Teses, teorias, teoremas, simples comentários... sobre a forma como vejo esta bola redonda e pálida que é o mundo.

Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
Plano B(ento)

 

 

Todos temos um plano B.

(Nós cá pelo Porto ainda temos a sorte de ter um bar com este nome que fica na zona das galerias e cuja visita recomendo…)

É aquela coisa de sonhar com a casa em cima da praia, o duplex com terraço com vistas de mar, a Volvo V70 cross country, a mala Gucci, os sapatos Manolo Blahnik, as viagens para as compras de Natal em Manhattan, o jatinho privado para um jantar romântico na Sardenha ou para ir dar um mergulho de sereia num mar azul turquesa; mas depois termos de nos contentar com a casa com uma prestação compatível com o nosso ordenado, vistas de mar só nas férias, num hotel com quartos superiores em promoção no booking ou fora de época, um Volvo que é um autocarro, ou com sorte a viatura que nos concede a empresa, malas da Parfois, sapatos da Zara, jantares em restaurantes com ares de Tribeca e mergulhos em lençóis perfumados que nos aconchegam os sonhos com férias.

Todos temos como ícones de vida o champanhe e o caviar, mas contentamo-nos com tremoços e umas cervejas. Chama-se a isto capacidade de sobrevivência. Se não conseguirmos aceitar com gratidão aquilo que a vida nos dá, se passamos o tempo a alimentar quimeras, o risco de frustração fica de tal forma exponenciado que só conseguimos sair da raiva que nos enclausura e tolda os sentidos batendo com a cabeça numa parede (até à perda de consciência e o mítico encontro com o S.Pedro).

A sabedoria, a experiência, revistas como a Maria, a Vogue e a Happy, livros como os que escreve a Margarida Rebelo Pinto e crónicas na Caras do Paulo Coelho, ensinam-nos que sim, de facto é importante ter objectivos, que claro, que estes têm de ter um mínimo de tangibilidade para que sejam fonte de ânimo e não de desespero, mas que também, mais vale dar um desconto entre a 10 a 50% para aquilo que se pretende, não vão as coisas correr mal e os nossos projectos naufragarem em mar alto ou morrerem na praia como tantas vezes sucede.

Por isso, quase inconscientemente, para cada plano de vida, engendramos uma alternativa. Ou várias.

Assim como a selecção vai para um Mundial a dizer que fica contente se chegar aos oitavos de final, também nós podemos dizer convictas que não precisamos de um homem que seja giro desde que seja inteligente, se não for muito inteligente pelo menos que não diga muitas idiotices que nos causem embaraço em público, que até antecipamos que podia chover no fim-de-semana por isso tiramos o biquíni do armário mas, pelo sim pelo não, também fomos ao caderno de lazer do Expresso ver que filmes andam pelas salas de cinema.

Nós termos um plano B, ou C ou D, ou XYZ, é bom, é normal, é saudável e recomendável.

O que quer que seja que nos aconteça podemos sempre argumentar que foi uma das nossas escolhas. E foi. Talvez não a preferida, mas uma das consideradas.

 

Agora sermos o plano B de outra pessoa é uma maldade caústica.

Imaginem saberem que o nosso namorado nos escolheu porque levou um corte da nossa melhor amiga. Descobrir que ficamos com aquele posto de trabalho porque mais ninguém o queria, ou porque quem a entidade patronal desejava, por questões éticas de razão espanhola, não estava disponível.

Quando somos nós que escolhemos, seja qual for o valor da escolha, podemos sorrir com orgulho porque conseguimos aquilo que não nos importávamos de ter. Quando somos seleccionados porque quem nos escolheu não conseguiu quem queria, a coisa deve doer, ali naquele pedacinho de consciência onde fica a nossa auto-estima, o nosso orgulho e o nosso ego.

