Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
10 coisas insuportáveis nas mulheres

 

Sou mulher mas admito que há coisas insuportáveis na espécie.

Para não ser subjectiva nem “boazinha” andei a googlar o tema e até encontrei um blogue que elenca 40 coisas detestáveis nas mulheres!!!!

Feita a triagem, aqui vai a lista:

Falarem

Estava na dúvida entre escrever falar muito, falar ao telemóvel, falar alto, falar sobre tudo com toda a gente, falar sobre sentimentos, falar sobre a relação, falar sobre a cor de verniz que melhor fica com as sandálias prateadas, falar sobre o novo corte de cabelo da amiga, falar sobre a menopausa da mãe, falar sobre qualquer coisa que começa em férias e acaba em comprar um sofá novo para sala... Mas o que concluo é que basicamente os homens detestam que as mulheres falem. Há um limite de tolerância para os tais minutos da conversa higiénica - “então como correu o dia?”, “amanhã levas os miúdos à escola?”, “vai dar a Taça UEFA na SIC importas-te de ir ver a novela para o quarto?” -, mas a partir daí tudo o resto é blá, blá, blá...

Dizerem que demoram 5 minutos a arranjar-se e afinal demorarem 50

Raras são as mulheres que conseguem estar prontas antes dos respectivos maridos (ou sucedâneos). Eles fazem a barba, mas elas têm sempre que fazer qualquer coisa ao cabelo e mesmo quando não se pintam ou só colocam rimmel, andam a saracotear de um lado para outro enquanto os respectivos esperam impacientes. Num dia de trabalho ele saí primeiro. Numa noite de jantar fora, ele senta-se no sofá, faz zaping, assiste às notícias, coça a cabeça, morde os lábios, enquanto ela espalha creme pelo corpo, se veste, mancha o vestido, troca de indumentária, experimenta sapatos, revista o armário para se certificar que escolheu a roupa certa e volta atrás quando já estão à porta do elevador porque se esqueceu dos brincos e do gloss.

Implicarem com tudo

... com os amigos dele, com a família dele, com a roupa dele, com o pigarrear, com o ressonar, com a tampa da sanita para cima, com os pêlos na banheira, por ele comer demais, por ele suspirar pela comida da Mãe, por ele achar que conhece atalhos e ignorar as indicações do GPS, por ele se esquecer de datas que são simbólicas (tipo o dia do primeiro beijo), por ele ter tido outras namoradas e aventuras antes de a conhecer, por ele ocupar ¾ do sofá... por isto e por aquilo... por tudo e por nada...

Serem obcecadas com dietas

Não suportando se ele não repara que após três dias sem comer pão ela conseguiu perder quinhentos gramas nem se ele não oferece o seu ombro solidário quando ela entra em desespero porque não se consegue enfiar nuns jeans slim (se é que eles sabem o que isso é...)

Terem dores de cabeça

Precisamente no momento em que mais lhes apetece fazer sexo.

Gostarem mais de mimo do que de sexo

Principalmente depois do sexo, quando ela quer aninhar-se nos braços do parceiro e falar sobre parvoíces românticas em vez de o deixar entregar-se ao sono pós-orgásmico.

Mudarem de personalidade na fase da tensão pré-menstrual

Com incompreensíveis alterações de humor, lamentos constantes, sacos de água quente e reclamações porque ele não percebe o que ela sente, seja nos três dias antes do período, seja em todas as vezes em que não lhe deu a mão em público.

Cuscuvelharem-lhe o telemóvel, o perfil do Facebook, gavetas e bolsos dos casacos

Explodindo de uma forma que não passa despercebida aos vizinhos se apanham uma sms de um amigo a combinar um jantar de homens, se se apercebem que uma amiga de proveniência desconhecida coloca um “gosto” numa palermice que ele publicou, se confirmam que ele ainda não deitou fora a t-shirt velha que a ex-namorada lhe ofereceu no Verão de 2003, se encontram uma factura de uma refeição num restaurante que não é o seu local habitual para almoçar.

