
Sou mulher mas admito que há coisas insuportáveis na espécie.
Para não ser subjectiva nem “boazinha” andei a googlar o tema e até encontrei um blogue que elenca 40 coisas detestáveis nas mulheres!!!!
Feita a triagem, aqui vai a lista:
Falarem
Estava na dúvida entre escrever falar muito, falar ao telemóvel, falar alto, falar sobre tudo com toda a gente, falar sobre sentimentos, falar sobre a relação, falar sobre a cor de verniz que melhor fica com as sandálias prateadas, falar sobre o novo corte de cabelo da amiga, falar sobre a menopausa da mãe, falar sobre qualquer coisa que começa em férias e acaba em comprar um sofá novo para sala... Mas o que concluo é que basicamente os homens detestam que as mulheres falem. Há um limite de tolerância para os tais minutos da conversa higiénica - “então como correu o dia?”, “amanhã levas os miúdos à escola?”, “vai dar a Taça UEFA na SIC importas-te de ir ver a novela para o quarto?” -, mas a partir daí tudo o resto é blá, blá, blá...
Dizerem que demoram 5 minutos a arranjar-se e afinal demorarem 50
Raras são as mulheres que conseguem estar prontas antes dos respectivos maridos (ou sucedâneos). Eles fazem a barba, mas elas têm sempre que fazer qualquer coisa ao cabelo e mesmo quando não se pintam ou só colocam rimmel, andam a saracotear de um lado para outro enquanto os respectivos esperam impacientes. Num dia de trabalho ele saí primeiro. Numa noite de jantar fora, ele senta-se no sofá, faz zaping, assiste às notícias, coça a cabeça, morde os lábios, enquanto ela espalha creme pelo corpo, se veste, mancha o vestido, troca de indumentária, experimenta sapatos, revista o armário para se certificar que escolheu a roupa certa e volta atrás quando já estão à porta do elevador porque se esqueceu dos brincos e do gloss.
Implicarem com tudo
... com os amigos dele, com a família dele, com a roupa dele, com o pigarrear, com o ressonar, com a tampa da sanita para cima, com os pêlos na banheira, por ele comer demais, por ele suspirar pela comida da Mãe, por ele achar que conhece atalhos e ignorar as indicações do GPS, por ele se esquecer de datas que são simbólicas (tipo o dia do primeiro beijo), por ele ter tido outras namoradas e aventuras antes de a conhecer, por ele ocupar ¾ do sofá... por isto e por aquilo... por tudo e por nada...
Serem obcecadas com dietas
Não suportando se ele não repara que após três dias sem comer pão ela conseguiu perder quinhentos gramas nem se ele não oferece o seu ombro solidário quando ela entra em desespero porque não se consegue enfiar nuns jeans slim (se é que eles sabem o que isso é...)
Terem dores de cabeça
Precisamente no momento em que mais lhes apetece fazer sexo.
Gostarem mais de mimo do que de sexo
Principalmente depois do sexo, quando ela quer aninhar-se nos braços do parceiro e falar sobre parvoíces românticas em vez de o deixar entregar-se ao sono pós-orgásmico.
Mudarem de personalidade na fase da tensão pré-menstrual
Com incompreensíveis alterações de humor, lamentos constantes, sacos de água quente e reclamações porque ele não percebe o que ela sente, seja nos três dias antes do período, seja em todas as vezes em que não lhe deu a mão em público.
Cuscuvelharem-lhe o telemóvel, o perfil do Facebook, gavetas e bolsos dos casacos
Explodindo de uma forma que não passa despercebida aos vizinhos se apanham uma sms de um amigo a combinar um jantar de homens, se se apercebem que uma amiga de proveniência desconhecida coloca um “gosto” numa palermice que ele publicou, se confirmam que ele ainda não deitou fora a t-shirt velha que a ex-namorada lhe ofereceu no Verão de 2003, se encontram uma factura de uma refeição num restaurante que não é o seu local habitual para almoçar.
Não gostarem das prendas que eles escolhem
... porque ela andava há meio ano a insinuar que queria um i-phone, porque ele comprou uma saia que parece feita com os tecidos do IKEA para cortinas de cozinha, porque o tamanho é errado (se for grande demais a discussão pode ser grave!), porque aquela é a cor que mais detestam, porque queriam um anel de noivado e não um perfume de que até não gostam enfiado num desinspirado coffret...