Mas a vida nem sempre é justa. Há um homem para cada sete mulheres, muitos desempregados e poucos empregos disponíveis, pelo que, em épocas de crise em que a oferta escasseia, temos mesmo de disfarçar com um sorriso quando nos desenham na testa a letra B.



publicado por teoriasdacosta às 20:22
link do post | comentar | ver comentários (6) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
Teoria sobre o despedimento de Carlos Queiroz... com tranquilidade

 

Não percebo nada de futebol nem dos movimentos que se passam sobre o relvado, nas direcções dos clubes e nos balneários. Mas como com a minha experiência de vida já vou percebendo alguma coisa sobre como se comportam estes bichos que são as pessoas quando têm de sobreviver num contexto profissional, não consigo evitar tecer alguns considerandos em relação ao caso do Carlos Queiroz:

  1. Em primeiro lugar, se a selecção nacional tivesse feito alguma coisa de jeito no Mundial o Queiroz era um porreiraço. O Scolari passou por isso. Passou de besta a bestial quando levou Portugal aos quartos de final no Euro e pôs todo o país a agitar orgulhosamente a bandeira nacional. Passou de bestial a besta quando antes do Euro terminar já era certa a sua saída e o povo que o adoptou de repente ficou com vontade de lhe cuspir na cara.
  2. As pessoas que fazem parte do mundo futebolístico não primam pela sua educação nem cultura geral. Por isso não é surpresa que Queiroz tenha andado à porrada com um jornalista, mandado os “homens do xixi” abaixo de Braga, insultado adeptos, cuspido no chão, dado murros na mesa e outras histórias mal contadas. Quanto ao não saber o que pretendia dizer Rodrigo Guedes de Carvalho (esse pão!) quando aludiu ao “polvo” já é uma coisa que me surpreende vinda de um homem que até tem formação universitária. Mas o professor lá estava nervoso, queria sair-se bem na entrevista, limpar a sua imagem pública por isso é natural que não quisesse alinhar em qualquer analogia que associasse os sucessivos episódios em que o seu nome esteve envolvido a uma grande peixeirada.
  3. Quando Queiroz foi contratado para a selecção – sim, porque o que aqui está em causa é uma relação laboral – tinha um bom emprego e experiência profissional. A Federação Portuguesa escolheu-o e ele, que de burro não tem nada, negociou um bom salário e, conhecendo como conhece a facilidade com que as pessoas levam pontapés no rabo no mundo do futebol, negociou ainda melhor as condições mediante as quais aceitaria ir embora.
  4. Quando o campeonato acabou sem glória o que o país esperava era que Queiroz fizesse um mea culpa e batesse humildemente com a porta. Queiroz não só não o fez, como também assumiu logo que a história do Mundial era passado e o que importava era começar a treinar para o próximo campeonato. Num país que é muito tolerante com Calimeros mas que não suporta heróis sem glória, a presunção do seleccionador nacional soou como uma vaidade provocadora. A partir daí o selecionador transformou-se num arrogante insuportável.
  5. Então aí, um secretário de Estado que começou a olhar para os recibos de vencimento de seleccionador nacional, e a pensar que era preciso começar a cortar custos em algum lado, e as pessoas da Federação, que não gostaram da atitude enfatuada do seleccionador que se mantinha pela casa como aquele convidado que vem para jantar e acaba por ficar uma semana, lá trataram de fazer sair para a imprensa diariamente relatos que comprometiam a seriedade daquele homem.
  6. Em Portugal, a comunicação come tudo. Já percebemos isso no caso da Casa Pia, nas intrigas da pequena política, nas intervenções estratégicamente agendadas para a hora de abertura dos jornais, nas notícias sem interesse sobre pastores e mecânicos, nas histórias que ficam guardadas para o fim do jornal das oito e que prometem fazer chorar as pedras da calçada. Queiroz foi tramado!

Agora que, esgotada a paciência de quem esperava que ele cedesse à pressão e se despedisse, o seleccionador nacional foi mesmo mandado embora, Queiroz saí pela porta pequena mas não baixa os braços. Quanto à novela futebolística que se avizinha ficamos à espera dos próximos episódios… Com tranquilidade…



publicado por teoriasdacosta às 08:12
link do post | comentar | ver comentários (8) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Quarta-feira, 7 de Julho de 2010
Mas quem é que este puto julga que é? - parte 2

 

Este fim-de-semana, enquanto eu andava para aqui com incêndios internos e o país queimava sob um Sol tórrido - mesmo assim sem arder (Graças a Deus!) - Cristiano Ronaldo lançou fogo no FaceBook ao anunciar que era Pai!!!

Foi assim mesmo, uma coisa à século XXI, com o rapaz dos brincos com diamantes, que com o que ganha pode comprar jóias, carros, casas, bugigangas e outras tretas para ele e para toda a família, a declarar, por outras palavras, que acabara de adquirir um primogénito. Há coisas fantásticas, não há?