Não gostarem das prendas que eles escolhem

... porque ela andava há meio ano a insinuar que queria um i-phone, porque ele comprou uma saia que parece feita com os tecidos do IKEA para cortinas de cozinha, porque o tamanho é errado (se for grande demais a discussão pode ser grave!), porque aquela é a cor que mais detestam, porque queriam um anel de noivado e não um perfume de que até não gostam enfiado num desinspirado coffret...

Usarem maquiagem em excesso

Com rosto beje e pescoço branco, deixando manchas castanhas em tudo o que tocam se passam os dedos por uma face empastada em base.

 

Feitas as contas estão cá as 10. Admito que me encaixo em quase todas...

 

 



publicado por teoriasdacosta às 22:07
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011
Era uma vez... a vida como ela é...

 

Numa das milhentas publicações que me aparecem nos feeds do FaceBook, encontrei uma que achei genial.

O filme que partilho enquadra-se numa série intitulada “Tales of mere existence” - não traduzível para português numa expressão que soe tão poética-  que contém sketches com um toque de humor, ironia e oportunidade que valem por muitas das minhas singelas teorias.

O filme que partilho chama-se “Como perder uma rapariga em 64 etapas”, fenómeno que me parece digno de recorde no Guiness já que a maior dos homens que conheço acabam com a namorada que uma mulher julga que é num acto único: eclipsam-se.

Mas o filme não é exactamente um manual para uma saída airosa. É mais o relato do que são as relações ditas adultas nos nossos dias.

Para não plagiar o original, aqui vai a minha reinterpretação do filme:

Fase  1: a construção.

Corresponde àquela coisa gira de fazer crescer uma relação, identificando com orgulho os pequenos detalhes que fazem com que duas pessoas se tornem íntimas: irem juntos ao supermercado, acabarem as frases um do outro, rirem das mesmas piadas, perderem a vergonha de fazer cócó quando o outro está na divisão contígua.

Nesta fase as mulheres começam a acreditar que a relação é para toda a vida. Os homens começam a entrar em pânico perante essa perspectiva.

À medida que as relações amadurecem há coisas que mudam. Não há tanta inspiração para sms românticas ou atrevidas, as conversas são mais curtas, o sexo passa de diário a de três em três dias, depois a actividade de fim-de-semana até se tornar uma coisa de férias e de dias festivos.

Elas começam a sair com as amigas para desabafar, eles aproveitam os jantares de gajos para se divertirem à brava com os amigos.

Os desentendimentos aumentam e a relação acaba.

Fase dois:  a segunda infância 

Depois de uma relação sufocante é normal sentirmo-nos aliviados. Somos invadidos por uma eléctrica sensação de liberdade, e que atire a primeira pedra quem nunca passou ou conhece alguém que tenha passado por esta sensação de euforia, em que depois do fim de um namoro se volta a sair à noite como rotina, se muda o visual, se conhecem pessoas novas e se dão umas quecas sem compromisso.

Até que um dia se volta a tropeçar na/o ex.

Depois de um olhar e de um sorriso concluí-se que afinal aquela pessoa é a tal e que foi uma loucura deixá-lo/a fugir.

Fase três: a reconciliação

Os reencontros de namorados descambam quase sempre num abraço ansioso, com ela a tirar-lhe as calças pelo pescoço e ele a encostá-la contra à parede numa performance digna de filme.

É nesta fase que as duas pessoas que correram o mundo concluem que afinal durante todo esse tempo andaram com o coração vazio.

As reconciliações são sempre momentos de felicidade extrema. As pessoas convencem-se que a separação as fez amadurecer, que finalmente percebem aquilo que efectivamente querem para a sua vida. Admitem que sentiram imensas saudades e que são incapazes de viver uma sem a outra nem que seja só por um dia.

Apesar de eu ser das cépticas que acredita mais na teoria do “it´s never as good as the first time” – nunca é tão bom como da primeira vez – conta o filme que a sensação que duas pessoas têm quando se voltam a juntar é que a relação fica muito melhor do que era. Sou capaz de conceder que em muitos casos que conheço é mesmo esse o espírito.

