Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
A líbido é uma questão de competência

 

Outra vez em modo zaping radiofónico, lá me entra outra vez pelos ouvidos dentro a voz do Quintino Aires. Apanhei a intervenção a meio mas o tema era “será que as mulheres têm menos líbido do que os homens?”.

Já li alguma coisas sobre o assunto e de facto teoriza-se muito sobre isto, com base em estudos científicos e pesquisas laboratoriais que levam anos a produzir conclusões, com muitos inquéritos, sessões de grupo e um acompanhamento exaustivo do dia-a-dia da população da amostra. Tudo se acaba por resumir numa evidência pouco lisonjeira: as mulheres perdem a líbido mais cedo do que os homens.

Sei que já escrevi sobre o tema, comentando que verificava isso entre amigas tão próximas quanto eu dos quarenta, que depois de serem mães e se rotinarem com as papas, cocós, colégios, festas de aniversário e com o canal Panda, adoptam na vida familiar uma postura de quem anda a “brincar às casinhas”, entretidas nas lides domésticas e no cuidar das crianças, sem tempo nem pachorra para outro tipo de marotices.

Hoje ouvi o professor Quintino Aires afirmar com convicção que esta história de as mulheres perderem a líbido é mais um mito urbano. Mesmo que as hormonas possam destrambelhar uma pessoa e que o corpo comece a ressacar por falta de estrogénio, a culpa de as mulheres perderem interesse sexual está todas nos homens! Depois de ouvir os argumentos concordo em pleno com este especialista.

A questão é simples: enquanto que as mulheres vão envelhecendo com algum cuidado, mesmo as que alargam dois tamanhos e se esquecem de pintar com regularidade os cabelos brancos, os homens envelhecem mil vezes pior do que elas. Eles não colocam cremes anti-rugas no rosto, hidratantes no corpo, não tratam os dentes, deixam pêlos crescerem para fora do nariz, penduram a barriga por fora do cinto e acham que um abraço amigo de vez em quando é quanto basta para manter o romance num casamento.

Todas sabemos que as mulheres têm um motor de arranque mais lento – apesar de o dos homens também perder velocidade – e que elas começam a fazer amor com a cabeça, ainda vestidas, a sair do trabalho, numa fila de trânsito ou no corredor do arroz e das massas na hora de ponta do Continente. Se o que encontram quando chegam a casa é um homem estirado no sofá que julga que um piscar de olhos e um “anda cá que eu não te aleijo” é um preliminar suficiente, é natural que percam a vontade, se refugiem na cozinha a depenar um pato ou procurem nos filhos os mimos que já não recebem do companheiro.

Há uma frase qualquer que diz uma coisa do género “não há sexo mau, há é pessoas sem jeito”. Assim sendo, vai muito da competência dos homens garantir que há líbido para a sobremesa… (ou sobre a mesa?)

 

 



publicado por teoriasdacosta às 23:03
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Domingo, 3 de Abril de 2011
Teoria da acefalia

 

À semelhança do que sucedeu no ano passado, Nilton esteve presente na TEDxOPorto para nos brindar com “o humor mais inteligente que se faz em Portugal”, segundo o organizador Manuel Forjaz.

No final das intervenções da manhã, Nilton surgiu com uma teoria em que defendia que muitos seres humanos são acéfalos. A plateia riu. Presumo que a maior parte da audiência desconhecesse que o que Nilton queria dizer é que “a maior parte das pessoas não têm cérebro”, logo são estúpidas.

Como considero que a capacidade de rir de si próprio é um sinal de inteligência não de idiotice, diverti-me imenso com as explicações deste humorista.

Um exemplo da acefalia humana é, segundo Nilton, a teoria da torradeira. Sendo eu fã de teorias passo a explicar que um dos exemplos óbvios de como nos comportamos como pessoas sem neurónios (ou como loiras de um neurónio só, que ou está on ou está off) é a forma como sistematicamente tentamos colocar na torradeira fatias de pão que são mais largas ou mais compridas do que o que a ranhura do electrodoméstico permite. À lei da força, que é como quem diz, aplicando o “truque da pancadinha” que faz funcionar plasmas, monitores, automóveis e mulheres com dores de cabeça, lá conseguimos introduzir a fatia de pão na ranhura. O problema é que nem tudo o que é introduzido à força saí com facilidade (ocorre-me aquele célebre mito da garrafa de Coca-Cola quando ganha vácuo). O mais natural é o pão ficar preso, logo começar a queimar e, o ensonado ser humano que anseia por uma torradinha com manteiga ao acordar, ter uma compulsão incontrolável para tentar sacar o pão com o bico da faca, correndo o risco de uma electrocução.