Usarem maquiagem em excesso
Com rosto beje e pescoço branco, deixando manchas castanhas em tudo o que tocam se passam os dedos por uma face empastada em base.
Feitas as contas estão cá as 10. Admito que me encaixo em quase todas...
Há coisas incríveis.
Uma mulher loira, linda, imagino eu uma daquelas jornalistas destemidas, com sede de notícias sensacionais, não sensacionalistas, que aparecem com o cabelo num desalinho chique entre multidões em tumulto, bombas a explodir e rajadas de balas, vai ao Egipto cobrir o tal evento histórico que foi a revolução via Facebook.
Essa mulher, de nome Lara Logan está a cobrir as manifestações no Cairo e de repente é separada da sua equipa e violada. Assim, no meio da multidão em delírio. Em público. De forma continuada. Por vários homens.
Salvaram-na outras mulheres e um grupo de soldados. Não googlei à procura dos detalhes sórdidos porque estes crimes metem-me nojo. Tanto, que depois de ler a notícia não consigo evitar esta detonação de raiva.
Infelizmente este crime sucedeu no Egipto, com uma figura pública, numa situação inusitada. Há uma semana ou duas passou na SIC uma reportagem sobre os constantes abusos sexuais de meninas na Àfrica do Sul. A situação é tão dramática que faz quase parte da cultura popular desta nação mesclada, de negros e brancos com raíz selvagem. Acredita-se por lá que ter relações com uma virgem é cura para o HIV. Dá para acreditar?
Há tempos ouvi também na rádio que o tristemente célebre “violador de Telheiras” enviou vales-postais às mulheres que agrediu, infiro eu para as tratar como prostitutas, pagando-lhes com um cheque dos correios pelos serviços prestados.
Pergunto-me que animal é este que habita alguns homens que os faz serem capazes de violentar uma mulher.
Há a violação que começa numa saída para um copo, que poderá não ser inocente para nenhuma das partes, mas que só acaba em sexo adulto se for consensual. Sucede porém que é nestas circunstâncias que acontecem muitas violações nas sociedades contemporâneas ditas civilizadas. E o pior é que muitas mulheres se assumem como parcialmente culpadas por entenderem que até provocaram o agressor – porque a saia era curta ou o decote ousado – não tendo por isso a coragem de ir denunciar o caso à esquadra mais próxima.
A violação acontece também no seio de um casamento, como mais um dos exemplos demoníacos do que é a violência conjugal.
Descreve a psicóloga Maria Francisca Rebocho Lopes que “o violador português é branco, tem cerca de 30 anos, baixa escolaridade e não revela arrependimento pelo crime”. Concluí também esta psicóloga no seu estudo, que a maior parte destes indivíduos são pessoas absolutamente normais, isto é, têm uma vivência familiar saudável, uma socialização fácil e adaptada, até têm emprego e uma rotina de vida aparentemente normal. O que ocorrerá pois na cabeça destes monstros sinistros que os faz usar da força física para conseguirem uma relação sexual? Que prazer poderão ter num orgasmo com uma mulher aos gritos que não são de prazer, que não colabora, não retribuí, se debate por se ver livre daquelas mãos rudes que a seguram e que, se puder, os insulta e lhes cospe na cara?
Pelos vistos, faz parte do perfil psicológico do violador não perceber que a mulher abusada é uma vítima. Muitos não reconhecem que inflingiram dor ou sofrimento, muito menos traumas ou sequelas.
Sou uma descrente na justiça pelo que me parece que muitos destes crimes não são julgados, quando o são os violadores saem impunes graças a artimanhas legais como a inimputabilidade ou as burocracias processuais, e quando são presos nunca ficam detidos o tempo suficiente.
Diz a psicóloga que quando na cadeia estes criminosos são estigmatizados, censurados e punidos pelos outros reclusos e pelos guardas prisionais. Em minha opinião, pegando nas cenas hediondas do “Prision break” e outras que tais, estes tipos nojentos deviam ser todos sodomizados e tratados como escravos sexuais, de preferêcia por presidiários negros com gigantismo genital.

Aposto que, romântica e lamechas como ando, todos me imaginavam a escrever mais um texto sentimentalóide sobre o amor e a felicidade.
Sucede porém que abomino o amor com data certa e hora marcada.