A relação é reconstruída, remodelada, mudam-se as loiças da casa-de-banho, compra-se uma cozinha IKEA em tom beringela e acrescenta-se uma marquise. Feita a bricolage, volta tudo ao mesmo: o sexo passa de regular a transitivo, recomeçam as discussões, primeiro futéis, aos poucos com direito a amuo de um dia, depois estridentes e finalmente com recurso a artilharia (que em linguagem de casal significa a utilização de golpes baixos como o arremesso de episódios do passado que são cobradas com juros sem perdão de dívida).

A relação chega a um ponto em que os dois já nem sabem porque discutem. É altura de acabar novamente.

Fase quatro: a terceira infância

Esta fase é idêntica à segunda mas com menos pedalada. Também aqui acho que qualquer um já viveu a experiência de sair à noite e não encontrar ninguém com quem se identifique, não se sentir bem em canto algum, mesmo correndo todos os bares e ruas que compoem o animado quarteirão das galerias (no Porto) ou do Bairro Alto (em Lisboa), de não saber o que fazer nem para onde levar o corpo cansado e a precisar de mimo.

Nesta altura nem sempre a pessoa que se deixou está particularmente receptiva. Nem sempre acreditamos que vale a pena nova tentativa.

Nesta fase em que tudo nos aborrece é difícil encontrar alguém que nos cative.

Entra-se assim num estado moderadamente depressivo.

Fase cinco: a recuperação

Até que um dia, porque está Sol, porque as hormonas se agitam, porque nos cansamos de termos pena de nós próprios, entramos na fase da recuperação.

Inicialmente, a solidão, o não ter companhia é coisa para provocar urticárias, pesadelos e gastroenterites. Semanas ou meses depois habituamo-nos a estar sózinhos, a dormir no meio da cama, a deixar amontoar loiça suja na cozinha.

Quando já nos adaptamos a nós próprios, quando convivemos bem com a pessoa que somos, nos reconciliamos com os nossos defeitos e aceitamos que há coisas em que somos fraquinhos, estamos precisamente no ponto de mergulhar de cabeça numa relação e voltar a repetir o ciclo do início.

 

 



publicado por teoriasdacosta às 21:58
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
Uma lição de vida

 

Ontem vi um daqueles filmes que nos deixa a pensar durante dias.

Solitary man” (vertido para “O eterno solteirão” por um tradutor que com este título está injustamente a posicionar o filme na categoria das comédias caseiras), com Michael Douglas sublime no papel principal, conta a história de um homem com sucesso na vida a quem um dia o médico diz “temos de fazer uns exames mais detalhados ao seu coração, não estou a gostar do que vi.”

NOTA: todas as reproduções de diálogos baseiam-se unicamente na minha memória. Podem não corresponder ao diálogo exacto mas expressam os conteúdos das conversas em concreto.

Acho que todos nós tememos por um momento como este. Confesso que se a minha ginecologista me dissesse algo parecido depois de uma ecografia ou de uma mamografia começava logo a fazer o filme trágico de uma história que não me apetece viver.

Michael Douglas (desculpem, mas o actor está mesmo a fazer o papel daquilo que é, um sessentão charmoso com um problema de saúde que pode ser fatal, por isso esquivo-me de o tratar pelo nome do personagem) reage a esta notícia de uma forma que nem todos teríamos coragem para assumir: prefere não saber! Saí do consultório do médico, faz uma retrospectiva da sua vida, e decide que vai viver os últimos dias como sempre lhe apeteceu viver. Deixa de ser o marido fiel, o empresário honesto, o pai presente, o avô responsável e torna-se um mulherengo, comerciante charlatão, pai inconsciente, avô infantil.

O tempo vai passando e Michael continua vivo. As suas opções de vida destoem-lhe o casamento, arruínam-lhe o negócio, arrasam a sua credibilidade no mundo empresarial, afastam-no da filha e do neto.

Michael torna-se uma pessoa amarga e cínica, que diz tudo aquilo que lhe apetece, não cala nada do que pensa e nem sequer se importa com o efeito que as suas palavras têm nas pessoas que agride ou critica. Creio que todos gostávamos de ser assim, mas a sinceridade às vezes é uma arma de arremesso perigosa e “Michael – o agressor” também sente os efeitos carrascos de quando se é agredido.