O que tem isto a ver com o que quer que seja?

Nada.

Ou tudo.

Esta teoria do Nilton remete-me para um pensamento mais amplo que tem a ver com a nossa irremediável atracção pelo perigo. É certo, sabido e científicamente comprovado. Por mais que nos digam que não devemos fazer determinada coisa ou seguir por determinado caminho, lá metemos nós os dedos na tomada ou entramos em contra-mão numa via rápida. Somos assim na vida, em tudo, para sempre, como maldição inerente à condição humana.

O que a maturidade nos traz é a capacidade para antecipar que certas situações são potencialmente perigosas. A experiência quase nos permite aventar graus de probabilidade. Mas na prática, por muito sábios e sabidos, gostamos de aprender com os erros próprios, como se tirar conclusões a partir das experiências dos outros seja coisa de gente pouco original.

Afirmou Nilton, com recurso a uma série de chalaças, que avançamos distraídos pela vida como quem entra num avião convicto de que se algo correr mal há sempre a hipótese de nos salvarmos porque existe um colete salva-vidas debaixo do assento.

A primeira questão é quantas pessoas estão efectivamente atentas à coreografia da hospedeira ou ao filme que explica como proceder se o capitão avisar no seu tom monocórdico em português “peço desculpa senhores passageiros, mas esta turbulência súbita não é temporária, vamos mesmo despencar-nos!", traduzindo depois a mesma frase, com a mesma tranquilidade, para um “inglês estrangeiro arrastado” imperceptível para nativos de qualquer outro país. 

Questiona Nilton com imensa piada: “porque razão têm os aviões colete salva-vidas e não pára-quedas? Existe algum estudo que confirme que se um avião cair será sempre sobre o mar? Se a queda for em terra, o colete salva-vidas coloca-se debaixo do rabinho?”

Isto dá para rir, mas também dá para pensar.

Nós na vida somos mesmo assim, avançamos para as coisas na convicção de que nada de mal há-de acontecer, que na pior das hipóteses está tudo controlado, e que se eventualmente a coisa der para o torto alguém há-de lembrar-se de alguma coisa, sacar de um canivete suiço do bolso ou fazer de uma porta uma jangada, como nos inspirava o MacGyver, que de certeza era aparentado com algum transmontano, pois esta é sem dúvida a maior característica do povo português: “a capacidade de desenrascanço”.

Este último parágrafo é mesmo meu, não foi coisa de que ouvi falar.

O comentário que se segue também corresponde à minha forma de pensar: porquê que esta geração do Facebook e do Youtube, com i-phone´s e i-pad´s, tem este orgulho imbecil em auto-intitular-se “à rasca”, em vez de enveredar pela via que cria heróis e casos de sucessos e que é a “solução do desenrasca?”

 



publicado por teoriasdacosta às 18:46
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Quarta-feira, 30 de Março de 2011
Cronobiologia da melancolia

 

Um dos oradores presentes na TED foi João Marques Teixeira, psiquiatra e psicoterapeuta, que se apresentou como um neurocientista que investiga a cronobiologia da melancolia.

Só o título da intervenção suscita um “uau!” Mas o que este Professor Doutor foi explicar, numa linguagem que a partir do terceiro slide se transformou num dialecto feito de gráficos com linhas ondulantes, é que o culpado pelos nossos estados de alma é o planeta!

Como a terra gira sobre si própria e gravita em torno do Sol, estamos sujeitos, ao longo do dia e durante o ano, a oscilações entre claridade e obscuridade que determinam a forma como nos sentimos.

Como o mais comum dos mortais é capaz de confirmar, no Inverno, quando acordamos de noite, a claridade se esfuma antes da pausa para o lanche e há muitos dias em que nem sequer vemos o Sol, sentimo-nos naturalmente mais melancólicos.

Melancólicos, não necessariamente deprimidos.

Mario Quintana, um autor que eu adoro, dizia que a “melancolia é uma forma romântica de ficar triste”.

