para jantar fora
Nem que seja, na pior das hipóteses ou no melhor dos dias, por uma amiga que também não tem outra companhia para além da SIC Notícias ou da SIC Mulher.
Facto 6: As mulheres tendem a acumular antiguidades
Por mais modernas e arrumadas que sejam as suas casas há sempre os peluches da adolescência, as pulseiras da amizade, os recuerdos da viagem inesquecível de que já se esqueceram os detalhes, as roupas que já não servem mas ficam como lembrança de tempos áureos, as sandálias que magoam e por isso ficaram encostadas, as botas que estão rotas de velhas mas que se não deitam ao lixo porque foram extraordinaramente caras...
Facto 7: As mulheres adoram cheirar essências
Seja numa loja de velas, de sabões com formato de bolo, numa perfumaria ou na secção de pout-pourri do IKEA, as mulheres adoram aproximar tudo o que tem ar de ter cheiro do nariz, snifando, snifando, snifando... como se fossem experts em odores ou como se quisessem ficar com o aroma agarrado às narinas. Isto pode ser um perigo para homens com odores corporais estranhos..
Facto 8: As mulheres estacionam mal os carros
Aqui custa-me admitir isto porque tenho a mania de que sou um ás ao volante, mas realmente acho que grande parte das mulheres são umas azelhas no trânsito, principalmente em manobras tão simples como uma inversão de marcha ou tão exigentes como estacionar o carro entre outros dois carros. Diz a autora do texto original que a culpa é das roupas que as mulheres vestem, a tender para o complicado, dos sapatos que calçam, com saltos ou plataformas desproporcionadas, ou da sua estrutura frágil e delicada, não compatível nem adaptável a essa coisa do volante e da caixa de velocidades.
Facto 9: As mulheres adoram casamentos, até as lésbicas
É verdade. Por muito que estejamos fartas de despedidas de solteira, que já não tenhamos pachorra para as figuras tristes da lágrima ao canto do olho, dos vestidos de cerimónia, dos amigos feios do noivo e das pirosas músicas de baile, a verdade é que alinhamos todas nestas tretas com sorrisos divertidos e adoramos estas festas para nos rirmos como galinhas e apanharmos umas bebedeiras monumentais.
Facto 10: As "noites de mulheres" são uma ideia de mulheres em que qualquer uma preferiria sair com o namorado
É evidente que há excepções, e mal estaria se dissesse o contrário, já que sou pessoa que cultivo esta coisa à "Sexo e a Cidade" mas com muito mais piada e menos ataques ao ego: a Carrie é muito mais magra e gira do que eu (apesar de estar a ficar acabada), a Samantha tem mais rodagem e know-how do que alguma vez terei, a ruiva ganha muito mais dinheiro do que posso imaginar e tem uma carreira com mais sucesso do que aquele a que posso aspirar, a outra sonsa perdeu uns quilos a correr (a estúpida!) e, apesar de ter um modelo de vida de dondoca que não me agrada, é inquestionável que tem uma casa em Manhattan que eu não me importava de ocupar... Grrrrrr....
Só mais um detalhe que os homens ignoram em toda a sua dinâmica e extensão: somos umas invejosas... Mas queridas e simpáticas!
Tenho 37 anos. Ainda não cheguei lá, faltam dois meses, mais precisamente 46 dias, para o meu aniversário. De qualquer forma vou-me já habituando a este número, que nem sequer é redondo nem dá para fazer piadas, para quando chegar a data da festa já estar habituada a dizer com orgulho a minha nova idade.
Aos 37 tenho a sorte de ter muitas amigas. Algumas amigas, vá. Amigas verdadeiras, daquelas que não servem só para um café rápido um dia por semana, para um almoço com tempo contado num dia pré-agendado desde o ano passado, aquelas com quem estou mais do que apenas de “vez em quando” com a promessa que jamais é concretizada do “temos de nos encontrar mais vezes”, aquelas a quem faço mais do que os dois telefonemas anuais que a ética e educação recomendam: no aniversário e no Natal em que se juntam os votos de bom ano.