Arrepiaram-me momentos do filme como aquele em que ele leva para a cama a mãe de um amiguinho de escola do seu neto e, no dia seguinte, quando acordam os dois de uma grande bebedeira, ela diz uma daquelas frases feitas com que muitas mulheres se desculpam: “não sei como é que fiz isto contigo!”. Ele responde “fizeste isto comigo porque tens trinta e muitos anos e os pais dos amigos do teu filho andam é atrás de miúdas de vinte.” Ui! Esta senti-a na pele!

Outras cenas de crueldade palavrosa são o momento em que ele, depois de ter ido para a cama com a enteada de dezoito anos, a assedia novamente acreditando que, dadas as experiências sexuais pouco satisfatórias que ela confessou ter tido até à data, lhe proporcionou uma das melhores noites da sua vida. Diz-lhe ele “tivemos uma química tão boa, nem sequer pensei na diferença de idades.” Responde a miúda secamente “pois eu não me consegui abstrair da diferença de idades em nenhum momento”. Ui! Esta também deve doer a muito homem maduro que por aí anda e que vê na possibilidade de dar umas cambalhotas com uma miúda mais nova uma espécie de experiência alucinogénea afrodisíaca.

A qualidade de vida do personagem decaí à medida que o filme rola, tudo à sua volta se desmorona, mas o seu corpo, ao contrário do que era suposto, mantém-se firme... e sexualmente activo!

Lições a retirar deste filme que não vou dizer como termina: viver a vida no limite tem um preço que pode sair muito caro. Como diz o povo “sofrer de véspera, só o peru no Natal”, mas festejar sem festa pode colocar-nos num estado de ressaca permanente.

Quanto à mensagem que me toca, que tem a ver com a amizade e com aquele texto que publiquei há dias em que defendia que os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado nos momentos de alegria, e não apenas os que alimentam e nutrem, às vezes de forma doentia, os nossos piores momentos, Michael descobre que quem nos ama nunca nos abandona. Descobre também que o amigo que não via há mais de trinta anos e que deliberadamente desprezou partilhou todas as suas alegrias como se as suas vitórias lhe trouxessem algum proveito.

Filme que vale a pena ver. De espírito aberto e coração sensível.

 



publicado por teoriasdacosta às 21:29
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Guerra de sexos

 

Há uns anitos, um americano de nome John Gray publicou um livro que ficou na história “Os homens são de Marte, as mulheres são de Vénus”. A metáfora que representa o título sugere que homens e mulheres são tão diferentes que nem sequer se podem considerar seres do mesmo planeta.

Apesar de ter quase vinte anos, a teoria de Gray ainda merece ser lida. Retomo-a para um tema que me foi sugerido por um adolescente que me lê e que criou um canal no Youtube que é uma delícia (ver link abaixo).

Um dos corolários de Gray é a diferença na forma como homens e mulheres valorizam, ou melhor, contabilizam, as formas de demonstração de amor. Os homens atribuem grande importância aos actos de amor que consideram como grandiosos, tipo oferecer flores, não se esquecer da data de aniversário de namoro, comprar o anel de noivado como manda a praxe e pedi-la formalmente em casamento. Elas contabilizam cada milionésima de cada acto que possa ser interpretado como um indicador, ainda que microscópico, de amor, tipo quando ele coloca a sua mão sobre a dela numa esplanada, quando ele a apresenta como namorada e não como uma amiga, quando ele a beija inesperadamente só porque gostou do seu sorriso. Quer isto dizer que enquanto para um homem é suficiente que ele pratique um grande acto de amor uma única vez na vida (sexo é que convém que seja todos os dias para garantir que se mantém viril), para uma mulher é necessário, fundamental, imprescindível que os pequenos actos de amor se repitam sucessivamente, todos os dias (mesmo que o sexo aconteça só quando ela não tem dores de cabeça).