Acontece também que para a maior parte dos homens o Dia 14 de Fevereiro só é o Dia dos Namorados porque têm uma companheira que os chateia nos dias anteriores com a exigência de um jantar romântico – pelo menos com uma mesa que tenha velas – e porque, entre publicidade, decorações de shopping e spots de rádio, é impossível esquecer o S. Valentim.
Com o conhecimento que vou tendo sobre a espécie, não me parece que os homens ajam com dolo ou má fé quando se esquecem de datas com significado. A maior parte não consegue sequer verbalizar o que comeu ao almoço, quanto mais guardar na memória em que dia ocorreu o primeiro beijo, que roupa trazia ela vestida, onde se encontravam e como tudo aconteceu.
Assim sendo, creio que será mais fácil que um homem se recorde que no dia 14 de Fevereiro se celebra uma data relacionada com um prolongamento da sua identidade: o dia da disfunção eréctil.
Esta expressão, que deve arrepiar muita gente, significa “incapacidade de manter uma erecção do pênis para uma satisfatória relação sexual “(in Wikipedia)”. Creio que muitos homens pensam que isto só lhes vai acontecer quando forem tão velhinhos que já só precisam do pênis para escoar urina, eventualmente usando fraldas. Outros temem que isto lhes possa acontecer num dia extraordinário, assim quando apanharem um miúda de vinte anos pela frente carregada de energia e de electricidade estática, ou num momento de maior nervosismo, stress e cansaço, eventualmente numa noite de copos com muitas misturas, entre cerveja, vinho e bebidas brancas.
De acordo com o que vou lendo por aí, este pesadelo que a ciência chamava anteriormente de “impotência” mas que entretanto amenizou com o termo mais ligeiro “disfunção”, não é apenas um acontecimento excepcional ou coisa de velhos a cair para o lado.
Os homens enquanto são jovens, aí a partir dos treze – quinze anos, conseguem facilmente manter-se num “estado pinóquio” e, segundo a famosa Sue Johanson, são capazes de fazer sexo dez vezes por dia sem qualquer problema (o problema maior será arranjar com quem, digo eu).
Razões psicológicas, numa primeira fase, e fisiológicas, à medida que a idade avança, podem trazer algumas dificuldades aos nossos Tarzans. Mas o problema maior não é a falta de erecção, uma vez sem exemplo ou consecutivamente, por fases, por ciclos ou por parceiras sexuais.
Um homem que tem um momento mau começa a questionar a virilidade do seu pênis (não a sua, entenda-se). Quanto mais desconfia que aquele companheiro de uma vida o pode trair, mais ansioso fica e, consequentemente, maiores as probabilidades de voltar a falhar. O fenómeno torna-se numa espécie de profecia “if you don´t use it, you lose it” como tantas vezes ouvi Sue Johanson repetir.
Diz-se que o Viagra e outros medicamentos sucedâneos são um sucesso de vendas. Muitos utilizados como profilaxia, outros como antídoto (para precaver um azar) outros como marketing (para impressionar a mulher que se convidou para jantar).
Diz a avó Sue, e eu como romântica que sou tenho de subscrever, que a performance sexual é proporcional ao nível de intimidade que um homem tem com uma mulher. Assim sendo, para o dia 14 de Fevereiro, e para os restantes dias em cada mês, não façam sexo façam amor!

De regresso ao fantástico mundo das multinacionais, eis que na semana passada, dei por mim a chegar ao escritório todos os dias antes das oito e meia da manhã - e a não ser a primeira - e a sair nunca antes das oito e meia da noite - não sendo a última a fechar as luzes.
Não têm sido por isso raras as vezes em que penso como gere esta malta a sua vida matrimonial.
Vivo sózinha, vejo o namorado em datas marcadas, por vezes quase sincronizadas no Outlook e gravadas na agenda do telemóvel. Mas a maior parte das pessoas que por ali andam têm todas aliança no dedo, exibem orgulhosas no screen saver as fotos das suas criancinhas, supostamente deveriam estar em casa a horas de jantar em família e não de dar um beijo rápido de boa noite aos miúdos quando estes já estão a meio caminho do sono enroscados sob o endredon das suas camas.