Eu, que tenho estas manias de loira acriançada, enquanto andei a carpir as minhas dores e a lamber as minhas feridas, fui digerindo lentamente esta notícia rocambolesca, que voltou a animar o país depois do desaire da selecção no campeonato. As dores de parto já são até justificação para o comportamento estranho do Cristiano Ronaldo, o que de repente, explica tudo, inclusivamente o penteado do Carlos Queiróz!!!

Mas como dizia eu, das primeiras coisas que me ocorreram à medida que esta novidade se foi sedimentando no meu cérebro foi “Mas este puto é parvo? Então um gajo que é modelo para tanta rapaziada tem relações casuais sem preservativo?” Pelos vistos, este bebé foi made in USA, na temporada em que o Cristiano por lá andou a comer a Paris Hilton (coisa que não é assim tão extraordinária se considerarmos que esta loira é tipo a pasta medicinal Couto, anda na boca de toda a gente, desde que esse alguém tenha onde cair morto). Mas o assunto agora não é a vida promíscua da Paris, essa tonta, mas do Cristiano, esse inconsciente: com que então este morcão anda por aí a saltar de cama em cama e não usa camisinha?

Apesar de não ser hipocondríaca e de até ser capaz de comer fruta mal lavada, confesso que estas modernices mundanas me deixam bastante enojada. É aquela velha história de quando dormimos com alguém estarmos a dormir com as pessoas todas que já se roçaram por aquele corpinho… A adivinhar pelas fotografias da russa que se intitula de namorada oficial do craque da bola, não me surpreende que ela não se importe muito com isso, mas mesmo assim haja bom senso! Se eu fosse de algum organismo do Estado daqueles ligados à saúde pública, exigia imediatamente que o Cristiano viesse a público clarificar que história é essa de fazer um filho numa mulher que nem sequer assume como caso. Dado o nível de maturidade demonstrado imagino que a desculpa seja uma daquelas do género: "a borracha estava com um furinho…"



publicado por teoriasdacosta às 19:09
link do post | comentar | ver comentários (14) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
Mas quem é que este puto julga que é?

Confesso que não sou fã de futebol, muito menos da malta que gravita à volta do esférico, desde comentadores, com os seus caracóis cheios de brilhantina e fatos reluzentes;  a treinadores com os seus tiques de mau português, que dizem “a gente vamos ganhar o campeonato” e citam a força anímica como uma espécie de inspiração divina; tão pouco dos jogadores, com as suas etiquetas penduradas nas roupas, nos acessórios e nas top models que trazem debaixo do braço, os seus relógios dourados e carros topo de gama exageradamente kitados.

Sei que as generalizações são perigosas, e admito que existam neste grupo de gente mal formada – muitos deles serão o protótipo do aluno de última fila que ia para o liceu só porque nos intervalos podia jogar à bola -, mal educada – eles não têm culpa, coitados, imagino que seja difícil aprender boas maneiras em bairros sociais – e com uma enorme falta de bom senso – característica que não se aprende nem se transmite por via genética, resulta tão só da capacidade para perceber o mundo em redor e agir com alguma sobriedade – existam pessoas com enorme valor, boa índole e bom carácter. Sucede porém, que o que este Mundial nos revelou foi uma cambada de miúdos vaidosos, petulantes e mal-criados, a começar naquele episódio do jogador que se lesionou no ombro a dar uma cambalhota e que à chegada ao aeroporto dizia que ficava bom numa semana – afirmação que tornou ridículo o seu regresso antecipado a casa -, continuando com o outro que nem português de gema é, que foi para uma conferência de imprensa contestar o treinador, terminando com a frase indigna do Cristiano Ronaldo “.... falem com o Carlos Queiróz!”

Não vou questionar as tácticas, as opções, a qualidade dos jogadores, tão pouco a aparente falta de motivação e de empenho que tive oportunidade de comentar quando fomos apurados para o campeonato. O que me choca é que os jogadores se sintam superiores a quem os lidera, contestem o seu treinador em público e sobreponham os seus egos e personalidades ao que, na minha modesta opinião, por ser uma honra, deveria ser encarado como um dever cívico.