Outra das teses de Gray tem a ver com a forma como os homens reagem aos problemas. Eles, como já por aqui escrevi, adoram refugiar-se na “caixa do nada”, na expectativa de que, entre uma sessão de zaping, duas goladas de cerveja e uma sesta com direito a ronco e baba a escorrer pelo queixo, a solução para o seu problema se revele de forma milagrosa. Elas, como nós sabemos, gostam de discutir os problemas. Mesmo que falar sobre eles, analisá-los, auscultar a opinião das amigas, da manicure, da cabeleireira, da caixa do supermercado, da senhora da farmácia ou da médica de família, não ajude em nada a resolvê-lo. É desta necessidade de silêncio dos homens versus esta incontinência verbal das mulheres que surgem as maiores discussões entre um casal. Elas não se calam, eles não reagem, elas enervam-se com a sua apatia, eles explodem após tanta ladainha, elas encolhem-se e choram, eles gritam e batem com a porta.

Mais recentemente, Gray desenvolveu uma nova teoria com o título “Venus on fire, Mars on ice” (Venus a arder, Marte a congelar, segundo a minha própria tradução) de acordo com a qual, a pressão a que as mulheres estão actualmente sujeitas – ser magras, atraentes, sexy, boas na cama, mães de família, esposas com dotes culinários, profissionais implacáveis, ter sentido de humor, fazer pilates e andar em saltos altos – coloca-as em risco de combustão iminente. Melhor dizendo, uma mulher moderna é hoje uma atmosfera explosiva.

Os nossos homens, tal como os seus pais, chegam a casa e querem sofá. Alguns ainda vão às compras, metem o jantar no micro-ondas e lavam pratos, mas no fundo, o seu maior desejo é o momento em que se afundam na almofada com o o comando na mão. Uma mulher que vem esgotada de um intenso dia de trabalho, tem de pensar no jantar do dia seguinte, na roupa que vai usar, nos adereços e sapatos, nos argumentos para a reunião, no desmaquilhante, no sérum anti-rugas e no anti-celulítico, detona imediatamente assim que o marido põe a aquecer a powerbox.

Por sua vez, os homens modernos, que se vêm obrigados a desempenhar tarefas que não estão na sua natureza – como não esquecer de colocar sementes de sésamo no molho para temperar a salada, mudar fraldas ou percorrer o corredor do supermercado à procura de pensos higiénicos para fluxo normal com alas – tornaram-se mais frios. Já não chegam a casa com aquele ímpeto sexual que os fazia passar a noite a apalpar o rabo da mulher até conseguirem por a dormir as crianças. Também eles amuam e fazem greve de sexo. E isso não faz de um homem macho um maricas!

Para Gray, à semelhança de muitos cientistas americanos, a resolução de todos os problemas da vida resolve-se com terapia hormonal. Diz ele que assim que a hormona do amor é produzida – a oxitacina – a do stress é reduzida – cortisol – logo um abraço, um beijo, um pequeno gesto de carinho podem fazer maravilhas para combater os incêndios em Vénus e reanimar os corpos enregelados dos habitantes de Marte. A boa notícia para ambos, é que se os níveis de oxictocina delas se elevam, os de testosterona deles respondem.

Os homens e as mulheres são diferentes. Sim é verdade! Ainda bem, acrescento eu.

 

 



publicado por teoriasdacosta às 22:40
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010
DVD (teoria sobre homens e mulheres,embora não pareça...)

 

Uma amiga do FaceBook, a Raquel Tinoco, que comenta assiduamente a página das teorias, escreveu a propósito do último texto que há homens D.V.D.: Deita – Vira – Dorme.

Achei a expressão uma delícia! Confesso que não conhecia a categoria - provavelmente ando a sair pouco ou então estou a ficar ultrapassada -, mas conheço o género pois já partilhei a cama com um espécimen que adormecia em nano-segundos e ressonava em stereo!

Uma outra amiga que já por aqui tenho citado, a queridíssima Isabel, comentava este fim-de-semana que o homem ideal são quatro ou cinco homens diferentes. Como não encontro siglas para definir cada género, aqui vai uma síntese das características que uma mulher procura e que raramente se encontram num só ser:

- Ao nível do aspecto físico, uma coisa entre o George Clooney e o Brad Pitt. Chamemos-lhe um Clopit.