Este fim-de-semana, o grupo de trabalho destacado para um projecto foi todo convocado para trabalhar on-line. Eu lá consegui passar o sábado almoçando tranquilamente na esplanada soalheira de um restaurante alentejano, dormir uma sesta, jantar num mexicano e abanar o esqueleto numa discoteca com música dos anos oitenta. É claro que também fiz limpezas e fui ao supermercado, que isto a vida de uma loira não é própriamente igual à vida de uma Barbie. No domingo dormi até à hora do almoço e depois lá me afundei até à uma da manhã no tal projecto.
Quanto aos meus colegas casados e com filhos, não consigo imaginar como passaram o seu tempo. Sei por experiência de treinador de bancada que com miúdos a única esplanada em que é possível almoçar é a do McDonalds. Pressuponho também que jantaradas com amigos e noites nos copos sejam programas impossíveis para quem passa tanto tempo fora de casa durante a semana.
A questão que me coloco também é que vida sexual tem esta gente?
Casados, a morarem a pelo menos uma hora de distância do trabalho, a sairem de casa de madrugada e a chegarem quando a mulher já tem a cozinha arrumada (grande parte dos colegas que fazem os mesmos horários que eu são homens...), dificilmente chegarão ao final do dia com o mais ténue sentido romântico ou réstia de energia sexual. Aos fins-de-semana devem acordar com os miúdos a esgueirar-se para a sua cama e adormecer no sofá depois do jantar enquanto as crianças ainda estão suficientemente despertas para jogar Playstation.
Chego assim à questão das efemérides.
Diz a Wikipedia que “coisas efémeras são aquelas transitórias, passageiras ou que duram pouco tempo”. Por sua vez, “Uma efeméride é um fato relevante escrito para ser lembrado ou comemorado em um certo dia”.
Não tenho dúvidas de que um orgasmo é efemero. Contudo, pelo que vou sabendo ou me arrisco a especular, há muito boa gente para quem os orgasmos são efemérides, uma espécie de dia de festa.
Dias de festa para aqueles que andam sem parceiro certo e só de vez em quando têm a sorte de fazer aquilo que os americanos descrevem como “get laid”; uma espécie de feriado santo para os que são casados e estabelecem os domingos, a primeira sexta-feira de cada mês, o dia de aniversário do conjuge ou outra qualquer data simbólica ou com significado para “fazer aquilo”; uma espécie de pequeno milagre para os milhares de mulheres que engrossam as estatísticas onde se juntam em amena cavaqueira “as que não se conseguem vir”, seja porque não conseguem mesmo seja apenas porque um orgasmo dá muito trabalho e não lhes apetece fazer o esforço ou o sacrifício.
Segundo o Psichology Today apenas 25% das mulheres – um quarto da população feminina! – atinge de forma consistente um orgasmo durante a relação sexual. Isto significa que há mesmo mulheres que não chegam lá, por mais que dure o acto, por mais ergonómico ou potente que seja o pênis, por mais que a mulher ame o parceiro ou se sinta feliz com a relação.
Fico-me assim pela dissertação filosófica que me leva a olhar de soslaio para os meus colegas, que chegam antes de mim e que se vão embora quando já eu estou em casa a comer a minha sopa. Penso nas suas esposas, que deverão encaixar-se nos 75% que não têm pachorra, vontade ou saúde física, mental, espiritual, emocional ou o que quer que seja para ver as estrelinhas do fogo-de-artifício. Tenho pena que a sua vida seja tão plana porque enquanto por cá andamos devíamos ser todos capazes de ter em cada dia um momento de festa. Ainda que efémero...

A propósito da teoria do capital erótico escrevi que a líbido das mulheres decresce a partir dos 30. É um facto. Vem nos livros, nas publicações científicas, em revistas como a Maria, a Happy e a Cosmopolitan. Confesso até que em conversa com amigas minhas vejo mesmo que assim é. Já conheço mulheres que têm em relação ao sexo a mesma postura que eu só imaginava possível no tempo das nossas avozinhas: fazem o que têm a fazer a bem da média estatística mas nos restantes dias da semana agradecem que os maridos não as chateiem.
Reza a lenda que os homens estão sempre a postos para dar uma queca. As mulheres, por sua vez, tendem a só ter disposição quando estão apaixonadas, se existe um clima de romance, se se sentem bem com o próprio corpo, se não se esqueceram de tirar do congelador a carne que vão assar para o almoço no dia seguinte.