Ouvi hoje o Miguel Sousa Tavares dizer na SIC que o Cristiano Ronaldo no Real Madrid faz o que lhe mandam, na Selecção faz o que lhe apetece. Infelizmente, parece-me que isto é mesmo assim, para o Cristiano Ronaldo e para os outros todos. Estes miúdos, que só podem ser chamados assim tal a imaturidade dos seus actos, revelam uma falta de educação que ultrapassa todos os limites, não sabem estar e, não sabendo falar, como é notório a cada intervenção, faziam melhor em baixar a crista e calar o bico, no mais genuíno acto de humildade.



publicado por teoriasdacosta às 21:53
link do post | comentar | ver comentários (8) | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Quinta-feira, 3 de Junho de 2010
Fãs do futebol - adeptos à séria

Os “adeptos à séria” são aqueles que vibram, sofrem, emocionam-se, divertem-se, irritam-se, enervam-se, espumam, babam, têm síncopes, ataques cardíacos, palpitações, paragens digestivas, diarreias, vómitos, ressacas, noites mal dormidas… pela sua equipa, pela equipa de todos nós, por um jogo em concreto, pelo futebol em abstracto, pelos jogadores de que gostam, pelos jogadores que odeiam (opções estas que podem ir alternando ao longo da época), pelos misters, pelos treinadores, pelos adjuntos, massagistas, médicos ortopedistas, clínicos gerais e endireitas, pelos jornalistas, comentadores desportivos, canais abertos que emitem jogos específicos a hora insuspeitas, canais informativos que promovem debates sobre os jogos sobre os quais não têm direitos de transmissão televisiva, pela Sport TV, nos directos e diferidos, mesmo quando passa jogos da década de setenta que mexem com o imaginário, por tudo o que de alguma forma, mesmo que rocambolesca, pitoresca, próxima ou afastada, se relaciona com este maravilhoso mundo dos relatos, bolas à trave, bolas na rede, biqueiradas, caneladas, cartões amarelos, fitas ou faltas na grande área, penalties, pontapés na bola e, se a coisa correr de feição, golos.

Os “adeptos à séria” começam o dia com a leitura do jornal desportivo. O jornal desportivo que não diz mal do seu clube entenda-se, porque nestas coisas da imprensa que fala de futebol (em Portugal o desporto reduz-se à modalidade em que um bando de homens se entretem durante noventa minutos a dar pontapés numa bola) pelo que percebo, há um jornal que fala só do Benfica, outro que fala prioritariamente do F.C.P., e outras publicações que são mais flagrantes a apoiar um determinado clube do que a Caras a fazer subir a cotação social da Cinha Jardim ou a TV Guia a promover os actores de novelas.

Isto de começar o dia com a leitura do jornal desportivo pode ser apenas ver a foto que enche a capa e ler as “gordas” que trasnformam numa coisa simples, quase primária, a primeira página desta imprensa extraordinária, já que homens com sangue latino carregado de testosterona, são capazes de explodir com um título ao estilo “Ronaldo não joga mais à bola” ou com uma fotografia de um rapaz em agonia, deitado na relva agarrado ao joelho, ficando em tal estado demoníaco que a vista se turva, impossibilitando a leitura de mais do que dois parágrafos a cada meia hora.

Um “adepto à séria” depois da primeira descarga de adrenalina matinal, do confronto no café ou da discussão acesa com os colegas de trabalho, é capaz de andar até ao almoço em estado eufórico se o seu clube está em alta, ou de semblante carregado se não se consegue libertar daquele pressentimento negativo em relação à Selecção Nacional, para depois, enquanto devora um bacalhau com grão ou uma feijoada à transmontana, se lançar em nova discussão circular, em que vocifera opiniões emocionadas sobre uma série de jogadores, faz análises críticas tão quânticas que soam quase a meta-físicas sobre os lances mais polémicos da jornada, e dissertar sobre uma série de questões filosóficas relacionadas com as opções do treinador, as tácticas do 3 – 4 – 4 ou do 2 – 4 – 5 (juro que estou a inventar) ou das novenas, preces e promessas que está disposto a fazer só para o seu clube ganhar o campeonanto.

Em época de mundial, os “adeptos à séria” têm já pelo menos uma buzina do Modelo (sei que aquilo tem um nome mas ainda não consegui perceber como se chama), mas idealmente terão uma no carro, outra em casa e outra para andar em trânsito porque nunca se sabe quando é necessário “tocar na corneta” para descarregar os nervos. Têm também o equipamento oficial da selecção, o autêntico, que custa um terço do ordenado e vale cinco dias de férias num apartamento no Algarve, porque fervorosos da selecção como são recusam-se a dar dinheiro a ganhar aos amarelos dos chineses.