- Como pessoa, porque gostamos de homens inteligentes com carisma e com um sentido de humor que não seja brega, talvez uma mistura do Barak Obama com o Seinfeld, isto é, um Obeld.

- Como companheiro, uma espécie de “Querido Mudei a Casa”, que mude lâmpadas, saiba dar marteladas sem rachar paredes e resolva qualquer problema com hardware, de preferência que vá às compras e que seja um chef gourmet. Se juntarmos o Querido (do programa da SIC Mulher) com o Jamie Oliver obtemos um Quimie.

- Como amante, um homem romântico, que faça surpresas, que seja meigo, que goste tanto de beijos e carícias como de sexo hard core. Neste caso, acho que não há referência masculina que possa utilizar porque alguém com estas características só mesmo outra mulher…

No caso dos homens, também me parece que o ideal que eles procuram resulta da combinação de alguns estereótipos:

- A boneca, irrepreensivelmente arranjada mas sem exageros, que saía da cama com boa cara, que não tenha banhas nem celulite, e que não engorde em circunstância alguma, mesmo depois de ter filhos ou de uma semana a comer petiscos no Alentejo.

- A melhor amiga, sempre disponível para o ouvir, que não julga nem critica, lhe dá umas palmadinhas nas costas e o compreende.

- A boa menina, educada, silenciosa nos momentos em que deve estar calada, comunicativa quando o campanha a qualquer sítio como partenaire, culta mas sem Q.I. de cientista porque a intelectualidade reduz o interesse de uma mulher.

- A governanta, que assegura que há comida no frigorífico, que as camisas estão engomadas sem vincos e que recolhe as roupas e tralhas que ele deixa a atravancar o caminho.

- A bomba sexual, que nunca tem dores de cabeça, que alinha em todas as brincadeiras mas que é apenas explosiva q.b. porque eles gostam de acreditar que são a melhor coisa que já nos passou entre as pernas.

Em suma, tentar ser um pouco de tudo isto redunda em esquizofrenia na certa.

É por isso um milagre que de repente, depois de algumas cambalhotas e aventuras, nos surja no caminho o homem que é mais giro ao vivo do que nas fotografias; que nos desafia com a sua cultura mas que consegue ser suficientemente tonto para nos fazer rir; que se preocupa com os watts da lâmpada da cozinha e que adora passar as mãos à volta da nossa cintura enquanto preparamos o jantar; e que quando nos leva para a cama não quer dar uma queca, quer fazer amor.

De igual modo, acho que um homem fica satisfeito quando encontra uma mulheraça, mesmo que ache um escândalo o dinheiro que ela gasta a arranjar as unhas e a colorir o cabelo; porreiraça, daquelas que falam sobre qualquer tema sem dizer muitas asneiras, ouvem com paciência o que eles dizem e até dão bons conselhos; maternais o suficiente para os ajudar a cuidar deles próprios, sem se tornar uma chata nem desatar a suspirar por um filho; com o nível intelectual adequado para não provocar embaraços, seja porque não sabe onde fica o Haiti seja porque delira com física quântica ou é tão sobredotada que se torna uma abstracta. Quanto à cama, pelo que consta não há mulheres frígidas há é homens que não sabem o que devem fazer…

 



publicado por teoriasdacosta às 21:25
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
Os homens gostam mais de sexo do que as mulheres!?!?!?!?!?!?!?

 

A propósito da teoria do capital erótico escrevi que a líbido das mulheres decresce a partir dos 30. É um facto. Vem nos livros, nas publicações científicas, em revistas como a Maria, a Happy e a Cosmopolitan. Confesso até que em conversa com amigas minhas vejo mesmo que assim é. Já conheço mulheres que têm em relação ao sexo a mesma postura que eu só imaginava possível no tempo das nossas avozinhas: fazem o que têm a fazer a bem da média estatística mas nos restantes dias da semana agradecem que os maridos não as chateiem.

Reza a lenda que os homens estão sempre a postos para dar uma queca. As mulheres, por sua vez, tendem a só ter disposição quando estão apaixonadas, se existe um clima de romance, se se sentem bem com o próprio corpo, se não se esqueceram de tirar do congelador a carne que vão assar para o almoço no dia seguinte.