Freud descrevia a melancolia como “a ausência que dói”, um inexplicável sentimento de vazio e tristeza, que eu ilustro com recurso à imagem daquela pessoa que caminha pelos dias com um displicente arrastar de pés.

Os dias cinzentos transportam-nos para uma zona cinzenta, nem branca nem negra, uma espécie de aguinha com açucar que se bebe quando as pernas nos traem o corpo.

O Sol como imagem de alegria não é apenas uma metáfora alegórica.

Qualquer criança quando faz um desenho incluí num qualquer canto da folha uma bola amarela se pretende retratar uma circunstância feliz.

Grande parte dos adultos escolhe como imagem de perfil no FaceBook uma fotografia que tirou no pico Verão quando estava mais bronzeado, mais sorridente, com ar mais saudável, ou pelo menos com o rosto iluminado por um delicioso Sol, mesmo que de Inverno, para disfarçar o ar pálido e olheirento que o Inverno nos implanta na cara como injecção de botox.

Hoje quando saí do escritório e constactei que ainda era dia senti-me automaticamente energizada por esta luz que já cheira a Primavera. Pelo caminho vi pessoas a passear cães, a caminhar pela margem do rio, a correr, a andar de bicicleta, a brincar com crianças nos recantos com relva e quase me pareceu estar a assistir a um video com a música do Louis Armstrong, “what a wonderfull world”.

Este efeito que o Sol induz no nosso grau de melancolia tem a ver com o nosso relógio biológico. Não aquele que deixa algumas trintonas doidas quando se sentem em contagem decrescente para a possibilidade de serem mães, mas o relógio que controla a nossa temperatura corporal, o batimento cardíaco, o apetite e, mais importante do que qualquer outra coisa, os afectos.

O relógio biológico não é um mito urbano mas sim um mecanismo regulador do nosso organismo localizado no hipotálamo, que determina o ciclo metabólico.

Segundo a cronobiologia, que “estuda os ritmos e os fenómenos físicos e bioquímicos periódicos que ocorrem nos seres vivos (in Wikipedia)”, os movimentos de rotação e translação desta terra que nos alberga têm impacto directo sobre a forma como nos sentimos.

Concordo que de facto somos uma espécie com tendência a funcionar a “energia solar”, mas também defendo que muitas vezes o Sol é um mero estado de alma – pode ser um sorriso num dia de chuva -, sendo que muitas pessoas permanecem num letárgico estado melancólico simplesmente porque andam com uma nuvem negra permanentemente sobre a cabeça.

 



publicado por teoriasdacosta às 19:47
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Terça-feira, 22 de Março de 2011
TEDxOPorto 2011

 

Ontem lá estive eu na TEDxOPorto.

Estava ansiosa, confesso. No ano passado, com oradores que frisaram o quanto o erro é importante para acertarmos o passo e para descobrirmos o trilho certo para a nossa vida, a TED foi para mim uma epifania. Na altura foi um lenitivo ouvir pessoas tão notáveis e bem sucedidas admitirem que erraram muitas vezes, fracassaram, bateram no fundo, desesperaram, quase desistiram para começar a assumir sem preconceito que eu, como ser humano com a ambição de ser um dia notável e bem sucedida, tinha atingido o limite que permite justificar um erro como criatividade corajosa  e não como uma estúpida teimosia.

Este ano, para um tema genérico que era o azul, que prometia falar de mar, céu e música, com oradores tão cabeça de cartaz como Peter Joseph ou Mark Boyle (falo sobre eles em detalhe nos próximos dias), confesso que a TED ficou aquém das minhas expectativas.

Se calhar sou eu que estou numa fase de maior riqueza interior, não necessitando por isso de me amparar nos braços dos outros para me manter erguida.

Seja como for, um evento com a magnitude, a diversidade e a audácia como uma TED com organização independente (daí o x) é uma oportunidade única para “sair da caixa”, abrir os horizontes, testar a elasticidade do nosso cérebro e a grandeza do nosso coração.

A mensagem principal que retiro do evento sobre o qual falarei nas próximas teorias - à semelhança do que fiz no ano passado com tanta fé e empenho como se transmitir as mensagens que absorvi na TED fosse uma espécie de missão evangelista – é a de que esta coisa do “estar à rasca”, por muito verdadeira que seja, não é uma maldição do destino.