Como uma ida a Àfrica do Sul está fora de hipóteses, porque esta coisa da adicção ao futebol é coisa de gente que se encontra no limiar da classe média, a tender para o nível mais baixo, cada “adepto à séria” já transformou a sala numa espécie de sanzala africana, com estátuas em madeira negra compradas na feira de Carcavelos, aos pretos que percorrem as praias, ou aos marroquinos que acamparam nas festas do Senhor de Matosinhos, máscaras trazidas de Angola no tempo da guerra colonial, e animais selvagens, vulgo leões em porcelana, tendo substituído os naperons de renda pela bandeira portuguesa, que existirá pela casa em múltiplas versões, desde o formato quadrado sob a jarra das flores de plástico, ao modelo king size com quinas que são peões de bowling (porque a loja do chinês não serve para o equipamento que é sagrado, mas sempre dá para algumas coisas, dado que o orçamento do português médio é menos elástico que o orçamento de Estado).

O “adepto à séria” já reforçou o stock de cerveja, desde o barril à mini, andou à procura das melhores azeitonas, tremoços e amendoins para se entreter enquanto que os rapazes que nos representam dão uns toques na bola, há-de gritar, disparatar, insultar árbritos e jogadores com o seu mais esmerado vocabulário, eventualmente chorará de alegria e apalpará o rabo da mulher sempre que Portugal terminar um jogo com uma vitória, ficará de olhos embaciados, voz embargada e estado depressivo a tender para o severamente embiagrado a cada derrota vaiada.

Os “adeptos à séria” irão encher os Aliados, o Marquês e todas as praças centrais a cada final de jogo com goleada, ficarão fechados em casa a bater na mulher, a dar pontapés aos filhos, a erguer a mão, o sobrolho e a voz à sogra se a selecção tiver uma daquelas prestações que deixa qualquer pessoa nascida em Portugal envergonhada. No final do campeonato, que ninguém acredita será glorioso para a nossa Selecção, cairá na estupidificação do Verão, enquanto não começa o campeonato, sem ter a menor noção de que um jogador, daqueles que o faz vibrar, sonhar, voar mais alto ou mergulhar num poço escuro de água gelada, é capaz de gastar num jantar mais do que o valor do salário que a cada mês o tal adepto traz para casa.

 



publicado por teoriasdacosta às 15:04
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
 O que é? |

Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Fãs do futebol - Os Indiferentes

 

 

 

Estando eu no Fundão, hospedada no mesmo hotel que a selecção dos Camarões, depois de uma passagem pela Covilhã, onde me apercebi dos populares em redor do Hotel onde a Selecção vai dormir as sestas (na esperança de uma visão relâmpago do Cristiano Ronaldo e dos outros artistas do esférico) não resisto a voltar ao tema que, durante as próximas semanas vai fazer os portugueses esquecerem-se que, a partir de hoje, estão a pagar mais IRS, logo a ganhar menos, e que um dia destes começam a pagar tudo mais caro por causa do aumento da taxa do IVA, inclusive nesse emblemático produto de primeira necessidade chamado Coca-Cola.

Como já deu para compreender, percebo pouco de bola.

Para além disso, preconceituosa como sou, com esta apetência natural para estereotipar as pessoas - que funciona quase como um filtro que me impede de ver a realidade para além das checklist de atributos com que caracterizo os figurantes do quotidiano -, alinhei os craques da Selecção e respectivo treinador como um conjunto de crominhos que se abreviam como um conjunto de figuras tristes de homens depilados, com penteados estranhos, brincos tipo carica e pochettes de griffe.

Dado que de jogadores já falei algumas vezes, continuando sem saber como se chamam e onde jogam, com quantos membros da família partilham a casa ou em quantas capas de revista cor-de-rosa a tender para o rosa-choque (assim tipo TV Guia, que a Caras é mais rosa Barbie) já apareceram, proponho-me analisar os diferentes tipos de adeptos de cuja existência me vou apercebendo.

O primeiro grupo é o que melhor conheço: o dos “Indiferentes”.

Pertenço ao grupo dos “Indiferentes” aquele que, a estas horas (20h12, do dia 1 de Junho, hora local – a teoria só não é publicada on-time porque não tenho rede…), com pleno jogo Portugal – Camarões no ar, está sentada na cama de um hotel, de portátil ao colo a teclar descontraidamente, com a televisão desligada para não interferir com a banda sonora de Elvis Costello que saí do computador.