Um Professor de Sociologia da Universidade de Chicago - Phd está claro! – de nome Edward O. Laumman tem-se dedicado ao estudo da organização sexual da sociedade, não propriamente em termos da estratificação social por géneros, mas antes em relação às práticas sexuais por género. Concluíu este investigador, num mega estudo no universo norte-americano que, em primeiro lugar, e como qualquer texano, polícia sinaleiro, bombeiro, caixa de supermercado ou médico dentista confirmaria: os homens pensam mais em sexo do que as mulheres.
Esta conclusão que não espanta ninguém é seguida por outra que explica porque o mercado-alvo da indústria do sexo continua a ser o grupo masculino: os homens não só pensam mais em sexo do que as mulheres, como também procuram mais avidamente ter relações sexuais.
(Agora uma teoria que é minha: se calhar é esta afinidade entre líbidos que justifica a existência de tantos maricas...)
O mecanismo de excitação feminino é muito mais complexo do que o masculino. Basicamente os homens, práticos como são, funcionam como electrodomésticos que ou estão off ou estão on. As mulheres serão o equivalente a uma nave espacial (a forma fálica é coincidência) cheia de botões, programas e modos, difícil de operar mesmo com manual de instruções. Concluíu um estudo sobre o que provoca a excitação entre homens e mulheres, que enquanto os homens são previsíveis, as mulheres se revelam uma caixinha de surpresas. Em muitos casos nem elas próprias são capazes de identificar o que as faz “aquecer”.
Enquanto um homem, ao assistir a um filme pornográfico, por exemplo, fica excitado quase instantaneamente, uma mulher é capaz de assistir a uma cena hard core entre um casal e deter-se em pormenores como o tamanho do sexo do pseudo-actor (que em regra será maior do que o do seu parceiro) e a celulite no rabo da pseudo-actriz (que em regra será um bâlsamo para a sua auto-estima).
O desejo feminino gera-se na cabeça e não entre as pernas. As mulheres precisam de um contexto. Em regra, para uma mulher é importante que exista uma relação antes que exista sexo. Para os homens a relação é o sexo e está tudo dito.
As mulheres gostam de uma boa conversa antes uma boa queca, para os homens uma boa linguagem corporal é sinónimo de uma boa queca.
Outra conclusão importante de tantos estudos e inquéritos é que a líbido feminina é influenciada por factores sociais e culturais. Isto é fácil de perceber. Em sociedades ditas ultra-modernas as mulheres tendem a assumir comportamentos predadores como os homens, têm mais parceiros e são mais ousadas, mesmo que não lhes apeteça. Em sociedades ou para mentalidades mais conservadoras o sexo é ainda um enigma, uma coisa para fazer entre portas, na posição do missionário, deixando-se as habilidades e piruetas para as mulheres da má-vida.
Laumman explica esta vulnerabilidade feminina às influências externas com recurso à socio-biologia. A sua explicação apela aos instintos primitivos: os homens querem mais sexo porque querem disseminar a sua marca genética; as mulheres escolhem melhor os seus parceiros porque no subconsciente estão a seleccionar o hipotético melhor pai para os seus filhos.
Por fim, a questão do orgasmo. Matemáticamente, um homem consegue atingir um orgasmo em média quatro minutos após a penetração – excluíndo os casos de ejaculação precoce, rapidinhas e atletas de competição com muita endurance -; as mulheres demoram entre dez a onze minutos. Este facto científico esclarece porque tantas mulheres não têm orgasmos. Os números dizem que 75% dos homens têm sempre orgasmos (mesmo assim até acho pouco) enquanto que apenas 26% das mulheres têm a felicidade de poder dizer o mesmo. O pior é que os homens nem sequer percebem isso pois quando inquiridos eles dizem que elas têm orgasmo pelo menos 45% das vezes.
Uma evidência que confirma a chamada mentira piedosa ("Ai querido, tu hoje estavas demoníaco!") e que muitos machos que por aí andam e se julgam uns heróis na cama, afinal não são capazes de perceber quando o jogo fica 1-0.
Ainda a propósito de teorias sobre homens e mulheres e sobre esse denso e imenso universo onde cabem as relações entre sexos (mesmo quando não são sexuais) não resisto partilhar uma teoria que não é minha.