Um Professor de Sociologia da Universidade de Chicago - Phd está claro! – de nome Edward O. Laumman tem-se dedicado ao estudo da organização sexual da sociedade, não propriamente em termos da estratificação social por géneros, mas antes em relação às práticas sexuais por género. Concluíu este investigador, num mega estudo no universo norte-americano que, em primeiro lugar, e como qualquer texano, polícia sinaleiro, bombeiro, caixa de supermercado ou médico dentista confirmaria: os homens pensam mais em sexo do que as mulheres.

Esta conclusão que não espanta ninguém é seguida por outra que explica porque o mercado-alvo da indústria do sexo continua a ser o grupo masculino: os homens não só pensam mais em sexo do que as mulheres, como também procuram mais avidamente ter relações sexuais.

(Agora uma teoria que é minha: se calhar é esta afinidade entre líbidos que justifica a existência de tantos maricas...)

O mecanismo de excitação feminino é muito mais complexo do que o masculino. Basicamente os homens, práticos como são, funcionam como electrodomésticos que ou estão off ou estão on. As mulheres serão o equivalente a uma nave espacial (a forma fálica é coincidência) cheia de botões, programas e modos, difícil de operar mesmo com manual de instruções. Concluíu um estudo sobre o que provoca a excitação entre homens e mulheres, que enquanto os homens são previsíveis, as mulheres se revelam uma caixinha de surpresas. Em muitos casos nem elas próprias são capazes de identificar o que as faz “aquecer”.

Enquanto um homem, ao assistir a um filme pornográfico, por exemplo, fica  excitado quase instantaneamente, uma mulher é capaz de assistir a uma cena hard core entre um casal e deter-se em pormenores como o tamanho do sexo do pseudo-actor (que em regra será maior do que o do seu parceiro) e a celulite no rabo da pseudo-actriz (que em regra será um bâlsamo para a sua auto-estima).

O desejo feminino gera-se na cabeça e não entre as pernas. As mulheres precisam de um contexto. Em regra, para uma mulher é importante que exista uma relação antes que exista sexo. Para os homens a relação é o sexo e está tudo dito.

As mulheres gostam de uma boa conversa antes uma boa queca, para os homens uma boa linguagem corporal é sinónimo de uma boa queca.

Outra conclusão importante de tantos estudos e inquéritos é que a líbido feminina é influenciada por factores sociais e culturais. Isto é fácil de perceber. Em sociedades ditas ultra-modernas as mulheres tendem a assumir comportamentos predadores como os homens, têm mais parceiros e são mais ousadas, mesmo que não lhes apeteça. Em sociedades ou para mentalidades mais conservadoras o sexo é ainda um enigma, uma coisa para fazer entre portas, na posição do missionário, deixando-se as habilidades e piruetas para as mulheres da má-vida.

Laumman explica esta vulnerabilidade feminina às influências externas com recurso à socio-biologia. A sua explicação apela aos instintos primitivos: os homens querem mais sexo porque querem disseminar a sua marca genética; as mulheres escolhem melhor os seus parceiros porque no subconsciente estão a seleccionar o hipotético melhor pai para os seus filhos.

Por fim, a questão do orgasmo. Matemáticamente, um homem consegue atingir um orgasmo em média quatro minutos após a penetração – excluíndo os casos de ejaculação precoce, rapidinhas e atletas de competição com muita endurance -; as mulheres demoram entre dez a onze minutos. Este facto científico esclarece porque tantas mulheres não têm orgasmos. Os números dizem que 75% dos homens têm sempre orgasmos (mesmo assim até acho pouco) enquanto que apenas 26% das mulheres têm a felicidade de poder dizer o mesmo. O pior é que os homens nem sequer percebem isso pois quando inquiridos eles dizem que elas têm orgasmo pelo menos 45% das vezes.

Uma evidência que confirma a chamada mentira piedosa ("Ai querido, tu hoje estavas demoníaco!") e que muitos machos que por aí andam e  se julgam uns heróis na cama, afinal não são capazes de perceber quando o jogo fica 1-0.  

 



publicado por teoriasdacosta às 22:05
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