Sou mesmo indiferente, alheada, desligada, desinteressada por qualquer jogo de futebol, mesmo que uma das equipas seja Portugal. Confesso contudo que não sou uma “Indiferente Absoluta” como serão os intelectualóides tipo Maria de Medeiros ou Pacheco Pereira, aqueles que ficam horrorizados com qualquer demonstração com laivos de populismo, carregadas da tal brejeirice que roça o analfabetismo mais básico, que não exige ou justifica declamações, interjeições nem interpretações carregadas de significados, mensagens subliminares e palavras difíceis, porque confesso, este género de personalidade majestática que acredita ser superior aos outros porque já leu muitos livros e viu alguns filmes de realizadores estrangeiros (não produzidos em Hollywood nem sequer badalados em Cannes) não é de todo o meu género. Se tiver de escolher prefiro a sardinha assada ao caviar, muito embora tenha algumas manias de tia como só consentir casar de novo se a próxima aliança for da Cartier

Sou uma “Indiferente até aos sessenta minutos” porque quando sei que um jogo tem importância estratégica, não o tipo de jogo de “casados contra solteiros” como o que hoje se joga aqui perto, mas um derby como o Porto – Benfica, a duas jornadas do fim, ou coisa semelhante, em que o F.C.P. já não tinha hipóteses de ganhar o título, mas ainda havia uma circunstância matemática que poderia permitir que o título fosse para Braga, sou capaz de ver com algum interesse os últimos minutos da segunda parte. Trinta minutos talvez sejam muito – hoje vi apenas os últimos três minutos - mas pelo menos gosto de estar ligada quando o árbitro apita para depois ouvir aquelas afirmações a quente e conclusões fabulosas que fazem os “prognósticos só no fim”, de cada jogo.

Outras vezes há em que consigo ser uma “Adepta fervorosa quando há convívios”, pois se há coisa que aprecio, dada esta costela de povo que assumo ter apesar de me considerar uma burguesinha, é um final de tarde ou serão com um grupo de amigos reunidos em torno de uma mesa carregada de bicos de pato com queijo, bola de carne e pastéis de bacalhau, a ver um jogo da Selecção, de cachecol ao pescoço e outros adereços na cor da Nação, insultando o árbitro, gritando palavras de incentivo, emitindo opiniões e comentários satíricos, que proporcionam fantásticos momentos de humor, intensos debates e discussões, um sonoro “GOOOOOOOOOLO colectivo emitido em tom de abraço, acompanhado de pulos e saltos quase mortais, ou em, alternativa, aquele veemente desânimo de grupo, com olhos embaciados e descomposturas ricas em adjectivos e analogias pejorativas aos supostos melhores jogadores made in Portugal (ou importados).

Corrida a gama dos Indiferentes, ou quase, na próxima falo dos “adeptos à séria”, de corneta do Modelo e traje vermelho e verde dos pés à cabeça. Os homens que batem na mulher se a equipa perde, choram a lesão de um jogador mais do que a morte de um membro da família (assim tipo sogra ou cunhada, se não for uma boazuda), se exaltam e exasperam em discussões no café do bairro só porque o parceiro da mesa ao lado teve a infeliz ideia de fazer um comentário que belisca as suas mais profundas crenças e convicções arreigadas.

Até lá, boa bola!

 



publicado por teoriasdacosta às 23:34
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
 O que é? |

posts recentes

Plano B(ento)

Teoria sobre o despedimen...

Mas quem é que este puto ...

Mas quem é que este puto ...

Fãs do futebol - adeptos ...

Fãs do futebol - Os Indif...

Portugal ZERO!!!!!!!!!!!!...

Fátima, futebol e fado......

Falando futebolês... Viva...

Lei de Murphy à tuga

N.º de visitas até ao momento
Web Counters
Blockbuster Video
Posts mais comentados
últ. comentários
Merci Kurioso!Por acaso o francês está a correr-me...
Saudações proletárias João Rui!E já agora boa sema...
Ora viva "Teorias".Sim, haja bom senso e capacidad...
Como é habitual, eu vou lendo os seus posts e toma...
Obrigada Sandra!Nem imagina como me realiza saber ...
Olá Sandra!Bem-vinda à minha "salinha de estar".Ag...
tags

todas as tags

Teorias no FaceBook
http://teoriasdacosta.blogs.sapo.pt/ | Divulga também a tua página
arquivos

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Site meter
Site Meter
Visitantes on-line
Online Users
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


links
blogs SAPO
subscrever feeds