 

Depois de ter elogiado a iniciativa da manifestação como demonstração cívica de descontentamento, tenho agora de comentar que muitos dos que bradam palavras de ordem e se lamentam pelas televisões em directos e diferidos, são pessoas que enfiam a casca de ovo do Calimero assumindo que é mais fácil a lamúria do que a iniciativa.

Passaram pela TEDxOPorto exemplos vivos, reais, em cadeiras de rodas ou em pé, de olhos no chão com a vergonha de falar para tão vasto público, de que quando a vida nos puxa o tapete que julgamos ter sob os pés, há que procurar com maior afinco e empenho outras alternativas.

Nem todos têm sorte, nem todos conseguem identificar oportunidades, nem todos arriscam. Mas também há aqueles que não se sujeitam às regras do jogo quando percebem que os dados estão viciados ou que jogar com regras diferentes é muito mais difícil.

Disse Dirk Niepoort, um homem com porte de agricultor e linguajar típico do norte apesar do nome esquisito, que

“quanto mais uma pessoa se consegue adaptar ao mercado

mais livre é de fazer aquilo que lhe apetece.”

Assim seja, para quem vê no mercado apenas um fado lusitano com enredo melodramático e final muito triste.

 



publicado por teoriasdacosta às 21:39
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011
Nas mãos do FMI ou salvos pelos amarelos?

O nosso estimado Governo passa os dias a leiloar dívida pública. Pelos menos, assim parece.

Os chineses, que nos causaram repúdio com a ronda da ASAE pelos restaurantes do chow min, nos irritam com a propagação epidémica de lojas de artigos foleiros (que atire uma pedra quem nunca foi a uma comprar uma pechincha) e nos deixam desconfortavelmente apreensivos com aquele mito de que entre a comunidade de olhos em bico não há óbitos, podem ser a tábua de salvação para Portugal, comprando títulos que é certo vão rentabilizar vendendo em formato de contrafacção com crocodilo da Lacoste ou cavalo da Ralph Lauren.

A estratégia económica de Pequim é comprar dívida pública, alegadamente para ajudar a estabilizar o euro e reforçar a sua relação com a Europa. Na prática, dadas as taxas de crescimento colossais que tem conhecido este país, investir em dívida é apenas uma forma de aplicar os triliões de dólares que a China vem acumulando. Uma espécie de “lavagem de dinheiro” ou não fossem os chineses conhecidos pela sua queda para o negócio das lavandarias e limpezas a seco.

Estas intervenções serão sempre soluções de curto prazo que em nada resolvem os problemas estruturais que abanam os países periféricos desta Europa com epicentro na Alemanha. No fundo, são uma espécie de brinquedos da loja do chinês. Funcionam na noite de Natal, mas são irremediáveis peças de sucata antes que se acabe o ano.

Os chineses consideram agora avançar para os chamados P.I.G.´s – Portugal, Irlanda e Grécia -, apesar de 2011 nem sequer ser ano do porco. O curioso, é que antes de se voltar para a Espanha, onde a China investe regularmente, a China comprou dívida soberana dos países que agora mandam na Europa: a monarquia de Angela Merkel e o pagode de Sarkozy. Pasmem-se que até os E.U.A têm actualmente a China como principal credor!

Como muito se ouviu dizer pelo nosso Parlamento “quem paga, manda”. O facto de a China ser o agiota que mantém a economia mundial em movimento dá certamente azo a aterradoras teorias da conspiração. Se a isto juntarmos a forma subreptícia como os amigos amarelos se têm infiltrado em Àfrica, num futuro que até pode estar próximo, o mundo será um mega espaço comercial onde tudo se vende a um preço médio de três euros.

Confirma o FMI que Portugal está a ser em empurrado para o abismo pelos mercados onde operam investidores e especuladores de dívida pública. Não sei quem são esse gajos, mas comenta-se à boca que já não é pequena que os mercados estão a apostar numa "quase certa" falência do nosso querido país à beira-mar plantado.

Portugal até leva uma medalha de bom comportamento porque este pacote de medidas que nos caiu em cima como chuva de meteoritos vai melhorar as contas públicas. Sucede porém que este esforço é o equivalente ao do mau aluno que só consegue positiva (à tangente) no último teste do ano. Não é o suficiente para passar.

Pelos vistos o futuro próximo de Portugal decide-se dentro de dias quando avançar nova colocação de dívida. Se os bancos e fundos estrangeiros que têm vindo a comprar dívida pública não se chegarem à frente, e se os Chineses não vierem a jogo, os homens do FMI que nos invadem os pesadelos vão instalar-se em Portugal.