Tenho amigas que já passaram os quarenta, outras que ainda nem chegaram aos trinta e cinco e que eu vejo como chavalas; amigas intelectualmente muito à frente, outras que, como eu, até sabem umas coisas mas preferem passar-se por básicas porque já é demasiado desgastante andar em horários de expediente a falar de engenharias, patologias, análises químicas, macroeconomia, literatura ou qualquer outro assunto aborrecido que nos pague o ordenado.
Tenho amigas avulso, que caíram de pára-quedas na minha vida, que não têm nada a ver com nada, aquelas em que os amigos comuns se construíram depois de consolidada a amizade.
Tenho amigas de infância, daquelas que conheço há mais de vinte cinco anos, cujos pais até são amigos dos meus, cujas famílias são um prolongamento da minha, com quem estou em jantares de aniversário em que vão tios, primos, avós e montes de crianças que chamam pai a um careca com quem troquei beijos na adolescência.
Tenho amigas que são amigas umas das outras, com quem constituo uma espécie de clã que faz inveja a muita má-língua, um núcleo duro há já uns anos, as que fazem trezentos quilómetros para um jantar planeado com semanas de avanço, as que chantageiam os maridos, subornam mães e sogras ou contratam babysitters para poderem deixar as crianças, as que desmarcam primeiros jantares com potenciais candidatos a namorados, só pelo prazer daqueles abraços que nos damos umas às outras, com gritinhos histéricos, mas muito suaves, para que não nos confundam com pindéricas.
Tenho amigas catalogadas por temas e épocas da vida. Aquelas em cujos braços choro, aquelas com quem consigo estar horas a fio às gargalhadas, aquelas com quem falo de temas sérios, as que me ajudam a resolver problemas de trabalho, as que me dão dicas para preparar um jantar gourmet, as que são conselheiras sentimentais, as que são a minha consciência, as que são o meu diabinho perverso, as que reúnem uma pitada de tudo isto, consoante o dia, o estado de espírito, a tristeza que lêem no meu olhar ou a euforia que pressentem no meu abraço.
Somos todas giras e fantásticas, sem presunções nem falsas modéstias porque isto da beleza é uma coisa que vem de dentro para fora, e nós, quando nos encontramos, emanamos uma tal carga de energia e sensualidade que nos transformamos em majestáticas. Tentamos estar sempre de bem com a vida porque não suportamos as mulheres que se arrastam como umas ressabiadas, tentando que os picos down de umas sejam energizados com os bons astrais das que estão em alta.
Tenho amigas casadas e com filhos, outras nem por isso ou nem tanto. Estivemos nos casamentos umas das outras, fizemos despedidas de solteiras loucas, trocamos namorados, tocamos nas barrigas daquelas que num momento mágico disseram com aquele sorriso irrepetível “estou grávida”. Andamos com bebés ao colo, vimos os miúdos crescer, alguns ainda hoje a tropeçar nas fraldas, outros a ultrapassarem a altura dos pais, elas com ar de teenager de série da TV eles com voz estranha e potencial para se transformarem em borrachos. Choramos as dores das separações que algumas viveram, brindamos ao reencontrar da felicidade, extraímos com pinça e bisturi os enfeites que os companheiros de umas lhes resolveram colocar na testa, decoramos com cores de festa popular os pares de cornos que outras ofereceram aos maridaços.
Quando estamos juntas, numa esplanada despretensiosa, em provadores de loja de roupa, em restaurantes sofisticados, no aconchego dos sofás das nossas casas, temos conversas de mulheres maduras, que inevitavelmente se cruzam e sobrepõem mesmo que a mesa seja redonda, se imponha uma disciplina ou se estabeleça uma “ordem de trabalhos”. Falamos em segredo, elevamos a voz até chocar os vizinhos da mesa do lado, choramos e rimos, temos conversas profundas que vão ao canto mais obscuro do nosso íntimo, tanto que depois da partilha de uma confidência guardada anos num armário fechamos o rosto, abrimos o coração e ficamos com a alma arrepiada.