Li as citações extraordinárias que a seguir publico num livro que não achei assim tão extraordinário, apesar de muito publicitado nas revistas e passeado por praias e esplanadas por aquele tipo de pessoas que também carrega orgulhosamente o saco do Expresso ao fim-de-semana, em cada saída de casa, mesmo que seja quando descem para colocar o lixo no contentor e enfiar orgulhosamente as garrafas vazias de tinto do Douro e de uísque velho no vidrão.
No livro “A sombra do vento”, de Carlos Ruiz Zafón, existe um personagem caricato, daqueles que conseguimos visualizar como um espanhol pequeno, magro e esquálido, mesmo assim com o seu quê de latino sedutor, uma mistura de bailarino de flamenco com homem que pega o touro pelos cornos, de nome Fermín Romero de Torres. Adorei esta figura porque ele, tal como eu, passa toda a história a fazer teorias.
Uma delas, uma das muitas sobre mulheres, tem como postulado o saber empírico que quase toda a gente admite como verdade: “a mulher deseja o contrário daquilo que pensa ou declara”, segundo Freud tal como o interpreta Fermín. Tal evidência científica “não é assim tão terrível, porque o homem, como nos ensina o Calino, obedece em contrapartida aos ditames do seu aparelho genital ou digestivo.”
Esta afirmação corrobora aquelas célebres expressões, crenças, ditados e diz-que-disses que enriquecem a nossa cultura popular, que sugerem que “um homem se apanha pelo estômago”, no caso das mulheres com aspirações a esposa legítima com timbre a puxar para a governanta, matriarcal e exímia dona-de-casa; ou que “um homem se apanha na cama”, para aquelas que, querendo ser legítimas, mesmo que não esposas, querem adormecer nos braços do homem que escolheram, depois de uma (boa) noite de sexo, mesmo que o pequeno-almoço seja iogurte com cereais, o almoço seja na esplanada mais próxima e o jantar venha directamente do take-away porque entre trabalho, carreira e cabeleireiro não houve tempo para mais.
Continua Fermín dizendo que “o homem, voltando a Freud e passe a metáfora, aquece como uma lâmpada: ao rubro num ápice e frio outra vez num ai” – o que pode ser um sinal de orgasmo fingido se o rubro não for mais do que um espasmo muscular -, enquanto que “a fêmea, porém, aquece como um ferro de engomar (...) a fogo lento (...) mas quando aquece, não há quem pare aquilo.” Quer isto dizer, e como concluí o rapaz inexperiente com quem Fermín partilha esta teoria termodinâmica, que quando um homem quer conquistar uma mulher terá de estar preparado para “por o ferro ao lume”, sendo paciente com os compassos de espera que, poderão ser apenas o pós-sobremesa ou o day after, ou então cinco dias utéis, uma semana se a coisa passar de um fim-de-semana para o outro, ou nos casos mais demorados, alguns episódios de novela mexicana com investimento em flores, jantares, surpresas românticas e mudança de operador de telemóvel para poupar no custo das sms constantes e nos telefonemas que se prolongam até de madrugada.
Fermín descreve a mulher que é objecto do seu amor como “um vulcão à beira de erupção, com uma líbido de magma ígneo e um coração de santa” que será, como cantou o Marco Paulo, “uma lady na mesa, uma louca na cama”. Pelo que me apercebo, é mesmo disto que os homens gostam, muito embora não necessariamente na mesma pessoa...
Continua Fermín numa prosa deliciosa “Há por aí pategos que acham que se puserem a mão no cu a uma mulher e ela não se queixar, já a têm no papo. Aprendizes. O coração de fêmea é um labirinto de subtilezas que desafia a mente grosseira do macho trapaceiro.” E aqui voltamos à questão da mentira, da perfídia, da falsidade, de todos os defeitos, acções maldosas e comportamentos incorrectos de que um homem é capaz para levar uma mulher para cama, sendo igualmente vil, violento e funesto na hora em que se cansou desse novo brinquedo e saí de casa com um pretexto que nem sequer é desculpa, preparando-se, assim que passa o elevador, para partir à caça da próxima presa e jamais voltar.
Diz Fermín “mostre-me um Dom João e eu mostro-lhe um mariconço disfarçado”. Como concordo com isto! Se esta frase fosse um post no FaceBook estou certa de que muitos dos comentários seriam caústicos e todos seguidos de um estridente LOL...
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