A promessa, melhor dizendo, a ameaça é de que as medidas serão ainda mais austeras, do género que nos pode deixar virados do avesso, escrutinados até ao último cêntimo...

 



publicado por teoriasdacosta às 22:37
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Os homens são como o vinho do Porto?

 

Ainda a propósito de se ser mais feliz quando se é velho, ou melhor dizendo, quando se envelhece, não poderia deixar de comentar esse mito urbano que é o Hugh Hefner. O homem vai-se casar outra vez, aos oitenta e quatro anos, com uma miúda com idade para ser sua neta (ela é uma fresquinha não muito bem conservada de vinte e quatro).

Podia fazer uma série de piadas fáceis sobre o tema, mas limito-me a escrever o que penso.

A primeira coisa que me ocorre é que o Viagra faz mesmo milagres! Assim sendo, com performance garantida para tantas horas como um horário de expediente, o Sr. Playboy, com a experiência que tem – reza a lenda que terão sido mulheres às resmas! – até é capaz de ser surpreendente. Isto se a noiva se abstrair do pormenor que deve ser toda aquela pele flácida que o cobre dos pés à cabeça... É que, como qualquer pessoa com mais de trinta e tais já deve ter reparado, a força de gravidade é uma coisa muito injusta mas absolutamente verdadeira. Não há liftings, nem plásticas, nem botox que mantenham tudo no lugar indefinidamente...

No caso de Hugh Hefner, para além do Viagra deve andar por aquele corpinho de rabo mirrado alguma cocaína e muitas daquelas anfetaminas em que são viciados os americanos que querem ficar vinte e quatro horas em estado de alerta. Confessa a noiva numa entrevista que enquanto ela, no aniversário, quis ir jogar Bowling, ele preferiu ir a Las Vegas e correr duas discotecas. É preciso andar a químicos para com aquela idade ainda ter espírito para programas destes...

Não podia deixar de fazer um reparo ao sex appeal do velhinho mais charmoso do planeta. O charme do Hugh Hefner não são os cabelos brancos nem o sorriso com pivots de cerâmica. As mulheres, atraídas pelo perigo como são, com uma apetência natural para relações perigosas e uma atracção inexplicável por homens que soem a problema, vêm em personagens como o fundador da Playboy uma espécie de medalha de mérito, uma condecoração com direito a ovação em pé e foto de primeira página.

Raras são as vezes em que o adjectivo “mulherengo” não vem agarrado a um homem que nos derrete. As mulheres gostam da sedução, do típico conquistador que as encosta à parede, mesmo quando as frases são todas feitas e soam a deja vu todas as cenas e deixas. Acima de tudo, as mulheres gostam de ganhar o prémio. Acreditam muitas vezes que podem ser a mulher que retira aquele homem do mercado. Às vezes até são. Durante algum tempo.

Hugh Hefner deve ser dos homens do mundo que mais mulheres teve. A acrescer a isto tem uma situação financeira confortável o que também tem a sua importância na hora de pagar a conta, de escolher o destino de férias ou quando se recebem presentes. Não há nada mais deprimente ou anti-orgámisco do que pagar a conta a meias, ter como perspectiva para o Verão uma semana num apartamento em Albufeira ou receber pelo Natal uns brincos dourados de pechibeque.

Quanto ao facto de Hugh Hefner escolher noivas que ainda há umas semanas tinham acne e usavam aparelho nos dentes, apenas confirma o facto de que homens e mulheres são seres de diferentes planetas. Elas querem amor, eles sexo. Uma mulher da idade deste senhor tem a líbido a menos que zero, uma mulher vinte anos mais nova anda em delírio com o nascimento dos netos, uma com metade da idade estará em histeria com a crise dos quarenta. A vida é injusta. As mulheres ficam maduras mais cedo mas também envelhecem mais depressa. Para um homem da minha idade é perfeitamente natural ter uma namorada que ainda seja universitária. Um reformado de oitenta anos, com ouvi há tempos na televisão, procura como companheira de fim de vida, uma jovem com sessenta.

Como sempre tive maior atracção por homens mais velhos não me afecta em nada esta discriminação etária.

Espero continuar a acreditar que os homens são mesmo como o vinho do Porto...

 



publicado por teoriasdacosta às 19:35
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