Quando nos encontramos acende-se aquele brilho no olhar provocado por este amor que é a amizade, esboçamos sorrisos travessos de quem vê nestes momentos de convívio uma espécie de recreio de adultos com conversas pornográficas, risos tontos e muito disparate.
Chegadas a esta idade, com mais ou menos gravidezes e abortos espontâneos, dietas milagrosas, engordanços inexplicáveis, quase sempre por causa de medicamentos, tratamentos ou overdoses de chocolate no rescaldo de mais um gajo que passou a navio – “e nós a vê-los passar...” -, eis que nos confrontamos com a perda de elasticidade da pele, com esta coisa que obcecava Newton que é a força da gravidade e com um corpo que se torna rebelde deixando de nos reconhecer autoridade, mesmo quando o submetemos a castigos como a privação de hidratos de carbono, gorduras e outras delícias que engordam, quando o obrigamos a correr estupidamente durante uma hora, ou quando o tentamos manipular com massagens diárias na face, nas pernas e no rabo com cremes anti-estrias, anti-rugas, anti-olheiras, anti-celulite, anti-pele casca de laranja e anti ego-amachucado.
Perante semelhante cenário eis que ontem dei por mim a pensar que cheguei à fase das reuniões tupperware. As reuniões em que assumimos sem preconceitos: um dia destes vamos ter de começar a meter plástico nas nossas vidas. Falo do silicone para as mamas, do botox para as rugas que se vincam em cada lado dos lábios, das injecções do que quer que seja que nos levante o rabo, das aspirações invasivas ou pacíficas que nos tirem ondinhas ao perfil e nos devolvam o ventre plano, e também, porque não, dos artigos made in China escondidos na misteriosa “mala vermelha” que anda a fazer um sucesso secreto em muito lar abençoado.
Entre as minhas amigas há as lindas, as bonitas, as giras, as engraçadas, as gordinhas a quem chamo fofas, as magras a quem chamo parvas (a brincar como é óbvio), as que não têm mamas, as que têm maminhas ou mamocas de todos os feitios e tamanhos, as que têm rabos descaídos, as que têm rabos empinados, as que alargaram na cinta as que mudaram de formato. Entre mulheres como se sabe, nunca ninguém está bem com o corpo que tem e queríamos ser todas do tipo top model mas com mais curvas e menos altura, porque os portugueses têm aquela obsessão pelos corpos em forma de guitarra (deve ser por causa do fado) e tendem para o baixo (não há nada pior do que ter um namorado que nos dá pelo queixo quando andamos de saltos altos).
Algumas das minhas amigas, que são todas mulheres inteligentes e independentes, com automóveis com mais de 1.500 cc que são elas que pagam (ou que fazem parte do seu salário), depois da maternidade ou por causa de uma genética de origem minhota que transformou as suas maminhas numa espécie de bolas de queijo Limiano, ponderam a hipótese de uma recauchutagem ainda este ano, que por terminar em zero, é um óptimo pretexto para fazer um reset, isto para quem como eu acredita que tudo na vida tem um sentido, nada acontece por acaso, logo se depois de 2009 chegou 2010 então nesta coincidência existe por certo uma mensagem.
Noutros tempos, as nossas mães, que se falavam pouco porque mulher alguma saía de casa sem o marido a não ser para ir ao supermercado, discutiam pontos para fazer bordados, trocavam receitas de bolos e segredos para eliminar nódoas de gordura da toalha de linho do enxoval. Hoje em dia, entre amigas o que se discute é que tamanho de silicone é suficiente para caber num top tamanho “S” e manter um homem interessado, que tipo de “plástico” se deve usar para que as mamas não caíam para o lado quando a mulher se deita, que mitos urbanos são esses que dizem que as mamocas falsas explodem nos aviões (não pode ser verdade senão metade do jet set estava desfigurado) ou quantos quilos de gordura amarela cada uma transporta no rabo.
Conclusão geral: chegamos à era do plástico, dos gadgets domésticos, pois com certeza, já que não deixam de ser utilitários. Estou certa de que a partir de agora cada novo encontro se poderá converter numa espécie de festa surpresa, com amigas a exibirem bónus.
Haja saúde... e dinheiro para gastos!
Teorias dos outros
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